Serge Toussaint – F.R.C. 1) Deus é a Inteligência Universal que pensou, manifestou e animou a Criação segundo Leis imutáveis e perfeitas. 2) Toda a Criação está impregnada de uma Alma Universal que evolui para a perfeição de sua própria natureza. 3) A vida é o suporte da evolução cósmica, tal com se manifesta no universo e na Terra. 4) A matéria deve sua existência a uma energia vibratória que se propaga por todo o universo e de que o átomo está impregnado. 5) O tempo e o espaço só existem para a consciência humana e não têm realidade material fora dela. 6) O ser humano é dual em sua natureza e trino em sua manifestação. 7) A alma encarna no corpo da criança no momento em que ela inspira pela primeira vez, tornando-a um ser vivo e consciente. 8) O destino de cada ser humano é determinado pela maneira como ele aplica o seu livre arbítrio e pelo karma que disso resulta. 9) A morte ocorre no momento em que o ser humano faz sua última exalação e se traduz na separação definitiva entre o corpo e a alma. 10) A evolução espiritual do ser humano é regida pela reencarnação e tem por objetivo final que ele alcance a perfeição. 11) Há um reino supra-humano composto de todas as almas desencarnadas que povoam os planos invisíveis da Criação. 12) No final de sua evolução espiritual o ser humano alcança o estado de Mestre Cósmico e se torna um agente da Divindade.
A Beleza Universal
Christian Bernard – Imperator Emérito da AMORC O adágio “Se você quer ser belo, detenha-se por um minuto diante do seu espelho, cinco diante da sua alma e quinze diante do seu Deus” resume bem um dos objetivos a que todo ser humano deveria buscar. Pagar tributo à Beleza divina deveria ser nosso objetivo prioritário, e ele não pode ser alcançado a menos que nós mesmos nos tornemos belos. Quando falo em Beleza, naturalmente não me refiro à estética corporal à qual alguns atribuem demasiada importância e que, infelizmente, tornou-se, em nossa época, um culto ridículo e mesmo perigoso. Penso sobretudo na beleza de nosso santuário interior, a qual, independentemente do aspecto exterior do templo no qual se encontre, pode irradiar-se a todo momento sob a forma de um magnetismo que nada nem ninguém pode alterar ou diminuir. Neste sentido, a feiúra não deve ser considerada como uma ausência de beleza física, mas como a expressão de uma grande falta de espiritualidade. O que confere beleza à garrafa, à parte a pureza de sua forma e a qualidade de seu vidro, é antes de tudo o grau de luminosidade que ela é capaz de refletir. O mesmo se aplica ao ser humano. Pelo tempo em que ele esconder sua luz interior, permanecerá prisioneiro de seu corpo e, no melhor dos casos, não poderá manifestar senão a aparência daquilo que lhe parece belo. Somente o misticismo pode nos dar o poder de desvelar nossa espiritualidade e de libertar plenamente as virtudes escondidas de nossa alma. Tomemos, por exemplo, a verdade. Não há erro mais grave do que a recusa em ver e ouvir a verdade. A verdade é una porque Deus é Uno, mas os erros são múltiplos porque a ignorância desconhece o número de seus adeptos. Ora, o que torna belo o indivíduo é o conhecimento de si mesmo – esse conhecimento que pode elevá-lo até as estrelas mais longínquas para lhe presentear com a Consciência divina. Observemos também que não é por acaso que o estado de consciência crística é simbolizado na Árvore cabalística pela sefira Tiphereth, ela própria símbolo da beleza adâmica na Terra. Não é dito que o próprio Mestre Jesus veio para manifestar a Beleza Divina? Esforcemo-nos para imitar a beleza de intenção e de ação que animou o Mestre Jesus ao longo de seu ministério. Isto naturalmente não quer dizer que devemos nos tomar por ele e buscar inflar nosso próprio ego por uma pomposa imitação daquilo que julgamos conhecer acerca dele. Isto significa simplesmente que devemos nos aplicar plenamente para sensibilizar as pessoas de nosso convívio àquilo que é belo, a fim de levar seu senso estético a evoluir na direção dos arquétipos superiores. Creio que é difícil atingir este objetivo por intermédio da arte, pois ela, nesse ponto da evolução humana, ainda é uma expressão muito imperfeita da Perfeição divina. É verdade que muitos são os mestres que, por intermédio da música, da pintura, da escultura ou de outros ramos da arte, encarnaram formas-pensamento de grande pureza e perfeição. Mas para a maioria das pessoas, tais obras estão além do que elas são capazes de sentir e de compreender em matéria de beleza. É sem dúvida por esta razão que uma pintura inspirada será para alguns o cúmulo do horror ou que, inversamente, uma música decadente será para outros o summum da inspiração. Tudo isto naturalmente não quer dizer que não haja beleza universal. Isto simplesmente nos mostra que o homem