Na primeira Convocação ritualística de maio, as Lojas e Capítulos de nossa Ordem realizam a Cerimônia Anual da Columba, a fim de prestar uma justa homenagem a todas as jovens que aceitaram servir à nossa Ordem em tão nobre e sagrada função. O significado de Columba é “pomba”, e a pomba é um símbolo profundamente místico e esotérico. A história das Columbas remonta ao tempo em que nos Templos havia um “fogo sagrado”, que era guardado por uma jovem denominada “Vestal”. As Vestais eram cuidadosamente preparadas especialmente para cumprir o honroso dever de manter acesa a Chama Sagrada, em todos os Templos. Sua presença constante nos rituais rosacruzes, simboliza a eterna presença da Consciência Divina, parte integrante de nossa alma.
O impacto do coronavírus
O mundo se une contra a pandemia provocada pelo novo coronavírus e sua consequência, a doença respiratória COVID19. Em um cenário quase apocalíptico, fronteiras são fechadas, Estados declararam estado de emergência, pessoas foram impedidas de circular livremente em muitos lugares, hospitais estão repletos e com carência de leitos e materiais. Não repetirei os cuidados e precauções, devidamente emanados pelas autoridades da Saúde, para minimizar as contaminações – escrevo este texto próximo de comemorarmos o Ano Novo Rosacruz com o intuito de colaborar para uma reflexão a respeito de fraquezas e grandiosidades da espécie humana na relação com o planeta Terra. Os vírus não são considerados por alguns cientistas como “seres vivos” pois eles não produzem energia metabólica (não se alimentam, não respiram), são acelulares e só se reproduzem no interior de uma célula. Os que os consideram “seres vivos” usam como argumento o fato deles efetuarem atividades complexas: transmitirem características aos seus descendentes e evoluírem, sofrendo alterações de acordo com o meio. Quando estão fora de um ambiente celular os vírus estão “inertes”, mas, tão logo infectam uma célula, injetam na mesma seu material genético e este se replica rapidamente – rompendo ou brotando da célula hospedeira e infectando tantas outras – a infecção se espalha. Os vírus não são tratados com antibióticos, destinados às infecções causadas por bactérias. Cada vírus deve ser tratado de maneira a impedir a ação das enzimas produzidas pelo material genético para se replicarem nas células. O problema é que as drogas antivirais são, geralmente, tóxicas para as células humanas. E o vírus, como um mecanismo que busca se autoperpetuar, desenvolve rapidamente resistência às drogas que o combatem. O que são os coronavírus humanos (CoV)? Esta família viral é composta de sete cepas que são conhecidas desde a década de 1960 mas a ciência já conseguiu determinar quando exatamente cada uma surgiu à humanidade – cada uma delas teve origem em animais. É importante frisar que a maioria dos seres humanos em algum momento de nossas vidas, somos infectados pelas formas mais brandas dessas cepas virais. As mais simples são: a) HCoV-229E – descoberto em 1960, tendo se originado do coronavírus da alpaca, em data indeterminada; b) HCoV-OC43 – descoberto em 2004, origem bovina em 1890; c) HCoV-NL63 – descoberto em 2004, originado do coronavírus de morcego cerca de 800 anos atrás e d) HCoV-HKU1 – descoberto em 2005 e também originado dos morcegos. As cepas mais perigosas são três: a) SARS-CoV – descoberta em 2002, originada do contato com morcegos em 1986; b) MERS-CoV – descoberto em 2012, originada do coronavírus de morcegos e transmitida aos seres humanos pelos camelos e c) SARS-CoV-2 – nossa pandemia atual, descoberto em 2019 e há três pesquisas sobre a origem – uma que se originou de cobras, outra que veio do vírus que parasita morcegos mas não se sabe qual animal transmitiu ao ser humano e a teoria mais aceita atualmente pelos cientistas: originou-se no coronavírus que parasita um mamífero carnívoro asiático denominado “pangolim” e que é degustado na China como especiaria gastronômica. Vemos que o vírus se comporta perante a célula humana de uma maneira que podemos comparar ao comportamento da espécie humana perante o planeta Terra. Analisemos nosso último Manifesto, o Appellatio Fraternitatis Rosae Crucis. Nosso então Imperator escreveu um capítulo denominado “Chamado à ecologia” e ali ressaltou a necessidade de nos preocuparmos com a preservação do planeta. Para que se entenda a questão ecológica, é necessário retornarmos às civilizações antigas onde a relação do ser humano com a Terra era de tamanho respeito que diversas