A Ordem Rosacruz, AMORC, é uma organização internacional, de caráter cultural, fraternal, não-sectário e não-dogmático, de homens e mulheres dedicados ao estudo e aplicação prática das leis naturais que regem o universo e a vida. Seu objetivo é promover a evolução da humanidade através do desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo e propiciar uma vida mais harmoniosa para alcançar saúde, felicidade e paz. Para esse objetivo, a Ordem Rosacruz oferece um sistema eficaz e comprovado de instrução e orientação para o autoconhecimento e a compreensão dos processos que determinam a mais alta realização humana. Essa profunda e prática sabedoria, cuidadosamente preservada e desenvolvida pelas Escolas de Mistérios esotéricos está à disposição de toda pessoa sincera, de mente aberta e motivação positiva e construtiva.
A Arte da Criação Mental
A Arte da Criação Mental A criação humana é a combinação de um certo número de elementos, ideias e substâncias para formar uma realidade diferente. Imaginemos uma sala cheia de várias peças de mobília. A localização desses objetos constitui um padrão ou arranjo dos mesmos. Suponhamos que temos de passar por outra sala e que para abrir a porta temos de afastar alguns móveis. Com isto, o arranjo da mobília, ou o seu padrão, foi alterado. Toda mudança na relação entre as coisas deve necessariamente produzir alguma espécie de realidade, alguma forma ou nova aparência. Mas o ato criador tem como principal componente a determinação, portanto devemos perguntar: a ação inicial que provocou a mudança foi intencional? No exemplo da nossa sala, se distribuirmos a mobília de acordo com composições predefinidas para compor um ambiente agradável temos um ato criador. Assim, todo ato criador deve ter uma finalidade, ou, na linguagem filosófica, ser teleológico. Se a criação consiste em uma associação para compor alguma coisa nova ou de um novo arranjo, esse fim ou propósito deve ser potencial na mente. Algo que nunca tivesse existido não poderia ser percebido, pois a mente gera ideias em função das impressões recebidas através dos sentidos e, dessas ideias tira conclusões. Essas conclusões, em si mesmas, tornam-se outras ideias da reflexão, que se distinguem das ideias de sensação, ou seja, das coisas que podem ser vistas, sentidas ao tato ou ouvidas. As ideias constituem as unidades de construção do pensamento criador e como as ideias surgem a partir das nossas experiências, mesmo que sejamos dotados de excelente imaginação, precisamos ter experiências para que a mente possa com elas trabalhar, desenvolvendo-as. Assim, precisamos conhecer pessoas, visitar lugares diferentes, escutar os outros, ler e extrair conceitos diferentes dos nossos. Ao caminhar devemos ver com a mente, assim como com os olhos; não somente ver, mas compreender aquilo que vemos. Assim devemos também ouvir com a mente e compreender as palavras. Devemos refletir sobre todas as impressões que tivemos durante o dia, recordando as coisas importantes e reforçando a memória. No processo místico de criação mental, a mente é o agente ativo, mas não se limita a formar imagens, a conceber elementos, e sim emprega também os poderes psíquicos para receber e estabelecer as condições pelas quais a imagem pode ser materializada, passando a ter existência fora da mente. Suponhamos que desejamos progredir na empresa em que trabalhamos. Se já temos todas as condições intelectuais e técnicas para uma nova função, projetamos o eu para a imagem mental, não apenas nos vendo na posição que desejamos, mas sentindo-nos na mesma. A imagem precisa se tornar tão concreta quanto nós o somos. Sentimos todos os aspectos da posição que desejamos alcançar. Um pensamento claro, vívido e real torna-se um poder vitalizado na mente. Esse poder irradia-se para o espaço, ultrapassa os limites do indivíduo e afeta pessoas e coisas. Há uma afinidade ou ligação entre os elementos da imagem mental e daquilo que queremos