encarnado, antes de ser capaz de discernir a existência de tal beleza, permanece por muito tempo prisioneiro de uma má concepção daquilo que é belo. Neste livro, um outro capítulo também está consagrado à beleza, mas mais particularmente à beleza através da arte. Não é senão evoluindo na direção dos planos de consciência cada vez mais elevados que cada um pode retirar o véu e se aproximar da magnificência da verdadeira beleza. Enquanto o homem não atinge um certo degrau de evolução, ele não faz mais do que projetar em seu meio o sentido que sua mente dá à beleza. Dito de outra maneira, ele busca aquilo que é belo por meio dos olhos do corpo, e não através dos olhos de sua alma. Segundo esse ponto de vista, podemos dizer que existem tantos critérios de beleza quanto indivíduos, e isto procede se compararmos todas as civilizações e formas de sociedade, mesmo as atuais. Podemos, no entanto, constatar que há coisas sobre as quais existe um consenso no tocante à sua beleza. Sobre elas, é dito que refletem a harmonia, inspiram e apaziguam. Para darmos alguns exemplos, nunca aconteceu de você ouvir dizer que uma aurora ou um crepúsculo, ou ainda um céu estrelado, são feios. As coisas acontecem diferentemente quando perguntamos às pessoas o que elas pensam da beleza deste ou daquele objeto. Aparece então uma divergência entre as diversas concepções de beleza, cada qual sendo resultante da educação, da personalidade e da evolução interior de cada um. Portanto, é fácil compreender que o problema do homem não é que ele seja insensível à beleza universal, mas sobretudo que, na maioria dos casos, ele não toma consciência dela, não sabe onde situá-la ou é incapaz de exprimí-la naquilo que ele pensa, diz e faz. Como venho de salientar, todo indivíduo é sensível à beleza que se manifesta pelo viés da natureza. Devemos então levar nosso meio, e mesmo um público mais amplo, se pudermos, a refletir sobre o porquê e o como desta sensibilidade à beleza. Agindo assim, conduziremos progressivamente essas pessoas a não mais se contentarem com aquilo que constitui a beleza da natureza e do universo, mas a participarem conscientemente nela enquanto atores e espectadores. Que possamos dar a eles o desejo de abrir o “Livro do homem” e o “Livro da natureza” e o desejo de conhecer e compreender as leis que se operam neles e ao redor deles. É a isso que me dediquei através destas reflexões, e espero que você possa encontrar em si e
Criando o nosso futuro
Por H. Spencer Lewis, FRC
Ser um Místico Pensante, Atuante e Responsável
Na nobre escola rosacruz não há mestre e discípulo. Há apenas homens e mulheres que partilham um mesmo ideal e que se empenham em abrir a porta e avançar. Não se diz que a união faz a força? Pelo seu próprio percurso, você pode se definir como místico, pois um ser místico é alguém que vive em harmonia com sua consciência objetiva, com sua intuição e com seus sentimentos. Ser místico não significa ser perfeito, mas simplesmente, num primeiro momento, ter consciência daquilo que seria necessário fazer para sê-lo. Ser místico é saber, além da utilização de nossos sentidos objetivos – a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato –, utilizar outras forças, explorar outras possibilidades e permanecer à escuta de nossos sentidos interiores. Como pode uma pessoa unir-se aos místicos? Como ela vem a se interessar pela espiritualidade? Quais foram os seus questionamentos ou as razões que a levaram a um diálogo com Deus? Isso pode ter ocorrido após circunstâncias particulares que podem ter sido felizes e agradáveis, mas no mais das vezes acontece após provações penosas, ou mesmo dramáticas, que produziram nela uma mudança de estado de espírito e de atitude. O medo, a pena, a dor, a doença e a angústia são, assim como o amor, estímulos que moldam o ser humano e ocultam temporariamente sua consciência objetiva. É então que o milagre pode se produzir e um fogo – o fogo sagrado – pode surgir do mais profundo de nosso ser, libertando o nosso ardor – nosso poder criativo e nossa vontade de mais e de melhor. É mais ou menos como um parto, pois após a gestação vem a vida – a realização. É nesse sentido que se diz que “o Verbo se fez carne”. Nosso espírito se tornou criador e nossos pensamentos se concretizaram numa obra que reflete nossas aspirações mais profundas – nosso verdadeiro eu reunido com a consciência universal. O acionamento dessas leis naturais e universais é o desfecho de atos e processos simples acrescidos uns aos outros, como para a construção de um edifício que é erigido pedra por pedra. Basta conhecer as leis e suas aplicações. Texto extraído da publicação “Ser um Místico Pensante, Atuante e Responsável” – Autor Christian Bernard – Imperator Émerito da AMORC Acesse a publicação!