maneiras de cultuarmos nossa ligação com nosso planeta foram desenvolvidas e sistematizadas. O que os antigos entendiam por “saúde” estava profundamente relacionado com a natureza e seus ciclos – as forças vitais que a tudo permeiam e animam. Desde que a ciência se impulsionou com o Iluminismo e, especificamente a partir do início do século XX, em cada geração que se sucede menos se preza e cultiva uma relação respeitosa com o planeta. As cidades crescem de maneira desordenada e não garantem os cuidados básicos com saneamento, moradia e alimentação que permitam viver harmônica e saudavelmente. Por outro lado, as pessoas que residem no campo na maior parte das vezes adquirem necessidades típicas de quem mora nas regiões urbanas e, vivendo em função de produzir para as cidades, perdem sua própria relação com o campo e com o que produzem. Com a velocidade que a epidemia do COVID19 se transformou em pandemia, os detentores do poder político e econômico no mundo tiveram que decidir por ações rápidas, difíceis, envolvendo vários aspectos da vida cotidiana e do planejamento a curto prazo. Isso no raiar de uma década onde a temperatura média vem aumentando consideravelmente com fortes impactos nos oceanos, nas regiões polares e, em consequência, no clima. Uma poderosa rede que é ao mesmo tempo resultado da evolução das espécies e da interferência delas no ecossistema que partilham está sendo constantemente tensionada em quase todos os seus pontos. A ciência nunca procurou ser fantasiosa ou alarmista – ela apenas tenta decifrar o mundo em suas manifestações e apontar os riscos que estamos conscientemente ou não assumindo quando mantemos um estilo de vida que exaure os recursos da natureza. E a ação humana ao transformar tais recursos em bens e produtos nem ao menos garante que essas riquezas sejam igualmente partilhadas pelos povos e vemos, então, nações pobres destruindo seus solos, fauna e flora para que sejam fornecedores do consumo em países ricos. Apenas para facilitar que visualizemos a importância de mensurarmos e entendermos a importância da nossa interferência no ambiente, cidadãos de Veneza, Itália, declararam que as medidas de quarentena para frear a propagação do COID19, impedindo o turismo e minimizando movimentações na cidade, em pouco tempo – dez dias – deixaram seus famosos canais com águas cristalinas e uma fauna que nunca fora observada. A natureza possui alto poder de adaptação e de readaptação – quando impermeabilizamos o solo com asfalto ela buscará outras maneiras de escoar suas
Nova linha de Incensos Rosacruzes
Os incensos são benéficos para energizar e purificar um ambiente. O ato de acendê-los diariamente atrai boas vibrações, auxilia na meditação, além de ajudar a aliviar o estresse agindo diretamente no bem-estar físico e emocional, proporcionado elevação espiritual. A nova linha de Incensos Rosacruzes traz aromas variados com componentes de óleos essenciais e bambu que não deixa resíduos de queima. Cada aroma traz em sua essência componentes que estimulam os centros psíquicos e agem diretamente auxiliando a elevação da consciência. Escolha o seu! Estão disponíveis nas na versão varetas e cones. “ADQUIRIR AGORA”
ERIN Martinista – realizado de 23 a 27 de maio de 2018
Nos dias 23 a 27 de maio de 2018 foi realizado na Morada do Silêncio o ERIN GLP MARTINISTA: A Revelação das Câmaras Secretas do Castelo Interior, cujo tema simboliza a alma humana, no interior do ser humano, onde ocorre o encontro com o si mesmo. O Castelo é um arquétipo cristão muito poderoso de beleza, força, resistência, e proteção. Foi elaborado com base em obra de Santa Teresa de Jesus, uma Mestra Espiritual, cujo magistério foi reconhecido como autêntico e seguro, tanto que o Papa Paulo VI concedeu o título de Doutora da Igreja. Teresa nascida em Ávila, conhecida como a “A cidade dos cavaleiros e dos santos”. O uso da visão de um castelo interior no processo de meditação deste ERIN GLP representou um símbolo forte de ascensão, o elo entre a Terra e o Céu, expressando o desejo de aproximação com Deus e de canalização do poder divino para a Terra. Cada martinista participante se esforçou para construir o seu próprio Castelo Interior ao percorrer, passo a passo, as suas sete câmaras até a íntima e secreta habitação do Altíssimo dentro de si mesmo, constituindo-se numa viagem da alma pelos sete níveis das esferas espirituais (Moradas Celestiais), num trabalho real do mundo interior até os mais profundos estados de consciência.