materializar. A mente não imagina essa afinidade ou esse nexo, mas pelo processo místico da criação mental ela cria essa ligação. Gradativamente, harmonizamo-nos com as coisas que se relacionam com a nossa imagem mental e começamos a atrair para nós elementos, fatores e circunstâncias necessárias à consecução do nosso desejo. Às vezes, poderá parecer que forças exteriores a nós estão realizando a criação, vale lembrar o conhecido clichê: “O Universo conspira a favor…”. Mas o êxito da visualização não se deve a algo mágico. Quem se concentra apropriadamente sobre a imagem visual que criou em sua mente, está trazendo os processos criativos do seu Eu Interior para reforçar e ajudar a trazer as condições visualizadas a um estado de atualidade. Assim, para que o processo criativo realmente se manifeste, é necessário observar as seguintes regras ou leis: Processo Pratique a visualização em estado de relaxamento e em harmonia com o Cósmico. As imagens mentais da sua visualização não devem conter nenhum aspecto ou motivo egoísta, destrutivo etc. Visualize o resultado final daquilo que deseja alcançar e não os passos intermediários. A visualização deve estar carregada de emoção. Coloque sons, cores, aromas e viva a imagem como uma realidade em sua mente. Não imponha a solução ao Cósmico. Na visualização não estabeleça como a situação será solucionada. Apenas veja o problema resolvido. Tenha absoluta confiança de que a solução chegará por alguma via ou meio. Compreenda que recebemos de acordo com os nossos merecimentos, segundo a Lei do Carma. Nem tudo o que pedimos ou desejamos se cumprirá. A visualização deve passar do nosso plano subconsciente ao plano Cósmico. Para isto, uma vez realizado o quadro mental, inale profundamente, exale e se solte a imagem, enquanto afirma: “Se é da vontade do Cósmico, está feito!”. Depois de fazer a visualização, aja conforme a lei do triângulo: ponto 1 – visualização; ponto 2 – ação; ponto 3 – resultado. Frequência da Visualização: primeira semana – uma vez todos os dias. Segunda semana – segunda, quarta e sexta-feira. Terceira semana – uma única vez. Depois, desligue. Uma vez feita a visualização apropriada, trabalhe e atue de acordo com o objetivo que quer alcançar, com a confiança de que agindo corretamente sua vida será plena de êxitos e harmonia.
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A Palavra Perdida
A Palavra Perdida A lenda da Palavra Perdida, ou seja, de uma chave da Criação pela qual toda a realidade teria sido posta em movimento, remonta a milhares de anos. Parte dessa lenda é alegórica e parte é devida a uma concepção primitiva do poder da palavra falada, com uma energia motivadora dos seres humanos de modo que um poder semelhante é atribuído à causa primeira, ou Divindade. A primeira referência a uma causa teleológica ou mental da Criação e à sua relação para com a Palavra Perdida remonta ao período menfítico do Egito, mais ou menos no ano 4000 a.C. O deus menfítico era Ptah. Encabeçava ele um panteão de deuses menores. A princípio, os sacerdotes das Escolas de Mistérios de Mênfis proclamaram que Ptah era o deus protetor dos artesãos e artistas do Egito. Séculos depois, desenvolveram uma concepção metafísica mais profunda quanto a ele. Tornaram-no o artífice, o criador do universo. Em suas doutrinas, os sacerdotes declararam então que Ptah criara o universo por meio do pensamento. Mais explicitamente, o pensamento, as ideias de Ptah, foram transformadas numa palavra por ele pronunciada, de modo que, através dessa palavra, seu pensamento foi concretizado, ou seja, tornou-se realidade. Segue-se uma citação de uma antiga inscrição feita pelos sacerdotes de Ptah: “Assim foi que o coração e a língua adquiriram poder sobre todo membro, ensinando que ele (Ptah) estava (sob a forma do coração) no coração e (sob a forma da língua) na boca de todos os deuses, os homens, os gados, os répteis, todos os seres vivos, ao mesmo tempo