A Ordem Rosacruz: Uma Escola de Liberdade
A Ordem Rosacruz: Uma Escola de Liberdade Tendo certo número de questões lhe sido um dia feitas a respeito do funcionamento da AMORC e sobre a filosofia rosacruz, Serge Toussaint, Grande Mestre da Jurisdição de Língua Francesa, concluiu a entrevista resumindo sua concepção com as seguintes palavras: A <a href=”https://amorc.org.br/quemsomos/”>Ordem Rosacruz</a> é uma Escola de liberdade… O que poderiam representar essas palavras? No decorrer da reflexão, elas pareciam ter um grande alcance sobre a razão de ser da Ordem Rosacruz e o sentido do processo que é proposto ao buscador. Este artigo visa partilhar essas reflexões a respeito da liberdade e se inicia, portanto, com um convite a se considerar como os ensinamentos rosacruzes ensinaram ao místico a exercer sua liberdade. Examinemos inicialmente essa expressão que qualifica a AMORC como uma escola de liberdade. A noção de escola remete à de aprendizado. Uma escola é uma instituição onde se adquire uma instrução ao se desenvolver competências através de um ensinamento graduado. A matéria ensinada aqui em questão é a liberdade. Esse ponto de vista pode inicialmente suscitar assombro: seria a liberdade o fruto de um aprendizado? Somos livres pelo próprio fato de nossa condição humana ou devemos adquirir essa liberdade? Alguns talvez pensarão que a liberdade é algo que não tolera bem os meios-termos: ou se é livre, ou não se é… No espírito da Declaração Universal dos Direitos do Homem,Declaração Rosacruz dos Deveres do Homem é clara a esse respeito e estipula, no artigo 3º, que todo indivíduo tem o dever de respeitar o outro sem distinção de raça, de sexo, de religião, de classe social ou de qualquer outro elemento aparentemente distintivo, implicando que toda pessoa é titular das liberdades fundamentais, como a liberdade de consciência, de religião, de opinião, de expressão, de reunião pacífica e de associação. Existe, portanto, um consenso, ao menos nas sociedades democráticas, quanto ao fato de a liberdade estar ligada à condição humana. A apreciação do Grande Mestre revela um paradoxo aparente: se somos livres por direito natural, por que deveríamos aprender a liberdade? A resposta a esta pergunta reside sem dúvida no uso que fazemos dela ou nas condições que devemos estabelecer para tornar efetivo esse potencial de liberdade. Mas o que é exatamente a liberdade? O ser humano é verdadeiramente livre ou no fundo não é mais que um escravo dos diversos condicionamentos que interiorizou? Ele pode exercer de verdade aquilo a que chamamos o “livre-arbítrio”? A busca pela liberdade se confunde com as origens do pensamento filosófico. Desde a Antiguidade muitos filósofos se dedicaram a essas questões fundamentais, assim como fazemos hoje em dia, e por vezes – como foi o caso de Sócrates – tiveram de pagar com suas vidas. A questão da liberdade é indissociável da noção de escolha. “Ser” livre é inicialmente “ter” a escolha. Como dizia o escritor Paulo Coelho, a liberdade não é a ausência de compromisso, mas a liberdade de escolha. Se a liberdade está ligada à noção de escolha, é preciso então admitir que ela implica também a ideia de responsabilidade. Só é livre, definitivamente, aquele que é responsável por suas escolhas… Existem, todavia, diversas formas de liberdade e é importante que especifiquemos aqui a qual vamos nos referir. Existe a liberdade de direito jurídico, como aquela que é garantida por uma Carta; há também a liberdade de agir segundo nossa própria vontade e, finalmente, há a liberdade interior, ou livre-arbítrio, que consiste em ser mestre de si mesmo, sem ser escravo de suas paixões, de seus desejos ou de suas crenças limitadoras. A liberdade consiste até mesmo em poder rejeitar a evidência e escolher o mal ao invés do bem. Como evocado mais acima, ou se é livre ou não se é… Suponhamos que era à liberdade interior que o Grande Mestre fazia alusão; é a esta forma de liberdade que o leitor é convidado a refletir aqui: uma liberdade que nenhuma pessoa ou circunstância exterior pode nos tirar e que conservaríamos mesmo no fundo da prisão mais sombria. Alguns filósofos contemporâneos consideram que, para pensar livremente, é preciso se desfazer de todas as ideologias que condicionam o pensamento. É isso que pode ser chamado de “teoria da terra queimada”, em que toda forma de herança é considerada um entrave do qual é preciso se desvencilhar. Ter um passado, uma memória e uma origem nos torna inaptos a exercer nossa liberdade de pensar? Ainda que pensar por si mesmo exija um distanciamento reflexivo face aos modos, às tendências e às ideologias, parece muito improvável que uma espécie de vacuidade de referências possa conduzir quem quer que seja a pensar livremente. Todos os tiranos partilharam o fantasma da imposição do seu “novo ano zero” do conhecimento fazendo uma limpa de tudo o que precedeu sua dominação, com as consequências desastrosas que nós conhecemos. A verdade é que nós não pensamos a partir do vazio. Nossas construções mentais têm por matéria as aquisições prévias da linguagem, nossas referências culturais e nossas experiências passadas cujos traços são conscientes ou inconscientes. Levando nossa reflexão mais adiante, poderíamos nos perguntar se nossa herança biogenética não determina inteiramente nossos atos. O filósofo Baruch Spinoza, em sua obra sobre a ética, enuncia da seguinte forma a sua recusa do livre-arbítrio tal como preconizado por Descartes: Basta-me por enquanto enunciar esse princípio com o qual todo o mundo deve convir, a saber, que todos os homens nascem na ignorância das causas e que um apetite universal de que eles têm consciência os leva a procurar aquilo que lhes é útil. Uma primeira consequência desse princípio é que os homens julgam ser livres e não pensam de forma alguma nas causas que os dispõem a desejar e a querer. Os deterministas concluem disso que nós acreditamos agir ao passo que “somos levados a agir” por impulsos – eles próprios oriundos de causas muitas vezes desconhecidas e incontornáveis. Para Spinoza, Deus é a causa primeira determinante da qual nós somos um efeito, e nossa última liberdade reside, segundo ele, no Amor constante
O que é a Filosofia para o Rosacruz?
