A CRUZ, a ROSA e a ROSA CRUZ Por que choras de que existe A terra e o que a terra tem? Tudo nosso – mal ou bem – É fictício e só persiste Porque a alma aqui é ninguém. Não chores! Tudo é o nada Onde os astros luzes são. Tudo é lei e confusão. Toma este mundo por estrada E vai como os santos vão. Levantado de onde lavra O inferno em que somos réus Sob o silêncio dos céus, Encontrarás a Palavra, O Nome interno de Deus. E, além da dupla unidade Do que em dois sexos mistura A ventura e a desventura, O sonho e a realidade, Serás quem já não procura. Porque, limpo do Universo, Em Christo nosso Senhor, Por sua verdade e amor, Reunirás o disperso E a Cruz abrirá em Flor. (Poema datado de 6 de fevereiro de 1934, de Fernando Pessoa)
Como Orar
Por H. SPENCER LEWIS, FRC “ Quantos, dentre nós, limpam as mãos de dívidas, agradecendo a Deus cada benção individual recebida durante o dia? ” A oração é um ponto grandemente controverso da prática religiosa, seguido ou negado francamente. Aqueles que utilizam a oração como argumento contra a existência de um Deus inteligente, ou de qualquer Deus, afirmam que as orações seriam logicamente razoáveis e eficientes se Deus existisse. São muito perspicazes ao declarar que setenta e cinco por cento das orações ficam sem resposta ou são aparentemente negadas. Sou um crente firme na oração e o leitor também poderá ser, se der à oração a devida oportunidade para demonstrar a sua eficácia. Acusamos erradamente muitas coisas de serem ineficientes e recusamos a aceitá-las, depois de apenas umas poucas tentativas de usá-las ou demonstrá-las. A razão disso é a nossa própria ineficiência e ignorância. Nessas circunstâncias, surpreende-me que tantas orações sejam atendidas. A compreensão do que realmente é a oração e de como usá-la falta de tal modo no indivíduo comum, que é realmente surpreendente que uma, dentre mil, traga quaisquer resultados. Nas igrejas, são usadas certas preces fixas feitas por pessoas que parecem mais interessadas na eloquência florida do que na verdadeira oração. Jesus ensinou aos seus discípulos como orar, e a versão correta das suas instruções e os exemplos que deu ao mundo são diferentes das preces proferidas por aqueles que se afastaram do misticismo fundamental da oração. A prece baseia-se na suposição de que Deus é onipotente, onipresente e deseja atender às nossas súplicas. Essa é toda a suposição ou base que necessitamos na oração; penso, porém, que o leitor concordará em que a média das pessoas tem em mente algo mais. Tem em mente não só que Deus é onipotente, onipresente e misericordioso, mas, também, que, com toda a sua harmonização com os seres que criou, ignora, ainda, as suas necessidades, desconhecendo completamente o que necessitam na vida! Este é o grande erro. Entregarmo-nos à oração com a crença ou sensação de que Deus não sabe o que necessitamos ou o que é melhor para nós e devemos dizer-lhe e explicar-lhe o que desejamos, é cometer um grave erro. Considerando o assunto do ponto de vista puramente razoável e sensível, não parece estranho que uma pessoa se ajoelhe e peça a Deus que não tire a vida de alguém que acabou de sofrer um acidente? Orar a Deus em tal ocasião e quase ordenar -lhe que não permita que a vida abandone o corpo dessa pessoa ou que certas condições se manifestem, é presumir que nós, com a nossa compreensão finita, sabemos, melhor do que Deus, se certas coisas devem, ou não, acontecer. Se a pessoa foi ferida, está prestes a falecer e Deus não impede que isso aconteça, por que deveremos presumir que Deus modificará Seu modo de pensar quanto à transição, permitindo que a pessoa viva, unicamente porque pedimos que a sua vida seja salva? Pense em duas pessoas, em lados opostos, cada uma pedindo forças a Deus para que seja o vencedor numa luta entre elas. Se Deus deve decidir a luta, não é melhor presumir que o Seu julgamento das condições e princípios em ação será suficiente para escolher a pessoa que deverá vencer? A oração, por ambas as partes, não poderá ser satisfatoriamente atendida, pois ambas não poderão sair vencedoras. O místico sabe que qualquer oração ou súplica baseada na suposição de que Deus ou o Cósmico não sabe o que é melhor e deve ser orientado ou aceitar recomendações ou sugestões, é perdida e inútil. Na verdade, isso representa uma censura à