A História não contada dos construtores das Pirâmides
Você sabia que com a morte de Akhenaton, seu filho Tutankhamon subiu ao trono para restaurar o deus Amon-Ra e devolver a capital para Tebas, na sua antiga posição? Muitas coisas aconteceram no reinado do Menino de Ouro e você poderá saber mais sobre esse assunto assistindo a esta inédita palestra aqui na Ordem Rosacruz. E se você não está em Curitiba, saiba que a palestra será transmitida virtualmente. Não perca esta oportunidade única! Palestra O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon Data: 06 de setembro às 19h Local: Auditório H. Spencer Lewis – Ordem Rosacruz, AMORC – Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba, Paraná. Investimento: Segundo Lote – Julho: R$ 170,00; Meia R$ 85,00 Terceiro Lote – Agosto: R$ 200,00; Meia R$ 100,00 Transmissão On-line: R$ 50,00 INSCREVA-SE!
Yoga e Saúde
Praticar Yoga pode ser um grande benefício quando pensamos em manter a saúde em dia. Estar com saúde significa estar bem, disposto, ativo. É a conexão do bem-estar físico, mental e social. O Yoga pode auxiliar na diminuição de dores, ajudar com a prevenção de certas doenças, além de melhorar a postura, a saúde dos ossos, a corrente sanguínea e deixar a pessoa mais feliz. O programa Presença & Harmonia, conversa com o médico e instrutor de Hatha Yoga, Guilherme Pozzolo, sobre a relação do Yoga com a saúde.
AMORCPlay
Cura para a solidão
Cura para a solidão A solidão é um dos mais opressivos testes que o Ser humano pode enfrentar, e uma das mais torturantes experiências. Podemos ter de passar por inúmeros outros sofrimentos: aflição e perdas, choque e dificuldades que sobre nós se abatem de uma ou de outra maneira. Não obstante, parece-nos que não temos uma fonte secreta de proteção contra a pungente desolação que chamamos de solidão. Solidão é aquela influência triste que passa sobre nós, deixando-nos desolados como se um vento árido nos tivesse ressequido. É aquela perda de contato com tudo que normalmente dá sentido à vida. É aquela cegueira da alma em que bradamos para as trevas exteriores, mas não recebemos nenhuma mensagem. Realmente, ela sobre nós se abate, mais cedo ou mais tarde. Ricos ou pobres, jovens ou velhos, alegres, brilhantes ou tristonhos com o desapontamento, todos nós teremos de sentir essas sombras; todos nós teremos de sentir o abandono que delas advém. Não obstante, não estamos abandonados, e se tivermos sido preparados de modo adequado seremos suficientemente fortes para esses embates com a solidão. Que significa estarmos suficientemente preparados? Significa que devemos estar preparados para saber que a solidão não é um estado mórbido ou doentio, mas uma condição que todos nós temos de enfrentar e podemos superar, um aspecto necessário da vida. A solidão e pessoas solitárias não são a mesma coisa. Conheci moradores de campo de mineração, de planícies e de desertos que só viam outras pessoas uma vez por mês; no entanto, eles se mostravam tão fortes e revigorados como o vento. Davam mostra de uma espécie particular de recuperação de forças. Haviam aprendido a viver sozinhos e isolados, a ser autênticos e a se valer dos recursos em seu interior. Somos, na verdade, “excepcional e maravilhosamente formados”. Para toda doença que nos ataque, temos um meio secreto de cura, se apenas nos dispusermos a usá-lo. Mas, qual a cura para a solidão? Reduz-se ela a sentar-nos para cogitar, para ruminar sobre a esterilidade do remorso e do desapontamento? É isto proteção contra a erosão lenta da solidão? E se não o é, então, qual a cura? A cura está em toda parte. Ela está na maneira de viver. Está em lutarmos contra influências desmoralizadoras, lançando-nos à vida; está em todos os olhos que fitamos; no abanar do rabo de todos os cães; na música sublime de todas as árvores; no canto alegre de todas as aves; no capim que brota entre as lajes; no riso de todas as crianças; na esperança. Quando uma pessoa está perturbada, acamada, ou arruinada de maneira espiritual ou material, a cura da solidão está na maneira de viver, de se tornar parte da vida, parte de toda a vida que brota ao seu redor. Nada deve tornar a alma aniquilada. Como tenho conhecimento dessas duras verdades? Delas tomei ciência por ter estado tão isolada que eu, também, tive de abrir caminho para retornar à luz. Técnicas de concentração, visualização, meditação e contemplação me foram tão importantes para vencer a inércia instalada que sugiro a todos que desenvolvam estas práticas.