O que é a Filosofia para o Rosacruz? Por SERGE TOUSSAINT, FRC Pretendo fazer uma reflexão sobre um tema que me é muito caro, a saber: a Filosofia. Com efeito, como Rosacruzes que somos, gostamos de nos definir como filósofos e nossa Ordem é de natureza filosófica. É por isto que pretendo participar-lhes meu ponto de vista sobre o tema e confiar-lhes fraternalmente o que me inspira. Em primeiro lugar, é útil recordar que a palavra filosofia pode ser definida de duas maneiras. Literalmente quer dizer amor à sabedoria, porém por extensão também significa ciência da vida. Ainda que estas duas definições sejam complementares, sem dúvida expressam noções, conceitos e ideais diferentes. Vamos examiná-los e ver no que implicam em nossa busca espiritual. Desta maneira, podemos pôr em evidência o ideal de comportamento que deve nos animar, não só quando estamos entre Rosacruzes, mas também em nossa vida cotidiana, em contato com nossos irmãos e irmãs do mundo na sociedade em que vivemos. O Amor à Sabedoria Se considerarmos a primeira definição da palavra filosofia, ou seja amor à Sabedoria, deduzimos que um filósofo, no sentido nobre deste termo, é alguém que ama a sabedoria. Dizem que foi Pitágoras quem deu origem à palavra filosofia. Antes dele, os filósofos da Grécia Antiga eram chamados de sábios. O Conselho dos Sábios, era uma instituição em Atenas. Este Conselho reunia os maiores pensadores da época, os quais eram encarregados de refletir e legislar acerca dos problemas sociais que se apresentavam, fossem eles no campo da moral, da economia, da política, da religião etc. Foi assim que o próprio Pitágoras foi qualificado de sábio. Porém, como ele era particularmente modesto, considerava ser ainda demasiado imperfeito para merecer tal qualificação, por isso exigiu que não se referissem a ele como sábio, mas sim como alguém que amava a sabedoria, o que já considerava ser muito louvável. Assim nasce a palavra filosofia. Como sugerem as explicações precedentes, não se pode ser verdadeiramente um filósofo se não se tem humildade, isso todos nós sabemos. Porém, quem entre nós pode dizer do fundo da alma e consciência que é verdadeiramente humilde em pensamentos, palavras e atos? Quem entre nós, nunca sentiu a necessidade de chamar a atenção, de ocupar o centro de uma conversa, de dar sua opinião quando não foi solicitada, de fazer um inventário de seus méritos, de mostrar sua superioridade em tal ou qual campo etc? Mesmo assim, não nos devemos culpar ao saber que não somos tão humildes quanto gostaríamos, posto que necessariamente somos imperfeitos e evoluímos precisamente com o objetivo de nos aperfeiçoarmos. Se temos o sentimento de falta de humildade, devemos antes de tudo, aceitar esta condição e trabalhar sem descanso sobre nós mesmos para adquirir esta virtude. Paralelamente, e me parece uma prioridade, devemos fazer o possível para que os outros não sofram os efeitos negativos de nossos ataques de orgulho. Agindo assim, não só demonstramos o respeito e afeto que os outros merecem, mas também manifestamos o desejo de melhorar o nosso comportamento. Neste sentido, recordemos sempre que não é o fato de sermos imperfeitos que gera dívida cármica, mas a falta de esforço para nos aperfeiçoarmos. É evidente que ser sábio não se limita a dar prova de humildade. Ser sábio reside em reunir todas as virtudes inerentes a alma humana que cada um de nós deve adquirir no transcurso de sua evolução espiritual, de encarnação em encarnação. É pois ser paciente, confiante, tolerante, altruísta, íntegro, pacífico etc. Então, ser filósofo no primeiro sentido, não consiste em ser necessariamente sábio, mas ter a sabedoria como um ideal a alcançar, é amar a sabedoria. Dito de outra maneira, é primeiro e antes de tudo estar animado pelo amor daquilo que é bom no comportamento humano. Isto supõe que podemos ser filósofos sendo imperfeitos com a condição de nos esforçamos em ser perfeitos. À medida que somos Rosacruzes, somos também filósofos posto que podemos não ser ainda sábios, mas efetivamente aspiramos a chegar a ser melhores e expressar a Sabedoria Divina em nossa maneira de viver. Porém, o filósofo que somos não deve limitar-se a amar o que há de bom no comportamento humano e fazer todo o possível para conformar-se com a vida cotidiana. Devemos com a mesma energia transmitir esse amor aos outros e dar-lhes o desejo de interessar-se pela filosofia. Isto é, devemos atuar de maneira tal que eles mesmos cheguem a amar e a buscar a sabedoria, fim último da conquista humana. Disto deduzimos que a filosofia no sentido de amor à sabedoria implica, igualmente, o amor pelos outros, a ponto de desejar que cheguem a ser mais virtuosos que nós mesmos em seus comportamentos e assim conheçam as mais belas bênçãos de Deus, com tudo o que resulta em termos e felicidade e Paz Profunda. Ser filósofo, é pois, amar a sabedoria por si mesmo, porém de igual maneira para os demais. É querer que os outros a amem e a possuam. Também é orar para que a adquiram, posto que cada um que a obtenha é um instrumento do Bem entre os homens e faz um mundo melhor. Nunca esqueçamos que a humanidade inteira se eleva cada vez