inteligência divina e não vai além do campo das nossas ambições pessoais. Certamente, semelhante prece não pode ser proferida sinceramente ou merecer a aprovação Cósmica. Está fadada a fenecer ou a não ter resposta, no próprio momento em que é concebida. Um Encontro de Mentes Para o místico, portanto, a oração é um encontro de mentes. Não é ocasião para pedidos pessoais, mas para comunhão espiritual, ocasião em que a alma e a parte mais íntima de nós mesmos, reverente, sincera e tranquilamente, falam a Deus e expressam os desejos do nosso coração e mente. Qualquer consideração de que a nossa concepção humana das nossas necessidades deve ser exposta em detalhes ou feitas sugestões ou recomendações, seria tão incompatível com a atitude verdadeira de orar, que desvirtuaria a oração e impediria a realização do que desejamos. A prece, portanto, deve ser a expressão do desejo de uma bênção. Tenho eu qualquer direito de me dirigir a Deus, como faço na oração, e exigir ou mesmo pedir que me seja dada uma vida mais longa, porque esse é o meu desejo e cheguei à conclusão de que devo ser atendido? Não é isso concluir que Deus pode não ter pensado em dar-me vida mais longa ou pode ter decidido de outro modo, e desejo modificar a decisão e decreto da Sua Mente? Não é isso uma obstrução ao próprio efeito que desejo criar na consciência de Deus? Tenho eu qualquer direito de me dirigir ao Criador de tudo e dizer que desejo isto ou aquilo de um modo que indica que decidi a respeito dessas coisas, ou solicitar que a Mente Divina aceite o meu discernimento em vez do Seu próprio? Estou certo de que se pensássemos em nos aproximar do rei de um país ou do presidente de uma república, cujos favores nos tivessem sido concedidos no passado e de cuja generosidade muito tivéssemos nos beneficiado, entregar-nos-íamos à oração de modo muito diferente. Se tivéssemos recebido muitos favores de um rei e nos fosse permitido ir à sua presença para alguns momentos de comunhão, encontrar-nos-íamos, provavelmente, proferindo, antes de mais nada, palavras de agradecimento pelo que recebemos – acrescentando que, se fosse da vontade real, ficaríamos muito felizes se pudéssemos continuar a merecer as mesmas bênçãos ou possivelmente mais. Nenhum de nós pensaria em solicitar bênçãos específicas sem, primeiramente, ter expressado profundo agradecimento pelo que já receberemos e sem declarar que,
A Força
A Força De um ponto de vista tradicional, dizemos que o homem foi criado à imagem de Deus. Ele recebeu, então, no momento de sua criação, “a força”. No plano místico, esta força é sua aptidão para concentrar cada um de seus pensamentos, de suas palavras e de suas ações na direção do Absoluto divino. Ela representa o estado de consciência o qual denominamos de “estado Crístico”, de “estado Búdico” e de outros nomes mais. Pessoalmente, o chamarei “estado Rosacruz”. A força à qual me refiro é perfeitamente ilustrada na narrativa alegórica de Davi e Golias. Esta é uma profunda ilustração de seu poder. O jovem Davi, com a ajuda de um seixo, faz tombar o gigante Golias, acertando-o mortalmente na fronte. Quando sabemos que o futuro rei Davi simboliza o poder da espiritualidade, neste conto, e Golias o poder da materialidade, compreendemos melhor a que ponto o pensamento vence a matéria. Isto mostra que a nossa força não deve ser aquela do corpo, mas sim a da alma. Encontramos uma outra ilustração deste princípio na décima primeira carta do tarô, onde a força é simbolizada por uma jovem mulher a qual, apenas com suas mãos, mantém aberta a boca de um leão. É evidente que a força aqui representada nada tem de física. Aí também ela simboliza a supremacia da força da alma sobre a do corpo. Isto não significa que a energia corporal não possa servir a alguma finalidade espiritual: exatamente o contrário. Com efeito, o corpo e suas funções servem de veículo à alma e lhe permitem evoluir no contato com o mundo material. Ao falarmos, utilizamos os órgãos da voz para exprimir aquilo em que pensamos. Nesse momento, requisitamos uma parte de nossa força física. A melhor prova é que a intensidade de nossas palavras está intimamente ligada ao nosso estado mental e emocional do momento. Assim, quando estamos exasperados ou em cólera, temos a tendência, conforme se diz familiarmente, de levantar a