em que ele (Ptah) pensa e ordena tudo aquilo que deseja. A boca de Ptah, que pronunciou os nomes de todas as coisas…” Informam os egiptólogos que os egípcios antigos usavam a palavra coração no sentido de mente ou inteligência. Por outro lado, a referência à língua diz respeito à palavra falada – à imperiosa palavra pela qual todos os pensamentos foram concretizados, tornando-se realidade. Podemos presumir que, em algum ponto desses antigos mistérios, havia sílabas, mantras e sons que teriam poderes universais especiais para a criação de coisas terrenas. Naturalmente, todos conhecemos a declaração da Bíblia, no Capítulo I de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus”. Terá sido esta declaração do Novo Testamento um eco das doutrinas dos sacerdotes de Ptah de séculos atrás? Agora, passamos a considerar a Cabala, a doutrina metafísica dos judeus. O livro Sepher Yezirah literalmente significa Livro da Criação, ou “cosmogonia”. Não se sabe quando o original desse livro foi escrito. Eruditos hebreus têm apontado diferentes períodos para sua origem. A época exata está perdida nas sombras da Antiguidade. Contudo, uma opinião mais ou menos generalizada sustenta que o livro surgiu aproximadamente no segundo ou terceiro século da era cristã. Ensina ele que a causa primeira, “eterna e onisciente, todo-poderosa, é a origem, o centro de todo o universo”. Todo o Ser emanou dessa primeira causa. Declara esse livro, ainda, que pensamento, palavra falada e ação constituem uma unidade inseparável no Ser Divino. O idioma hebraico, com seus caracteres, no mais das vezes corresponde às coisas que designa; assim, “pensamentos sagrados, idioma hebraico e sua conversão à escrita formam uma unidade que produz um efeito criativo”. Mais simplesmente, as letras desse idioma, quer escritas ou pronunciadas, são elementos de uma energia potencial que produz aquilo que elas representam. Conforme se pensava, não eram símbolos, como em outros idiomas, e sim unidades constituintes de uma energia cósmica ou divina. É frequentemente observado por teólogos judeus e cristãos que o sistema Gnóstico Marcionita, bem como o dos Clementinos do segundo século, contém muitos paralelos e pontos de semelhança com o livro Sepher Yezirah. Citemos alguns exemplos do Yezirah. No Capítulo I, Seção 8, lê-se o seguinte: “O espírito do Deus vivente, louvado e glorificado pelo nome Daquele que vive por toda a eternidade. A pronúncia da palavra de poder criador, o espírito e a palavra constituem o que chamamos de Espírito Santo”. E, no Capítulo II, Seção 6: “Do nada criou Ele uma realidade, fez surgirem as coisas inexistentes e energicamente esculpiu, por assim dizer, do ar intangível, colossais pilares… Previamente concebeu e pela fala criou toda criatura e toda palavra, através de um só nome. Como exemplo podem servir as vinte e duas substâncias elementares produzidas pela substância original de Aleph”. Aos mantras hindus, que consistem de combinações de entoações vocálicas, são atribuídos poderes específicos para afetar as emoções humanas e estimular os centros psíquicos, e até certo valor terapêutico. Naturalmente, como rosacruzes, sabemos que as vibrações da voz humana, em determinadas combinações de vogais, podem induzir, no homem, condições psíquicas de natureza estimulante ou calmante. Na maioria das culturas primitivas os deuses eram tidos como antropomórficos. Portanto, eram concebidos como dotados de qualidades humanas. Se os deuses criavam, deviam usar funções e atributos semelhantes aos do homem. Em outras palavras, deveriam eles pensar e planejar; porém, como haveriam de concretizar suas ideias? Qual seria o estímulo – a motivação por trás da ideia, capaz de torná-la real? Em termos simples, como iriam os pensamentos transformar-se em coisas? O comando vocal tem poder; a voz pode ser ouvida, sentida e pode levar as pessoas a agir e a produzir coisas materiais em conformidade com a ideia por trás da palavra