A Arte da Criação Mental
A Arte da Criação Mental A criação humana é a combinação de um certo número de elementos, ideias e substâncias para formar uma realidade diferente. Imaginemos uma sala cheia de várias peças de mobília. A localização desses objetos constitui um padrão ou arranjo dos mesmos. Suponhamos que temos de passar por outra sala e que para abrir a porta temos de afastar alguns móveis. Com isto, o arranjo da mobília, ou o seu padrão, foi alterado. Toda mudança na relação entre as coisas deve necessariamente produzir alguma espécie de realidade, alguma forma ou nova aparência. Mas o ato criador tem como principal componente a determinação, portanto devemos perguntar: a ação inicial que provocou a mudança foi intencional? No exemplo da nossa sala, se distribuirmos a mobília de acordo com composições predefinidas para compor um ambiente agradável temos um ato criador. Assim, todo ato criador deve ter uma finalidade, ou, na linguagem filosófica, ser teleológico. Se a criação consiste em uma associação para compor alguma coisa nova ou de um novo arranjo, esse fim ou propósito deve ser potencial na mente. Algo que nunca tivesse existido não poderia ser percebido, pois a mente gera ideias em função das impressões recebidas através dos sentidos e, dessas ideias tira conclusões. Essas conclusões, em si mesmas, tornam-se outras ideias da reflexão, que se distinguem das ideias de sensação, ou seja, das coisas que podem ser vistas, sentidas ao tato ou ouvidas. As ideias constituem as unidades de construção do pensamento criador e como as ideias surgem a partir das nossas experiências, mesmo que sejamos dotados de excelente imaginação, precisamos ter experiências para que a mente possa com elas trabalhar, desenvolvendo-as. Assim, precisamos conhecer pessoas, visitar lugares diferentes, escutar os outros, ler e extrair conceitos diferentes dos nossos. Ao caminhar devemos ver com a mente, assim como com os olhos; não somente ver, mas compreender aquilo que vemos. Assim devemos também ouvir com a mente e compreender as palavras. Devemos refletir sobre todas as impressões que tivemos durante o dia, recordando as coisas importantes e reforçando a memória. No processo místico de criação mental, a mente é o agente ativo, mas não se limita a formar imagens, a conceber elementos, e sim emprega também os poderes psíquicos para receber e estabelecer as condições pelas quais a imagem pode ser materializada, passando a ter existência fora da mente. Suponhamos que desejamos progredir na empresa em que trabalhamos. Se já temos todas as condições intelectuais e técnicas para uma nova função, projetamos o eu para a imagem mental, não apenas nos vendo na posição que desejamos, mas sentindo-nos na mesma. A imagem precisa se tornar tão concreta quanto nós o somos. Sentimos todos os aspectos da posição que desejamos alcançar. Um pensamento claro, vívido e real torna-se um poder vitalizado na mente. Esse poder irradia-se para o espaço, ultrapassa os limites do indivíduo e afeta pessoas e coisas. Há uma afinidade ou ligação entre os elementos da imagem mental e daquilo que queremos materializar. A mente não imagina essa afinidade ou esse nexo, mas pelo processo místico da criação mental ela cria essa ligação. Gradativamente, harmonizamo-nos com as coisas que se relacionam com a nossa imagem mental e começamos a atrair para nós elementos, fatores e circunstâncias necessárias à consecução do nosso desejo. Às vezes, poderá parecer que forças exteriores a nós estão realizando a criação, vale lembrar o conhecido clichê: “O Universo conspira a favor…”. Mas o êxito da visualização não se deve a algo mágico. Quem se concentra apropriadamente sobre a imagem visual que criou em sua mente, está trazendo os processos criativos do seu Eu Interior para reforçar e ajudar a trazer as condições visualizadas a um estado de atualidade. Assim, para que o processo