Por H. SPENCER LEWIS, FRC “ Quantos, dentre nós, limpam as mãos de dívidas, agradecendo a Deus cada benção individual recebida durante o dia? ” A oração é um ponto grandemente controverso da prática religiosa, seguido ou negado francamente. Aqueles que utilizam a oração como argumento contra a existência de um Deus inteligente, ou de qualquer Deus, afirmam que as orações seriam logicamente razoáveis e eficientes se Deus existisse. São muito perspicazes ao declarar que setenta e cinco por cento das orações ficam sem resposta ou são aparentemente negadas. Sou um crente firme na oração e o leitor também poderá ser, se der à oração a devida oportunidade para demonstrar a sua eficácia. Acusamos erradamente muitas coisas de serem ineficientes e recusamos a aceitá-las, depois de apenas umas poucas tentativas de usá-las ou demonstrá-las. A razão disso é a nossa própria ineficiência e ignorância. Nessas circunstâncias, surpreende-me que tantas orações sejam atendidas. A compreensão do que realmente é a oração e de como usá-la falta de tal modo no indivíduo comum, que é realmente surpreendente que uma, dentre mil, traga quaisquer resultados. Nas igrejas, são usadas certas preces fixas feitas por pessoas que parecem mais interessadas na eloquência florida do que na verdadeira oração. Jesus ensinou aos seus discípulos como orar, e a versão correta das suas instruções e os exemplos que deu ao mundo são diferentes das preces proferidas por aqueles que se afastaram do misticismo fundamental da oração. A prece baseia-se na suposição de que Deus é onipotente, onipresente e deseja atender às nossas súplicas. Essa é toda a suposição ou base que necessitamos na oração; penso, porém, que o leitor concordará em que a média das pessoas tem em mente algo mais. Tem em mente não só que Deus é onipotente, onipresente e misericordioso, mas, também, que, com toda a sua harmonização com os seres que criou, ignora, ainda, as suas necessidades, desconhecendo completamente o que necessitam na vida! Este é o grande erro. Entregarmo-nos à oração com a crença ou sensação de que Deus não sabe o que necessitamos ou o que é melhor para nós e devemos dizer-lhe e explicar-lhe o que desejamos, é cometer um grave erro. Considerando o assunto do ponto de vista puramente razoável e sensível, não parece estranho que uma pessoa se ajoelhe e peça a Deus que não tire a vida de alguém que acabou de sofrer um acidente? Orar a Deus em tal ocasião e quase ordenar -lhe que não permita que a vida abandone o corpo dessa pessoa ou que certas condições se manifestem, é presumir que nós, com a nossa compreensão finita, sabemos, melhor do que Deus, se certas coisas devem, ou não, acontecer. Se a pessoa foi ferida, está prestes a falecer e Deus não impede que isso aconteça, por que deveremos presumir que Deus modificará Seu modo de pensar quanto à transição, permitindo que a pessoa viva, unicamente porque pedimos que a sua vida seja salva? Pense em duas pessoas, em lados opostos, cada uma pedindo forças a Deus para que seja o vencedor numa luta entre elas. Se Deus deve decidir a luta, não é melhor presumir que o Seu julgamento das condições e princípios em ação será suficiente para escolher a pessoa que deverá vencer? A oração, por ambas as partes, não poderá ser satisfatoriamente atendida, pois ambas não poderão sair vencedoras. O místico sabe que qualquer oração ou súplica baseada na suposição de que Deus ou o Cósmico não sabe o que é melhor e deve ser orientado ou aceitar recomendações ou sugestões, é perdida e inútil. Na verdade, isso representa uma censura à inteligência divina e não vai além do campo das nossas ambições pessoais. Certamente, semelhante prece não pode ser proferida sinceramente ou merecer a aprovação Cósmica. Está fadada a fenecer ou a não ter resposta, no próprio momento em que é concebida. Um Encontro de Mentes Para o místico, portanto, a oração é um encontro de mentes. Não é ocasião para pedidos pessoais, mas para comunhão espiritual, ocasião em que a alma e a parte mais íntima de nós mesmos, reverente, sincera e tranquilamente, falam a Deus e expressam os desejos do nosso coração e mente. Qualquer consideração de que a nossa concepção humana das nossas necessidades deve ser exposta em detalhes ou feitas sugestões ou recomendações, seria tão incompatível com a atitude verdadeira de orar, que desvirtuaria a oração e impediria a realização do que desejamos. A prece, portanto, deve ser a expressão do desejo de uma bênção. Tenho eu qualquer direito de me dirigir a Deus, como faço na oração, e exigir ou mesmo pedir que me seja dada uma vida mais longa, porque esse é o meu desejo e cheguei à conclusão de que devo ser atendido? Não é isso concluir que Deus pode não ter pensado em dar-me vida mais longa ou pode ter decidido de outro modo, e desejo modificar a decisão e decreto da Sua Mente? Não é isso uma obstrução ao próprio efeito que desejo criar na consciência de Deus? Tenho eu qualquer direito de me dirigir ao Criador de tudo e dizer que desejo isto ou aquilo de um modo que indica que decidi a respeito dessas coisas, ou solicitar que a Mente Divina aceite o meu discernimento em vez do Seu próprio? Estou certo de que se pensássemos em nos aproximar do rei de um país ou do presidente de uma república, cujos favores nos tivessem sido concedidos no passado e de cuja generosidade muito tivéssemos nos beneficiado, entregar-nos-íamos à oração de modo muito diferente. Se tivéssemos recebido muitos favores de um rei e nos fosse permitido ir à sua presença para alguns momentos de comunhão, encontrar-nos-íamos, provavelmente, proferindo, antes de mais nada, palavras de agradecimento pelo que recebemos – acrescentando que, se fosse da vontade real, ficaríamos muito felizes se pudéssemos continuar a merecer as mesmas bênçãos ou possivelmente mais. Nenhum de nós pensaria em solicitar bênçãos específicas sem, primeiramente, ter expressado profundo agradecimento pelo que já receberemos e sem declarar que,