pronunciada. Por conseguinte, era fácil presumir que os deuses, ao criar, faziam o mesmo; que sua voz era o meio para converter uma ideia numa coisa concreta. Nas tradições das várias culturas, acreditava-se num fiat, numa Palavra dotada de poder vibratório suficiente para que tivesse originalmente produzido o Cosmos. Sustentava-se, ainda, que essa palavra fora conhecida da humanidade, mas que, de algum modo, com as vicissitudes dos tempos e a degradação da espécie humana, tornara-se perdida. Misticamente, de fato existem palavras que quando pronunciadas são muito benéficas ao serem ouvidas como sons. O homem primitivo aprendeu o valor desses sons em suas exclamações e seus gritos de dor, prazer, surpresa, ódio
Os pensamentos têm asas
Os pensamentos têm asas “Os pensamentos têm asas. Podem alcançar as regiões mais distantes da Terra. Os primeiros raios do Sol prenunciam o glorioso alvorecer. Uma nuvenzinha não muito maior que a mão de um homem pode se converter numa chuva refrescante. Uma pequena comunidade de Luz e Amor pode inspirar o mundo. Não estamos sós. Há grupos de pessoas no mundo inteiro que nutrem este mesmo sonho; que procuram o caminho para Deus; e que são filhos da Luz e do Amor. Se pensarmos nos obstáculos e dificuldades, desanimaremos. Não devemos, pois, dar atenção às hostes que marcham contra nós. Mantenhamos com firmeza nosso olhar fixo na Luz Divina. Cumpramos a tarefa que esteja mais ao nosso alcance. Abriguemos o pensamento de amor. Propaguemos nosso amor ao máximo que pudermos. Raça, cor, credo ou religião não devem existir para nós. Ensinemos através de nossas convicções e nosso exemplo. Deixemos a beleza iluminar nossa vida de todas as formas possíveis. Aprendamos a grande lição de servir resignadamente a um grande ideal, mesmo que os resultados não sejam aparentemente imediatos. Onde as sementes divinas são semeadas, os resultados são inevitáveis. DEUS NÃO PODE FALHAR.” Fonte: Livro “A Luz que Vem do Leste”Dr. H. Spencer Lewis (Imperator)
O Colégio da Fraternidade
Muitos dos leitores já ouviram falar de um ilustrador britânico, William Heath-Robinson (1872-1944), que desenhava projetos de máquinas inacreditáveis com eixos, rodas, botões e alavancas e de outras que pressupostamente fariam limpeza e muitas outras tarefas. A ilustração aqui apresentada poderia ser tomada como sendo uma das invenções de Heath-Robinson. Ela aparece com o título Colégio da Fraternidade numa publicação de Daniel Mogling, também chamado Theophilias Schweighart, intitulada Speculum Sophicum Rhodo-stauroticum. Ela foi desenhada, e talvez mesmo publicada, por volta de 1604, dez anos antes do Fama Fraternitatis, normalmente considerado como o primeiro livro anunciador da presença dos Rosacruzes. Este manifesto também é citado como a primeira publicação indubitavelmente rosacruz. Todavia, ele não surgiu subitamente do nada. As ideias que nele encontramos são fundadas em bases sólidas. Os escritos de Mogling mostram claramente sua convicção rosacruz. Além de seus escritos, encontramos indícios visuais suficientes e evidentes em nossa ilustração para mostrar seus laços com o Rosacrucianismo. Trata-se em particular da rosa e da cruz que se encontram dos lados da porta desse castelo móvel. Schweighart aconselha aqueles que buscam a senda rosacruz dizendo que sejam pacientes e que perseverem, como as pombas de Noé, que vemos alçando voo da arca, à esquerda no fundo da imagem, e que coloquem suas esperanças em Deus e em suas preces. Para começar, vejamos o simbolismo do castelo, antes de nos dedicarmos a certos elementos que o rodeiam nessa ilustração. Os castelos são o símbolo quase universal do refúgio interior – de um local onde a alma se comunica intimamente com Deus, com o Absoluto ou, segundo os rosacruzes, com o Cósmico. Ao lado de seus túmulos piramidais, os faraós ordenavam a construção de templos funerários a que chamavam de “palácios para milhões de anos”. Assim como os