criativo realmente se manifeste, é necessário observar as seguintes regras ou leis: Processo Pratique a visualização em estado de relaxamento e em harmonia com o Cósmico. As imagens mentais da sua visualização não devem conter nenhum aspecto ou motivo egoísta, destrutivo etc. Visualize o resultado final daquilo que deseja alcançar e não os passos intermediários. A visualização deve estar carregada de emoção. Coloque sons, cores, aromas e viva a imagem como uma realidade em sua mente. Não imponha a solução ao Cósmico. Na visualização não estabeleça como a situação será solucionada. Apenas veja o problema resolvido. Tenha absoluta confiança de que a solução chegará por alguma via ou meio. Compreenda que recebemos de acordo com os nossos merecimentos, segundo a Lei do Carma. Nem tudo o que pedimos ou desejamos se cumprirá. A visualização deve passar do nosso plano subconsciente ao plano Cósmico. Para isto, uma vez realizado o quadro mental, inale profundamente, exale e se solte a imagem, enquanto afirma: “Se é da vontade do Cósmico, está feito!”. Depois de fazer a visualização, aja conforme a lei do triângulo: ponto 1 – visualização; ponto 2 – ação; ponto 3 – resultado. Frequência da Visualização: primeira semana – uma vez todos os dias. Segunda semana – segunda, quarta e sexta-feira. Terceira semana – uma única vez. Depois, desligue. Uma vez feita a visualização apropriada, trabalhe e atue de acordo com o objetivo que quer alcançar, com a confiança de que agindo corretamente sua vida será plena de êxitos e harmonia.
A Palavra Perdida
A Palavra Perdida A lenda da Palavra Perdida, ou seja, de uma chave da Criação pela qual toda a realidade teria sido posta em movimento, remonta a milhares de anos. Parte dessa lenda é alegórica e parte é devida a uma concepção primitiva do poder da palavra falada, com uma energia motivadora dos seres humanos de modo que um poder semelhante é atribuído à causa primeira, ou Divindade. A primeira referência a uma causa teleológica ou mental da Criação e à sua relação para com a Palavra Perdida remonta ao período menfítico do Egito, mais ou menos no ano 4000 a.C. O deus menfítico era Ptah. Encabeçava ele um panteão de deuses menores. A princípio, os sacerdotes das Escolas de Mistérios de Mênfis proclamaram que Ptah era o deus protetor dos artesãos e artistas do Egito. Séculos depois, desenvolveram uma concepção metafísica mais profunda quanto a ele. Tornaram-no o artífice, o criador do universo. Em suas doutrinas, os sacerdotes declararam então que Ptah criara o universo por meio do pensamento. Mais explicitamente, o pensamento, as ideias de Ptah, foram transformadas numa palavra por ele pronunciada, de modo que, através dessa palavra, seu pensamento foi concretizado, ou seja, tornou-se realidade. Segue-se uma citação de uma antiga inscrição feita pelos sacerdotes de Ptah: “Assim foi que o coração e a língua adquiriram poder sobre todo membro, ensinando que ele (Ptah) estava (sob a forma do coração) no coração e (sob a forma da língua) na boca de todos os deuses, os homens, os gados, os répteis, todos os seres vivos, ao mesmo tempo em que ele (Ptah) pensa e ordena tudo aquilo que deseja. A boca de Ptah, que pronunciou os nomes de todas as coisas…” Informam os egiptólogos que os egípcios antigos usavam a palavra coração no sentido de mente ou inteligência. Por outro lado, a referência à língua diz respeito à palavra falada – à imperiosa palavra pela qual todos os pensamentos foram concretizados, tornando-se realidade. Podemos presumir que, em algum ponto desses antigos mistérios, havia sílabas, mantras e sons que teriam poderes universais especiais para a criação de coisas terrenas. Naturalmente, todos conhecemos a declaração da Bíblia, no Capítulo I de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus”. Terá sido esta declaração do Novo Testamento um eco das doutrinas dos sacerdotes de Ptah