Maria Aparecida Frigeri, Src* Nos nossos estudos rosacruzes, sempre tivemos a oportunidade de conhecer uma Opinião Famosa. Pois bem, numa dessas benfazejas ocasiões lemos o seguinte: Pitágoras é, talvez, mais responsável do que qualquer outro pela aplicação da geometria à solução dos mistérios e problemas do mundo fenomenal, o mundo material. Isto se deve, particularmente, à sua descoberta e teoria no sentido de que todas as manifestações da Natureza ocorrem de acordo com a lei dos números. Muitas vezes, a matemática tem sido chamada de única ciência exata. Geometria e símbolos geométricos têm sido, por séculos, a linguagem universal dos filósofos e cientistas. O sentido esotérico ou oculto de muitos desses símbolos geométricos é revelado de forma tão clara que o Membro Rosacruz terá a capacidade de fazer uso deles na sua vida diária, para satisfação pessoal. A vida e obra filosófica de Pitágoras são um tanto quanto mal conhecidas pelos historiadores. No que se refere à sua contribuição para as ciências clássicas, sugerimos que se reporte a uma enciclopédia. Sob outro aspecto, a Tradição Rosacruz nos conta que ele foi iniciado nos mistérios de Tebas em abril de 531 antes da Era Cristã, e que foi discípulo e mais tarde Mestre da nossa Fraternidade Mística. Algumas fontes de busca dizem que esse notável filósofo nasceu em Samos (Grécia) e que foi filho de Mnesarca, um escultor. Dizem que quando jovem, exerceu a profissão de seu pai. Ele também fabricou com suas próprias mãos, três taças de prata, e as ofereceu como presente a três sacerdotes egípcios. Pitágoras é conhecido como o fundador da Escola Itálica de Filosofia e de uma escola especial que estabeleceu em Crotona. Estava completamente familiarizado com os ensinamentos e filosofias das escolas de mistério do antigo Egito. Ele exigia que os seus alunos e discípulos estudassem diligentemente a matemática, a música e aquilo que poderíamos chamar de leis religioso-científicas. Pregava e exigia ainda a abstinência da carne. Conta-se que Pitágoras não estava interessado na natureza dos elementos de que se compu­nham todas as coisas, mas sim na lei que lhes dava forma. A lei de Pitágoras responsável por todas as coisas era uma propor­ção matemática, harmoniosa, a indicar uma ordem. Dizia ele que todas as coisas se unem de conformi­dade com a correlação de duas classes de números – os pares e os ímpares. Dizia ainda, que pelo conhecimento das pro­porções numéricas da matéria, aprendemos a chave para sua natureza eterna. Pitágoras foi o primeiro filósofo a propor uma teoria que deu à humanidade a oportu­nidade de uma investi­gação científica da verdadeira natureza do Universo e suas forças. Tornou possível reduzi­rem-se as manifestações mate­riais a uma fórmula inteligível. A Ordem Rosacruz nos aconselha a não subestimar o valor e a grandeza da mentali­dade do filósofo Pitágoras. Explica que estamos, via de regra, acostumados a aceitar as coisas sem determinarmos por quê elas ocorrem. Pitágoras deu à humanidade a orientação de como funcionam as coisas no mundo ao nosso redor, no sentido material, e como, desde que estejamos interessados, podemos aprender de que modo se manifestam todas as coisas. Na verdade, o Universo inteiro é governado por números. Por alguns momentos, consideremos a Música A escala musical completa está disposta numa ordenação matemática, uma oitava seguindo a outra. Na realidade, é o som ordenado. Som que não é matematicamente ordenado não é harmonioso; não é musical. Tudo deve ser matematicamente ordenado Pensem nas fases da Lua e na revolução dos planetas por meio da qual podemos marcar o nosso tempo. Pensem na ciência da química, onde a combinação dos elementos depende da exatidão da proporção matemá­tica que é infalível. Pensem em todas as forças do Universo que se tornam manifes­tas, de conformidade com a lei das vibra­ções. A mudança no número das vibrações faz uma coisa ter a cor verde, ou vermelha, algo frio ou quente, pois sabemos que é o número das vibrações que responde por todos os estra­nhos fenômenos que perce­bemos em nosso Universo. Podemos perceber som, luz, calor, gravi­tação, ou seus efeitos. Por quê? Porque as respectivas naturezas estão de acordo com uma ordem que, matematicamente, é a mesma em todos os tempos. Olhem ao seu redor e apreciem este princípio fundamental. Tudo que tiver uma ordem numérica definida é harmonioso. Se parecer não ter uma ordem numérica definida, há de parecer inarmô­nico. Sempre que uma coisa, ou coisas são contrárias à ordem numérica de alguma coisa, há de se notar desarmonia. Por exemplo, as cores se misturam porque estão de acordo com a ordem de suas respectivas escalas de cor natural. Quando as cores são inarmônicas, estão fora da ordem numérica natural de suas escalas. Pitágoras e o Silêncio dos Rosacruzes Muitos perguntam por que é necessário fazer um Juramento Rosacruz de Silêncio. Não deveriam as verdades ser ensinadas a todos e abertamente? A Fraternidade Rosacruz é Pitagórica e, portanto, tem como regra de disciplina o Silêncio. Desde tempos imemoriais houve uma Ordem de Guardar Silêncio com res­peito às coisas Sagradas. Esta regra foi seguida e a praticaram Pitágoras e também Jesus, o Cristo. Ambos ensinaram uma “dupla doutrina”. Uma para os discípulos e outra para as massas. “… Seus discípulos Lhe perguntavam dizendo: que poder tem esta parábola? E Ele disse: “Só a vocês é concedido conhecer os Misté­rios do Reino de Deus, porém a outros em Pará­bolas, para que vendo não vejam e escutando não possam enten­der.”(Lucas 8:9-12). “O que tiver ouvidos para ouvir, que ouça” – Mateus 13:9. Os Egípcios, antes, já haviam deificado o Silêncio e o representaram na forma do deus Harpócrates (com o dedo indicador sobre os lábios). Desde antes de Platão mantém-se o Silêncio como regra principal, já que esta é uma Ciência Sagrada que não deve ser man­chada por lábios mundanos ou em boca de não iniciados. “… Porém aqui, ainda que freqüentasse todos os Templos Egípcios com a maior dedicação e acurada investigação, ele foi à época, amado e admirado pelos sacerdotes e profetas com quem se associou. E havendo aprendido com