Gratidão pela Vida
Gratidão pela Vida Poucas pessoas se expressam de modo semelhante, pois não existem duas pessoas exatamente iguais. Nosso modo de viver, nossa forma de pensar, nosso comportamento em relação aos outros, tudo isso revela uma parte de nossa evolução e compreensão individuais, uma parte da nossa educação, instrução e experiências de vida. Somos diferentes e, no quadro geral da vida, podemos sentir como a Criação se revela na diversidade que contém. Em todas as manifestações do Divino, e especialmente na natureza, essa diversidade é inegavelmente óbvia. No entanto, ninguém vive apenas para si mesmo. Uma pessoa só conseguiria essa façanha se estivesse sozinha no planeta. Cada uma de nossas atividades diárias, direta ou indiretamente, sempre afeta uma ou mais pessoas. É, portanto, essencial que cultivemos uma compreensão de nós mesmos, de nosso ambiente e de todo o Cosmos para podermos experimentar a alegria de viver. A cada dia que passa, expresse sua gratidão pela vida, por uma vida que permite que você desfrute e use plenamente sua existência terrena partilhando o que você recebe, manifestando sua espiritualidade e compreendendo a divindade com a qual você está infundido. Dê graças sem cessar por este dia de trabalho em que você tem a oportunidade de expressar suas faculdades internas e forças latentes. Quando vão chegando as férias, sinta uma imensa gratidão pelo descanso que vai ter de suas tarefas diárias, muitas vezes repetitivas. Muitos de nós temos uma tendência a pensar que a vida é feita apenas de tristezas e de dificuldades. Nunca suponha que os outros são mais felizes do que você, que são mais abençoados que você. Um dos objetivos na vida deveria ser o de sair ativamente por aí em busca da felicidade, na verdade, fazendo com que a felicidade aconteça. Na realidade, a felicidade está mais perto de você do que suas mãos e pés, portanto, agarre-a. Ela quer ser agarrada! Não é necessário ser rico, poderoso ou estar em altas posições para ser feliz. A felicidade não corresponde à riqueza material. Provavelmente você já observou que muitas vezes é o mais humilde na sociedade que encontra a felicidade nas coisas mais simples, coisas que normalmente nem levamos em consideração. Infelizmente criamos necessidades que de início nada mais eram que desejos, e os supérfluos podem facilmente se tornar uma dessas necessidades. O Cósmico nos deu tantos privilégios e possibilidades que, se fôssemos plenamente conscientes deles, seria difícil para nós sermos infelizes com relação ao que somos e ao que recebemos. Todos fomos abençoados com dons, mas nem sempre nos apercebemos disso e continuaríamos reclamando mesmo se fôssemos donos do universo. Esquecemos tudo o que temos à nossa disposição para lamentarmos as coisas que não temos. Seja grato, portanto, pelos dons que você já tem e, assim, abrirá as portas para receber ainda mais bênçãos. Mas nunca suponha que basta simplesmente agradecer. Pergunte-se sempre se você realmente merece o que recebe. Não é verdade que muitas vezes você recebe sem dar? Será que sempre partilhamos com os outros as nossas alegrias e a nossa gratidão? Será que retribuímos na mesma proporção que recebemos? É grande o número de pessoas que pedem ajuda do Cósmico, mas poucos são aqueles que, de fato, expressam sua gratidão. Ouça a ainda tênue voz dentro de você que o impulsiona a dar graças pela abundância da vida que lhe pertence. E não agradeça simplesmente pelas suas vantagens materiais, mas também pela capacidade de sentir simpatia, de compreender os outros, de confiar e de esperar por um amanhã melhor. Seja grato se descobriu uma forma de ajudar os outros. Seja grato por merecer ter recebido o sentido do tato, da visão e da audição, que são a manifestação do trabalho divino diário que consiste em ‘sentir conscientemente’ a gratidão pelo que se tem. Logo vai descobrir que seu copo não só está cheio, mas ‘transbordando’. Quando acorda pela manhã – e várias vezes durante o dia – retire-se para a solidão de seu Eu e expresse do fundo de seu coração a gratidão pela vida que o anima. Seja grato pela saúde que tem e pela família que o cerca. E seja grato também pelo seu grande dom: a possibilidade de partilhar com os outros. Numa onda de gratidão, peça ao Cósmico que o inspire, que lhe dê forças e o apoie em todos os seus esforços. Então, você vai ficar receptivo aos poderes infinitos e vai se colocar em tal harmonia que a Essência Divina do Cósmico vai de fato infundir seu ser. Todo dia é uma oportunidade de meditar sobre os privilégios, o conhecimento e a compreensão que estão à sua disposição. Hoje no trabalho, amanhã nas férias, ou a qualquer momento, expresse sua gratidão por todas essas bênçãos cósmicas… E esteja sempre imbuído do verdadeiro espírito de reconhecimento e de gratidão. “Ensina ao teu semelhante a gratidão e ele receberá benefícios; ensina ao teu semelhante a caridade, e ele receberá amor” – A Vós Confio Arquivos Rosacruzes