que um só ser humano faz uso da sabedoria. O que finalmente nos leva a dizer que a filosofia, na expressão mais pura do termo em seu sentido literal, é o amor de Deus, tal como se manifesta por meio do Homem, seja ele quem for. A Ciência da Vida Vamos agora ao segundo sentido da palavra filosofia, ou seja, o sentido de ciência da vida. A vida, como sabemos, serve de suporte à evolução da Alma Humana. Com efeito, é porque ela possui um corpo físico que é capaz de evoluir no plano terrestre. Sem ele, não pode adquirir as lições graças as quais deve aperfeiçoar-se e tomar consciência gradualmente de sua perfeição latente, em benefício de sua reintegração final e definitiva na Onisciência Divina. Para nós, tal coisa é evidente, mas a maioria das pessoas ignora essa evidência. Para a maior parte delas, a vida é um interlúdio consciente
Como Orar
Por H. SPENCER LEWIS, FRC “ Quantos, dentre nós, limpam as mãos de dívidas, agradecendo a Deus cada benção individual recebida durante o dia? ” A oração é um ponto grandemente controverso da prática religiosa, seguido ou negado francamente. Aqueles que utilizam a oração como argumento contra a existência de um Deus inteligente, ou de qualquer Deus, afirmam que as orações seriam logicamente razoáveis e eficientes se Deus existisse. São muito perspicazes ao declarar que setenta e cinco por cento das orações ficam sem resposta ou são aparentemente negadas. Sou um crente firme na oração e o leitor também poderá ser, se der à oração a devida oportunidade para demonstrar a sua eficácia. Acusamos erradamente muitas coisas de serem ineficientes e recusamos a aceitá-las, depois de apenas umas poucas tentativas de usá-las ou demonstrá-las. A razão disso é a nossa própria ineficiência e ignorância. Nessas circunstâncias, surpreende-me que tantas orações sejam atendidas. A compreensão do que realmente é a oração e de como usá-la falta de tal modo no indivíduo comum, que é realmente surpreendente que uma, dentre mil, traga quaisquer resultados. Nas igrejas, são usadas certas preces fixas feitas por pessoas que parecem mais interessadas na eloquência florida do que na verdadeira oração. Jesus ensinou aos seus discípulos como orar, e a versão correta das suas instruções e os exemplos que deu ao mundo são diferentes das preces proferidas por aqueles que se afastaram do misticismo fundamental da oração. A prece baseia-se na suposição de que Deus é onipotente, onipresente e deseja atender às nossas súplicas. Essa é toda a suposição ou base que necessitamos na oração; penso, porém, que o leitor concordará em que a média das pessoas tem em mente algo mais. Tem em mente não só que Deus é onipotente, onipresente e misericordioso, mas, também, que, com toda a sua harmonização com os seres que criou, ignora, ainda, as suas necessidades, desconhecendo completamente o que necessitam na vida! Este é o grande erro. Entregarmo-nos à oração com a crença ou sensação de que Deus não sabe o que necessitamos ou o que é melhor para nós e devemos dizer-lhe e explicar-lhe o que desejamos, é cometer um grave erro. Considerando o assunto do ponto de vista puramente razoável e sensível, não parece estranho que uma pessoa se ajoelhe e peça a Deus que não tire a vida de alguém que acabou de sofrer um acidente? Orar a Deus em tal ocasião e quase ordenar -lhe que não permita que a vida abandone o corpo dessa pessoa ou que certas condições se manifestem, é presumir que nós, com a nossa compreensão finita, sabemos, melhor do que Deus, se certas coisas devem, ou não, acontecer. Se a pessoa foi ferida, está prestes a falecer e Deus não impede que isso aconteça, por que deveremos presumir que Deus modificará Seu modo de pensar quanto à transição, permitindo que a pessoa viva, unicamente porque pedimos que a sua vida seja salva? Pense em duas pessoas, em lados opostos, cada uma pedindo forças a Deus para que seja o vencedor numa luta entre elas. Se Deus deve decidir a luta, não é melhor presumir que o Seu julgamento das condições e princípios em ação será suficiente para escolher a pessoa que deverá vencer? A oração, por ambas as partes, não poderá ser satisfatoriamente atendida, pois ambas não poderão sair vencedoras. O místico sabe que qualquer oração ou súplica baseada na suposição de que Deus ou o Cósmico não sabe o que é melhor e deve ser orientado ou aceitar recomendações ou sugestões, é perdida e inútil. Na verdade, isso representa uma censura à inteligência divina e não vai além do campo das nossas ambições pessoais. Certamente, semelhante prece não pode ser proferida sinceramente ou merecer a aprovação Cósmica. Está fadada a fenecer ou a não ter resposta, no próprio momento em que é concebida. Um Encontro de Mentes Para o místico, portanto, a oração é um encontro de mentes. Não é ocasião para pedidos pessoais, mas para comunhão espiritual, ocasião em que a alma e a parte mais íntima de nós mesmos, reverente, sincera e tranquilamente, falam a Deus e expressam os desejos do nosso coração e mente. Qualquer consideração de que a nossa concepção humana das nossas necessidades deve ser exposta em detalhes ou feitas sugestões ou recomendações, seria tão incompatível com a