voz, isto é, de concentrar em nossa voz uma força maior do que a habitual. Ao contrário, quando estamos em prece, de uma maneira que não mentalmente, as palavras que pronunciamos se perdem num vago sussurrar. A força de nossas palavras reflete com frequência o nosso estado interior, ou seja, o nosso estado de alma. O mesmo se aplica aos movimentos que fazemos. Por exemplo, um ato ritual nada tem a ver com um gesto de ira. O interesse desta relação corpo-mente-alma reside no fato de que podemos agir e reagir sobre nosso estado interior, observando a intensidade da força que manifestamos em nosso comportamento. Para retornar ao exemplo da cólera, o fato de tomar consciência de que falamos muito alto e que nossos gestos são discordantes deveria nos incitar a agir mentalmente sobre nós mesmos para nos acalmarmos. Infelizmente, por falta de vontade e de mestria, não é sempre que pensamos fazê-lo. Inversamente, quando fazemos nossas preces ou meditamos, nos devotamos a permanecer calmos e descontraídos, a fim de estarmos receptivos interiormente. Assim, creio que a força do ser humano reside não apenas em seu poder de concentração mental, mas também em sua aptidão de dominar aquilo que diz e faz, isto é, suas palavras, seus gestos e suas ações. Agindo assim, ele coloca todo o seu ser a serviço da alma que evolui por meio dele e contribui positivamente para sua evolução espiritual. Essa tomada de consciência é a chave mestra da verdadeira força e do domínio de si mesmo. Que a força esteja sempre em você e que ela lhe ajude a atravessar a vida com sucesso e serenidade.
Flores no Jardim Cósmico
Flores no Jardim Cósmico O sentido da nossa vida como seres humanos no mundo é o de que ela é meio para um fim que a transcende. Ou seja, é através dela que se cumpre a finalidade ou razão de ser de nossa existência como tais seres, mas não é nela mesma que está essa finalidade. Um indício desse sentido da vida humana é a sua transitoriedade. Como tudo o que tem começo, duração e fim, nossa vida não pode ter razão de ser em si mesma. Do contrário teria se originado ao nosso nascimento de um “nada absoluto” – um absurdo; e ao se encerrar quando da nossa morte, qualquer que tivesse sido sua duração, estaria recaindo num “nada absoluto” – novamente um absurdo. Originamo-nos necessariamente em algo transcendente que precede nossa existência e nossa vida no mundo e que não pode ser um “nada absoluto”. Destinamo-nos necessariamente a esse mesmo algo transcendente que persiste após nossa vida no mundo e que não pode ser um “nada absoluto”. Por conseguinte, na realidade não somos seres em sentido absoluto; isto é, seres com essência imanente, natureza própria. Somos seres em sentido relativo, manifestando funções do ser absoluto e necessariamente único, eterno e infinito… do Ser Essencial que nos precede e subsiste, que é fonte (origem), sede (essência) e destino (resolução final) de tudo. Temos mais propriamente a natureza de fenômeno do que a de ser. Vale dizer, a natureza de algo que tem começo, duração e fim, no tempo e no espaço, e que é parcialmente observável, objetivamente perceptível e compreensível. A planta florífera… sem flores… agora com botões. E as flores desabrocham e cumprem sua função na vida da planta. Depois murcham e caem da planta no solo; “morrem”, deixam de existir como flores “vivas”, apodrecem e se decompõem no solo, deixando finalmente de existir como flores. A planta florífera… sem flores… A mesma planta florífera… agora com novos botões. E as flores desabrocham e cumprem sua função na vida da planta. Depois… A planta florífera e as flores: A planta… o “ser” que é fonte, sede e destino das flores. As flores… que não existem por si mesmas nem para si mesmas, mas que existem por força de leis físico-químicas da natureza da planta e se manifestam num sistema físico-químico que possibilita o cumprimento de sua necessária função na vida da planta. O universo. Sistema complexo composto de coisas, fenômenos e seres… Coisas? Seres? Não! Fenômenos. O universo é composto de fenômenos… inclusive o ser humano! Todos esses fenômenos manifestando potencialidades do Ser Essencial e cumprindo funções naturais na vida Dele… inclusive o ser humano! O universo: coisas, fenômenos e seres… fenômenos… flores no Jardim Cósmico! O ser humano… flor no Jardim