túmulos reais, eles eram destinados a durar eternamente, a fim de ligar o destino da obra humana à dos Deuses. Nestes “palácios”, os pais do rei finado podiam cultuá-lo e comemorar eternamente sua existência, comungando com todos os deuses necessários e fazendo-lhes oferendas. Nos salmos da Bíblia, um castelo, ou cidade fortificada, é utilizado como metáfora da própria Divindade. Isso leva a metáfora a outro plano. Ao invés de ser simplesmente um lugar onde é possível comungar com a Divindade, o castelo torna-se efetivamente o próprio Deus. O Mestre Eckhart diz, em um de seus sermões: “Existe na alma um castelo no qual nem o próprio olhar de Deus pode penetrar”. E ele prossegue explicando que isto se deve ao fato de que se trata do castelo de pura Unidade. Nos pensamentos judaico e cristão, e ainda em outros mais, o castelo representava a calma imóvel no cerne da natureza humana. No tratado taoísta O Mistério da Flor de Ouro, é dito que devemos fortificar e defender o Castelo Primitivo que é a casa de Hsing, ou seja, do Espírito. Os castelos são habitualmente construídos como lugares fortificados no cume de colinas, onde eram mais eficientemente protegidos. Assim como as casas, eles evocam um sentimento muito forte de proteção e de segurança. No entanto, seu posicionamento os torna isolados e longínquos, o que, dada a sua inacessibilidade, os torna ainda mais atraentes. De fato, parece que uma parte da natureza humana consiste em desejar aquilo que é inatingível. Nas pinturas, a Jerusalém Celeste é representada como um castelo com torres e ameias localizado no alto de um pico de uma montanha. Ainda que de difícil acesso, uma vez tendo-o alcançado, o peregrino lá encontra segurança e proteção. O Rosacrucianismo, simbolizado pelo colégio fraternal, ensina, entre outras coisas, como entrar em comunhão com as influências cósmicas. Essa parte interior de si, a qual é acessada durante a meditação e a contemplação e que conduz à comunhão com o Cósmico, também é remota e de difícil acesso. Porém, uma vez alcançada, todas as contingências exteriores se desvanecem e pode-se então repousar conscientemente na proteção do Cósmico até o retorno ao estado que precedia a meditação. Na ilustração de Schweighart, observamos que esse castelo tem certos laços com a Divindade. A palavra hebraica “Yahweh”, ou “Ieschouah”, está inscrita no céu, indicada como o Leste, acima de nosso castelo, assim como os escudos dos quatro defensores posicionados em cada uma das ameias dos quatro ângulos. Fato notável é que esses defensores não estão armados com espadas, mas com folhas de palma, que lembram a entrada do Cristo em Jerusalém, anunciada pelas mesmas palmas. Simbolicamente, somos levados a compreender que a existência provém do Cósmico e que esse dom é tão importante para cada um individualmente quando foi a entrada de Jesus na Cidade Santa para a população cristã. A Cidade Modelo, símbolo dos ideais utópicos, pode ser percebida pelas janelas do castelo, onde um irmão procura no globo o lugar de sua última existência humana. Um braço que se projeta de um dos ângulos com uma espada na mão indica que toda luta para atingir a realização não se produz pela entrada no castelo. Quando se progride na Senda, devesse estar sempre em guarda, a fim de se evitar certas emboscadas. Ainda que essas armadilhas não sejam numeradas, é claro que deve haver um elo com um “poço de falsa opinião”, pois a espada o domina. Como é muito difícil ser sincero para consigo mesmo e para com seus próprios ideais, é provavelmente isto que é sugerido aqui. A inspiração cósmica brilha sobre um peregrino, no canto inferior direito da ilustração. Sua espada e seu chapéu repousam no solo, próximos à bolsa contendo seusparamentos e seus sapatos. As inscrições em latim indicam que ele declara ser ignorante mas que roga ao Pai que o ilumine. Mas por que ele traz uma âncora nas mãos, já que não tem nenhum barco ou uma grande extensão d’água em vista? A âncora, último recurso dos marinheiros num mar revolto, tornou-se mais ou menos o símbolo da esperança. Como ela segura o barco, indica a firmeza e a fé infalível. Ela simboliza a ideia de que é possível pôr fim a uma vida muito turbulenta ancorando-se firmemente na fonte