atitude verdadeira de orar, que desvirtuaria a oração e impediria a realização do que desejamos. A prece, portanto, deve ser a expressão do desejo de uma bênção. Tenho eu qualquer direito de me dirigir a Deus, como faço na oração, e exigir ou mesmo pedir que me seja dada uma vida mais longa, porque esse é o meu desejo e cheguei à conclusão de que devo ser atendido? Não é isso concluir que Deus pode não ter pensado em dar-me vida mais longa ou pode ter decidido de outro modo, e desejo modificar a decisão e decreto da Sua Mente? Não é isso uma obstrução ao próprio efeito que desejo criar na consciência de Deus? Tenho eu qualquer direito de me dirigir ao Criador de tudo e dizer que desejo isto ou aquilo de um modo que indica que decidi a respeito dessas coisas, ou solicitar que a Mente Divina aceite o meu discernimento em vez do Seu próprio? Estou certo de que se pensássemos em nos aproximar do rei de um país ou do presidente de uma república, cujos favores nos tivessem sido concedidos no passado e de cuja generosidade muito tivéssemos nos beneficiado, entregar-nos-íamos à oração de modo muito diferente. Se tivéssemos recebido muitos favores de um rei e nos fosse permitido ir à sua presença para alguns momentos de comunhão, encontrar-nos-íamos, provavelmente, proferindo, antes de mais nada, palavras de agradecimento pelo que recebemos – acrescentando que, se fosse da vontade real, ficaríamos muito felizes se pudéssemos continuar a merecer as mesmas bênçãos ou possivelmente mais. Nenhum de nós pensaria em solicitar bênçãos específicas sem, primeiramente, ter expressado profundo agradecimento pelo que já receberemos e sem declarar que,
A Força
A Força De um ponto de vista tradicional, dizemos que o homem foi criado à imagem de Deus. Ele recebeu, então, no momento de sua criação, “a força”. No plano místico, esta força é sua aptidão para concentrar cada um de seus pensamentos, de suas palavras e de suas ações na direção do Absoluto divino. Ela representa o estado de consciência o qual denominamos de “estado Crístico”, de “estado Búdico” e de outros nomes mais. Pessoalmente, o chamarei “estado Rosacruz”. A força à qual me refiro é perfeitamente ilustrada na narrativa alegórica de Davi e Golias. Esta é uma profunda ilustração de seu poder. O jovem Davi, com a ajuda de um seixo, faz tombar o gigante Golias, acertando-o mortalmente na fronte. Quando sabemos que o futuro rei Davi simboliza o poder da espiritualidade, neste conto, e Golias o poder da materialidade, compreendemos melhor a que ponto o pensamento vence a matéria. Isto mostra que a nossa força não deve ser aquela do corpo, mas sim a da alma. Encontramos uma outra ilustração deste princípio na décima primeira carta do tarô, onde a força é simbolizada por uma jovem mulher a qual, apenas com suas mãos, mantém aberta a boca de um leão. É evidente que a força aqui representada nada tem de física. Aí também ela simboliza a supremacia da força da alma sobre a do corpo. Isto não significa que a energia corporal não possa servir a alguma finalidade espiritual: exatamente o contrário. Com efeito, o corpo e suas funções servem de veículo à alma e lhe permitem evoluir no contato com o mundo material. Ao falarmos, utilizamos os órgãos da voz para exprimir aquilo em que pensamos. Nesse momento, requisitamos uma parte de nossa força física. A melhor prova é que a intensidade de nossas palavras está intimamente ligada ao nosso estado mental e emocional do momento. Assim, quando estamos exasperados ou em cólera, temos a tendência, conforme se diz familiarmente, de levantar a voz, isto é, de concentrar em nossa voz uma força maior do que a habitual. Ao contrário, quando estamos em prece, de uma maneira que não mentalmente, as palavras que pronunciamos se perdem num vago sussurrar. A força de nossas palavras reflete com frequência o nosso estado interior, ou seja, o nosso estado de alma. O mesmo se aplica aos movimentos que fazemos. Por exemplo, um ato ritual nada tem a ver com um gesto de ira. O interesse desta relação corpo-mente-alma reside no fato de que podemos agir e reagir sobre nosso estado interior, observando a intensidade da força que manifestamos em nosso comportamento. Para retornar ao exemplo da cólera, o fato de tomar consciência de que falamos muito alto e que nossos gestos são discordantes deveria nos incitar a agir mentalmente sobre nós mesmos para nos acalmarmos. Infelizmente, por falta de vontade e de mestria, não é sempre que pensamos fazê-lo. Inversamente, quando fazemos nossas preces ou meditamos, nos devotamos a permanecer calmos e descontraídos, a fim de estarmos receptivos interiormente. Assim, creio que a força do ser humano reside não apenas em seu poder de concentração mental, mas também em sua aptidão de dominar aquilo que diz e faz, isto é, suas palavras, seus gestos e suas ações. Agindo assim, ele coloca todo o seu ser a serviço da alma que evolui por meio dele e contribui positivamente para sua evolução espiritual. Essa tomada de consciência é a chave mestra da verdadeira força e do domínio de si mesmo. Que a força esteja sempre em você e que ela lhe ajude a atravessar a vida com sucesso e serenidade.