Cósmico. Flor… por que não rosa… a desabrochar pela cruz da vida no mundo… na Vida do Ser Essencial? A roseira e as rosas: A roseira… o “ser” que é fonte, sede e destino das rosas. As rosas… que não existem por si mesmas nem para si mesmas, mas que existem por força de leis da natureza da roseira e se manifestam num sistema físico-químico transitório que possibilita o cumprimento de sua função necessária na vida da roseira. Rosas… que nascem, desabrocham e morrem… nascem, desabrocham e morrem… nascem, desabrocham e morrem… nascem… desabrocham… à plenitude de serem na roseira! Nossa vida, então, requer que lhe demos um sentido que a transcenda… algo que passe por ela e evolua (desabroche…) para se realizar num estado de ser sublime, num fenômeno sublime (fragrância maravilhosa no Jardim Cósmico!). Jardim Cósmico… misterioso e mágico… místico! Transcendência florífera que produz diferentes flores: rosas… que desabrocham na Vida do Ser Essencial… e também girassóis… que se voltam para o Sol e se deixam iluminar! Assim se completa o sentido da nossa vida como seres humanos no mundo: pela dedicação a valores, gostos, interesses e objetivos que propiciem o nosso desabrochar para a sublimidade na Vida do Ser Essencial e o nosso direcionamento da consciência para a Luz do Ser Essencial. Rosas… e girassóis… no Jardim Cósmico… todas irmãs por divina genealogia… no Amor do Ser Essencial! Nota: Este artigo apresenta a ideia fundamental do livro “Ser no Ser – Teorema e Credo da Vida Humana”, do mesmo autor.
Meditação pela Paz – Sou Responsável
MEDITAÇÃO PELA PAZ Sou Responsável PELA GUERRA… Quando orgulhosamente faço uso da minha inteligência para prejudicar o meu semelhante. Quando menosprezo as opiniões alheias que diferem das minhas próprias. Quando desrespeito os direitos alheios. Quando cobiço aquilo que uma outra pessoa conseguiu honestamente. Quando abuso da minha superioridade de posição, privando outros de sua oportunidade para progredir. Se considero apenas a mim próprio e a meus parentes pessoas privilegiadas. Quando me concedo direitos para monopolizar recursos naturais. Se acredito que outras pessoas devem pensar e viver da mesma maneira que eu. Quando penso que sucesso na vida depende exclusivamente do poder, da fama e da riqueza. Quando penso que a mente das pessoas deve ser dominada pela força e não educada pela razão. Se acredito que o Deus de minha concepção é aquele em que os outros devem acreditar. Quando penso que o país em que nasce o indivíduo deve ser necessariamente o lugar onde ele tem de viver. PELA PAZ… Se direciono correta e construtivamente os poderes da minha mente. Se concedo ao meu semelhante o direito pleno de se expressar, de acordo com seu próprio entendimento das verdades da vida. Se reconheço que os meus direitos cessam quando se iniciam os direitos de outros, e aceito isso como um mínimo indispensável de disciplina. Se faço uso dos poderes interiores para criar as minhas próprias oportunidades. Se consigo promover a evolução dos que me cercam, sem considerar ameaçada a minha posição, e entendo que esta é a minha maior fonte de sucesso. Se compreendo que as Leis Divinas diferem das criadas pelo Homem, e que nenhum direito divino especial é concedido a alguém unicamente por seu berço. Se reconheço que os recursos naturais devem servir indistintamente a todas as formas de vida, e que não me cabem direitos exclusivos sobre eles. Se compreendo que nada é mais livre do que o pensamento e que o pensamento construtivo transforma o Homem, direcionando-o à sua verdadeira meta. Quando sinto que toda felicidade depende do simples fato de existir… de estar de bem com a vida. Se percebo que todo ser humano pode vir a ser um grato amigo, quando convencido pela argumentação sincera. Se considero que “a Alma de Deus adquire personalidade no Homem”, e que este só pode conceber Deus a partir de sua própria percepção da Divindade. Se reconheço a mim e ao meu semelhante como partes integrantes do universo e que a cada um cabe a busca do lugar onde melhor possa servir. “Se estou em paz, eu promovo a paz dos que me cercam. Por sua vez, eles promovem a paz daqueles que estão à sua volta e que também farão o mesmo. Então, a paz começa por mim! E sem ela não pode haver a necessária transformação social.” – Ralph Maxwell Lewis, FRC