Diálogo imaginário com Sócrates
Sr. Sócrates, filósofo ateniense, fale-nos sobre o seu nascimento… Nasci em Alopeke, subúrbio de Atenas, na Grécia, por volta de 470-469 antes de Cristo. E seus pais? Meu pai chamava-se Sofronisco, era escultor e trabalhou com Fídias, decorador de edifícios em Atenas. A minha mãe chamava-se Fenarete, reconhecida por ser hábil parteira da cidade. A nossa casa situava-se num distrito sossegado e confortável, tínhamos uma horta com muitas árvores frutíferas e muitas oliveiras. Tínhamos como vizinhos Aristides, Tucídides e Críton, que foi um grande amigo. Como eram os tempos antigos da sua Grécia? Quando nasci, Atenas se tornava uma potência política, econômica e militar. Tempos de ouro para os gregos; Em pouco tempo, várias personalidades marcaram a história da humanidade no campo das artes, da filosofia, da oratória, da política e das ciências naturais. Sócrates, como foi a sua juventude? Minha família tinha modestos recursos, mas recebi boa educação, me relacionei com notáveis inteligências da época, frequentei o Liceu onde se cultivava o físico e o intelectual. Frequentei a escola de música de Cosmos, para me aperfeiçoar no bailado e na cítara. Do que gostava nessa época? Tinha muitos amigos, mas minha beleza física não era das melhores… familiarizei-me com os antigos filósofos, Anaxágoras… apreciava andar sempre descalço e amava conversar a respeito dos problemas cosmológicos… E Xantipa? Minha esposa… casamos quando eu tinha 56 anos, já gordo e corpulento. Era um bonachão… e Xantipa uma garota ateniense aristocrática, de 20 anos de idade, alta e magra. No dia do nosso casamento não encontramos um carro puxado a bois. Seguimos a pé com um cortejo reduzido… Amo Xantipa, apesar dos nossos temperamentos diferentes. Tivemos três filhos: Lamprocles, Sofronisco e Menexeno. No dia em que recebi a sentença de condenação… Xantipa chorava muito e então lhe disse: – Por que choras por teu marido ser condenado injustamente? Deverias chorar se fosse condenado justamente! Sr. Sócrates, ocorre-lhe a lembrança de algum fato inusitado ou muito importante que influenciou nas suas escolhas? Sim. Por volta dos 38 anos de idade passei por uma crise interior… Certo dia fui visitar o templo de Apolo, em Delfos, onde estava escrito a máxima: “Conhece-te a ti mesmo”… E… A partir daí centrei meu pensamento e pesquisas no homem e não mais no cosmo. Por quê? O conhecimento de si mesmo e a dúvida, o questionamento, preparam-nos para o nosso encontro maior, no qual encontramos o caos doloroso ou a felicidade… O Senhor Criou a Teodicéia – a descoberta de Deus pela razão? Sim. O diálogo é o meu método. Possui três fases: a ironia, a maiêutica e a indução. Na ironia levo meus interlocutores através de perguntas a conhecerem-se mais… Na maiêutica procuro extrair as verdades… e na indução buscamos a essência universal contida no particular… O senhor percebe ainda hoje, em nossos tempos modernos, a influência das suas pesquisas e descobertas? Talvez no Direito, na Filosofia, na Psicanálise, na Psicologia, na Psiquiatria, nos livres pensadores… Outros? Sr. Sócrates, desejaria dizer mais alguma coisa? Neste momento recordo de meus pais… Sofronisco, escultor de estátuas… eu de pensamentos… Fenarete, parteira, da arte da obstetrícia… eu procuro sempre não dar minha opinião sobre qualquer assunto, não tenho a autoridade, tampouco a verdade… como a parteira ajudo, mas é você quem deve dar à luz os seus desejos… *O Frater Ademir Vieira dos Santos é Psicólogo. Referência: Brazil, Stella Telles Vital – A Divina Filosofia Grega, Curitiba, AMORC, 1989; Claret, Martin – O Pensamento Vivo de Sócrates, São Paulo.