Flores no Jardim Cósmico
Flores no Jardim Cósmico O sentido da nossa vida como seres humanos no mundo é o de que ela é meio para um fim que a transcende. Ou seja, é através dela que se cumpre a finalidade ou razão de ser de nossa existência como tais seres, mas não é nela mesma que está essa finalidade. Um indício desse sentido da vida humana é a sua transitoriedade. Como tudo o que tem começo, duração e fim, nossa vida não pode ter razão de ser em si mesma. Do contrário teria se originado ao nosso nascimento de um “nada absoluto” – um absurdo; e ao se encerrar quando da nossa morte, qualquer que tivesse sido sua duração, estaria recaindo num “nada absoluto” – novamente um absurdo. Originamo-nos necessariamente em algo transcendente que precede nossa existência e nossa vida no mundo e que não pode ser um “nada absoluto”. Destinamo-nos necessariamente a esse mesmo algo transcendente que persiste após nossa vida no mundo e que não pode ser um “nada absoluto”. Por conseguinte, na realidade não somos seres em sentido absoluto; isto é, seres com essência imanente, natureza própria. Somos seres em sentido relativo, manifestando funções do ser absoluto e necessariamente único, eterno e infinito… do Ser Essencial que nos precede e subsiste, que é fonte (origem), sede (essência) e destino (resolução final) de tudo. Temos mais propriamente a natureza de fenômeno do que a de ser. Vale dizer, a natureza de algo que tem começo, duração e fim, no tempo e no espaço, e que é parcialmente observável, objetivamente perceptível e compreensível. A planta florífera… sem flores… agora com botões. E as flores desabrocham e cumprem sua função na vida da planta. Depois murcham e caem da planta no solo; “morrem”, deixam de existir como flores “vivas”, apodrecem e se decompõem no solo, deixando finalmente de existir como flores. A planta florífera… sem flores… A mesma planta florífera… agora com novos botões. E as flores desabrocham e cumprem sua função na vida da planta. Depois… A planta florífera e as flores: A planta… o “ser” que é fonte, sede e destino das flores. As flores… que não existem por si mesmas nem para si mesmas, mas que existem por força de leis físico-químicas da natureza da planta e se manifestam num sistema físico-químico que possibilita o cumprimento de sua necessária função na vida da planta. O universo. Sistema complexo composto de coisas, fenômenos e seres… Coisas? Seres? Não! Fenômenos. O universo é composto de fenômenos… inclusive o ser humano! Todos esses fenômenos manifestando potencialidades do Ser Essencial e cumprindo funções naturais na vida Dele… inclusive o ser humano! O universo: coisas, fenômenos e seres… fenômenos… flores no Jardim Cósmico! O ser humano… flor no Jardim Cósmico. Flor… por que não rosa… a desabrochar pela cruz da vida no mundo… na Vida do Ser Essencial? A roseira e as rosas: A roseira… o “ser” que é fonte, sede e destino das rosas. As rosas… que não existem por si mesmas nem para si mesmas, mas que existem por força de leis da natureza da roseira e se manifestam num sistema físico-químico transitório que possibilita o cumprimento de sua função necessária na vida da roseira. Rosas… que nascem, desabrocham e morrem… nascem, desabrocham e morrem… nascem, desabrocham e morrem… nascem… desabrocham… à plenitude de serem na roseira! Nossa vida, então, requer que lhe demos um sentido que a transcenda… algo que passe por ela e evolua (desabroche…) para se realizar num estado de ser sublime, num fenômeno sublime (fragrância maravilhosa no Jardim Cósmico!). Jardim Cósmico… misterioso e mágico… místico! Transcendência florífera que produz diferentes flores: rosas… que desabrocham na Vida do Ser Essencial… e também girassóis… que se voltam para o Sol e se deixam iluminar! Assim se completa o sentido da nossa vida como seres humanos no mundo: pela dedicação a valores, gostos, interesses e objetivos que propiciem o nosso desabrochar para a sublimidade na Vida do Ser Essencial e o nosso direcionamento da consciência para a Luz do Ser Essencial. Rosas… e girassóis… no Jardim Cósmico… todas irmãs por divina genealogia… no Amor do Ser Essencial! Nota: Este artigo apresenta a ideia fundamental do livro “Ser no Ser – Teorema e Credo da Vida Humana”, do mesmo autor.