de séculos atrás? Agora, passamos a considerar a Cabala, a doutrina metafísica dos judeus. O livro Sepher Yezirah literalmente significa Livro da Criação, ou “cosmogonia”. Não se sabe quando o original desse livro foi escrito. Eruditos hebreus têm apontado diferentes períodos para sua origem. A época exata está perdida nas sombras da Antiguidade. Contudo, uma opinião mais ou menos generalizada sustenta que o livro surgiu aproximadamente no segundo ou terceiro século da era cristã. Ensina ele que a causa primeira, “eterna e onisciente, todo-poderosa, é a origem, o centro de todo o universo”. Todo o Ser emanou dessa primeira causa. Declara esse livro, ainda, que pensamento, palavra falada e ação constituem uma unidade inseparável no Ser Divino. O idioma hebraico, com seus caracteres, no mais das vezes corresponde às coisas que designa; assim, “pensamentos sagrados, idioma hebraico e sua conversão à escrita formam uma unidade que produz um efeito criativo”. Mais simplesmente, as letras desse idioma, quer escritas ou pronunciadas, são elementos de uma energia potencial que produz aquilo que elas representam. Conforme se pensava, não eram símbolos, como em outros idiomas, e sim unidades constituintes de uma energia cósmica ou divina. É frequentemente observado por teólogos judeus e cristãos que o sistema Gnóstico Marcionita, bem como o dos Clementinos do segundo século, contém muitos paralelos e pontos de semelhança com o livro Sepher Yezirah. Citemos alguns exemplos do Yezirah. No Capítulo I, Seção 8, lê-se o seguinte: “O espírito do Deus vivente, louvado e glorificado pelo nome Daquele que vive por toda a eternidade. A pronúncia da palavra de poder criador, o espírito e a palavra constituem o que chamamos de Espírito Santo”. E, no Capítulo II, Seção 6: “Do nada criou Ele uma realidade, fez surgirem as coisas inexistentes e energicamente esculpiu, por assim dizer, do ar intangível, colossais pilares… Previamente concebeu e pela fala criou toda criatura e toda palavra, através de um só nome. Como exemplo podem servir as vinte e duas substâncias elementares produzidas pela substância original de Aleph”. Aos mantras hindus, que consistem de combinações de entoações vocálicas, são atribuídos poderes específicos para afetar as emoções humanas e estimular os centros psíquicos, e até certo valor terapêutico. Naturalmente, como rosacruzes, sabemos que as vibrações da voz humana, em determinadas combinações de vogais, podem induzir, no homem, condições psíquicas de natureza estimulante ou calmante. Na maioria das culturas primitivas os deuses eram tidos como antropomórficos. Portanto, eram concebidos como dotados de qualidades humanas. Se os deuses criavam, deviam usar funções e atributos semelhantes aos do homem. Em outras palavras, deveriam eles pensar e planejar; porém, como haveriam de concretizar suas ideias? Qual seria o estímulo – a motivação por trás da ideia, capaz de torná-la real? Em termos simples, como iriam os pensamentos transformar-se em coisas? O comando vocal tem poder; a voz pode ser ouvida, sentida e pode levar as pessoas a agir e a produzir coisas materiais em conformidade com a ideia por trás da palavra pronunciada. Por conseguinte, era fácil presumir que os deuses, ao criar, faziam o mesmo; que sua voz era o meio para converter uma ideia numa coisa concreta. Nas tradições das várias culturas, acreditava-se num fiat, numa Palavra dotada de poder vibratório suficiente para que tivesse originalmente produzido o Cosmos. Sustentava-se, ainda, que essa palavra fora conhecida da humanidade, mas que, de algum modo, com as vicissitudes dos tempos e a degradação da espécie humana, tornara-se perdida. Misticamente, de fato existem palavras que quando pronunciadas são muito benéficas ao serem ouvidas como sons. O homem primitivo aprendeu o valor desses sons em suas exclamações e seus gritos de dor, prazer, surpresa, ódio