Uma pequena história
A natureza tem escrito, em todas as épocas, as mais importantes histórias misteriosas, deixando ao Homem a descoberta desses enigmas. Assim, ocultou o mistério do renascimento na vida da pequena e humilde lagarta. Embora possamos pesquisar as estrelas e galáxias, com todos os meios de que a ciência dispõe, acabaremos por verificar que as maiores leis místicas e princípios cósmicos se ocultam em pequenas coisas e seres, como no caso da lagarta, em nosso quintal. Em seu corpo há um poder, um fenômeno de explicação impossível pelo homem comum: o poder do renascimento, ou, mais concretamente, a metamorfose de uma lagarta rastejante em borboleta colorida e alada. As ações e reações básicas da lagarta não são muito diferentes das do homem comum: ela nasce, vive em seu pequeno mundo, sente fome, calor e frio, manifesta medo e procura alimento, sol e segurança, como todos nós.Imagine-se por um momento no mundo estreito da pequena lagarta: ela só tem consciência de suas próprias necessidades físicas, de seu bem-estar ou mal-estar. Seu alcance visual vai a poucos centímetros, seu mundo é terra, pedras e folhagem. Seus sentidos a impelem na direção daquilo que é seu alimento, seu único impulso para saciar um apetite incontrolável. Para ela, sua consciência se limita a essa existência; nada mais existe. Se nós pudéssemos nos comunicar com ela e dizer que em breve ela criaria asas e poderia voar num grande mundo colorido de luz e lindas flores, um paraíso que jamais poderia sonhar, em contraste com a terra onde se arrasta, liberta do chão raso para esvoaçar feliz em outro horizonte, a lagarta não poderia acreditar, e diria que estaríamos loucos. Esta seria também a observação que faria a maioria das pessoas, preocupadas somente com sua existência física e totalmente alheias à magnífica transformação que a natureza, sábia e Cósmica, planejou para todos: a expansão da Consciência, a continuidade da vida e a imortalidade da alma. Se o homem meditar por alguns momentos sobre sua própria escala de consciência, ficará surpreso com o paralelo entre sua vida e a da lagarta. Do mesmo modo que a lagarta não vê além das ervas, em seu pequeno universo, o Homem pode limitar sua visão à existência física cotidiana, incapaz de ver além de seu estreito horizonte mental. Existe uma outra dimensão cósmica, onde poderá receber as asas de uma consciência nova que nem sonha existir. Separadas apenas pelo fenômeno que teve lugar na crisálida, lagarta e borboleta são uma só. Não houve morte, apenas transição, e isto é a manifestação de uma grande Lei. Nossa Consciência também pode ser despertada e libertar-se das limitações.
Soror Maria A Moura
09Soror Maria Moura, Primeira Grande Mestre da AMORC no Brasil. A primeira sede foi instalada no Rio de Janeiro, no edifício histórico “A Noite”, logo após o seu registro oficial. Um ano depois, houve a mudança para uma casa no bairro Rocha, no Rio de Janeiro, onde permaneceu de 1958 a 1960. Na pilastra do muro, conforme vemos em fotografia, houve a instalação de uma placa de bronze, indicando a nova sede. Esta placa pode ser admirada pelos visitantes e comunidade rosacruz ainda hoje, na exposição “Rosa+Cruz: A trajetória do buscador” em cartaz no Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon. Em 1960, a sede da Grande Loja passaria para Curitiba, onde a construção de uma área administrativa e o Grande Templo começaram a tomar forma no bairro Bacacheri. Os dois edifícios, unidos pelo “Portal de Akhenaton” formaram o grande hieróglifo Akhet que quer dizer, na língua egípcia antiga, Horizonte. Foi na década de 1970 que houve o início da expansão para outros países que falam o português, Angola e Portugal, trazendo a atual nomenclatura de nossa Grande Loja de Língua Portuguesa (AMORC-GLP). Ao lembrar dessa história, percebe-se o caminho e os desafios que a comunidade rosacruz daquela época enfrentaram e que hoje nos servem não apenas de legado, mas como uma grande lição e incentivo para a continuidade dos trabalhos e serviços prestados por cada membro da AMORC-GLP nos dias de hoje.