Código de Vida Rosacruz – Artigo Décimo
Código de Vida Rosacruz – Artigo Décimo Por CHRISTIAN BERNARD, FRC Imperator Emérito da AMORC Neste artigo, publicamos os comentários do autor ao artigo décimo do Código Rosacruz de Vida, publicado no livro da AMORC com o mesmo nome: “Não faça alarde de suas realizações nem se vanglorie de seu conhecimento Rosacruz. Pode ser um Rosacruz, como Membro da Fraternidade, mas um Rosacruz em conhecimento e poder; o maior e mais evoluído nos estudos, indigno do título de Rosacruz. Declare-se, não um Mestre, mas um estudante Rosacruz, sempre estudante, eternamente”. – Código Rosacruz de Vida Ser Rosacruz não é, com efeito, declarar-se Membro da fraternidade, isto é, da Ordem Rosacruz, AMORC, porque se paga regularmente a quota mensal estabelecida estando, assim, perfeitamente em dia com os compromissos financeiros. Não é também, receber e simplesmente ler os ensinamentos Rosacruzes. Ser Rosacruz é viver o rosacrucianismo e aplicar as leis, os princípios e as regras que nossa tradição nos transmite, progressivamente, para exercitarmos seu bom uso e aprendermos a nos servir deles, de forma completa, e sem possibilidade de erro. Se, portanto, é assim que agimos em nossa senda mística, não há dúvida de que uma das qualidades fundamentais que adquirimos rapidamente é a humildade. Não nos daremos conta, ao progredir, de que quanto mais avançamos, mais ainda teremos que aprender e a colher, no campo infinito que a iniciação Rosacruz faz descortinar-se. A sagrada lei do silêncio também se nos imporá e, em nenhum momento, se formos verdadeiros e sinceros, teremos a ideia de ostentar nossas obras e de nos vangloriar de nosso conhecimento Rosacruz. Todos os textos sagrados do mundo evidenciam, com diferentes expressões, que no terreno de nossas obras e de nossos atos a serviço dos outros, ou mesmo do misticismo, a mão direita deve ignorar o que faz a esquerda, e este artigo do “Código Rosacruz de Vida” faz-nos lembrar disso, de maneira solene. Por outro lado, quase chega a ser com severidade, uma severidade estimulante para os buscadores como nós, que ele expressa uma verdade profunda e de todos os tempos: “Em conhecimento e poder, o maior e mais evoluído de nós não passa de neófito nos estudos, indigno do título de Rosacruz”. Como o maior ou mais evoluído em conhecimento e realização interior, em um conhecimento que é uma doutrina sagrada e em uma realização que é consciência – “consciência cósmica” – poderá se vangloriar, ele que já alcançou um nível tal em que pode contemplar a imensidade do que ainda lhe resta descobrir? Segundo o fundador do atual ciclo de nossa Ordem, Dr. H. Spencer Lewis, ele poderá, com a visão e as convicções adquiridas, apresentar-se somente como um “neófito”, dando a esta palavra o sublime valor de estudante do alto conhecimento, isto é, do misticismo puro e sagrado de nossa venerada Ordem Rosacruz. As palavras deste artigo que mais nos impressionarão, creio que serão as últimas: “Declare-se, não um Mestre, mas um estudante Rosacruz – sempre estudante – eternamente”. Existe, nestas palavras, um poder que nos abala, como Rosacruzes que somos, até as profundezas de nosso ser: estudante, estudante Rosacruz, estudante eterno! Que grandiosidade contém esta frase e que incentivo representa, quando se sabe que tudo, no decorrer de nossa vida aqui embaixo e alhures, tem para nós valor de estudo e que nada é inútil, na alegria ou na dor, para o nosso último retorno, para nossa reintegração e fusão finais na Unidade. E quem poderá afirmar que, mesmo tendo atingido esta condição, não haverá um novo elemento de um estudo eterno? Não são nossos Mestres a prova disso, eles que, tendo atingido este nível sublime, velam por nossa Ordem e por nós, esforçando-se por resguardar o que é necessário à nossa evolução? Não estudam eles, constantemente, a melhor maneira de nos ajudar a nos reunirmos a eles? Até nisso eles permanecem nosso exemplo e nosso amparo O artigo dez do “Código Rosacruz de Vida” encerra, também, uma norma da qual todo o Rosacruz deveria lembrar-se, com frequência: “Declare-se, não um Mestre!” Nenhum de nós, certamente, ousaria expressar uma tal pretensão e, menos do que qualquer um, aqueles que, como requer a tradição, estão investidos em cargos e têm responsabilidades. Ser Mestre, no sentido deste artigo de nosso “Código”, é ter atingido a realização última da iniciação, é a reintegração, o estado final do desenvolvimento interior ao qual o iniciado pode ascender, ou o que isto pode representar no sagrado caminho do misticismo, e todo Rosacruz sabe que um Mestre jamais se declara como tal. É preciso recolocar esta pequena frase em seu contexto para compreender seu valor. Este décimo artigo forma um todo e, em sua integridade, reveste-se de uma excepcional importância, ao insistir na grandiosidade da condição de estudante Rosacruz. Daí ser o título mais elevado e mais nobre a que possamos aspirar, e, para o merecer, é necessário trabalhar com coragem e com perseverança, pondo em prática o que nos é ensinado e, este trabalho, esta aplicação, deve sempre ser presidida pela divina lei do amor. Que possamos ser, ao caminhar na senda de nossa Ordem, sempre dignos de nossa qualificação de Rosacruzes e que possamos ser, assim, neste mundo conturbado, exemplos, e uma grande esperança para os outros! Que o Cósmico os envolva, a cada instante, em sua poderosa proteção e em seu inesgotável amor!










