Prólogo Desde que os Seres Humanos tomaram consciência da necessidade de viverem em sociedades organizadas eles criaram diversas formas de governo para assegurarem o seu funcionamento. Hoje parece que é através da democracia que se expressam melhor os interesses e as aspirações dos indivíduos em particular e dos povos em geral. Com efeito, embora esse sistema seja imperfeito e tenha muitas fragilidades, são atualmente as sociedades democráticas que melhor garantem os direitos do Ser Humano tais como estão definidos na Declaração Universal. Mas, se o respeito aos direitos de cada um é o fundamento de toda democracia, qualquer democracia que não estimule os referidos direitos tem em si mesma os germes da decadência e propicia a emergência de uma ditadura. Como a História tem mostrado, o bom funcionamento de uma sociedade depende de um equilíbrio apropriado entre os direitos e os deveres de todo indivíduo. Quando esse equilíbrio chega a ser rompido, seja aliás ao nível de governantes ou de governados, os mais extremos totalitarismos se apossam da situação e mergulham as nações em pauta no caos e na barbárie. No alvorecer do século XXI, constatamos que em muitos países onde a democracia se tornou uma instituição de longa data os direitos dos cidadãos têm primazia sobre os deveres que lhes incumbem como seres humanos, de modo que o equilíbrio é, se não rompido entre estes e aqueles, pelo menos muito ameaçado. Receando que esse desequilíbrio se amplie e acabe nesses mesmos países numa regressão da condição humana, apresentamos esta Declaração dos Deveres do Ser Humano a todos aqueles que compartilham da nossa inquietação: Declaração Artigo 1: Todo indivíduo tem o dever de respeitar sem preconceito os direitos do Ser Humano, tais como estão definidos na Declaração Universal. Artigo 2: Todo indivíduo tem o dever de respeitar a si mesmo e não aviltar seu corpo ou sua consciência por comportamentos ou práticas que firam sua dignidade ou sua integridade. Artigo 3: Todo indivíduo tem o dever de respeitar os outros, sem distinção de raça, sexo, religião, classe social, comunidade ou qualquer outro elemento aparentemente distintivo. Artigo 4: Todo indivíduo tem o dever de respeitar as leis do país onde vive, ficando entendido que essas leis devem ter por fundamento o respeito aos seus mais legítimos direitos. Artigo 5: Todo indivíduo tem o dever de respeitar as crenças religiosas e as opiniões políticas dos outros, desde que elas não prejudiquem nem a pessoa humana nem a sociedade. Artigo 6: Todo indivíduo tem o dever de ser benévolo em pensamento, palavra e ação, a fim de ser um agente da paz social e um exemplo para os demais. Artigo 7: Todo indivíduo com idade, estado ou condição de trabalhar, tem o dever de fazê-lo, seja para suprir suas necessidades ou as de sua família, para ser útil à sociedade, para se desenvolver no aspecto pessoal ou simplesmente para não se perder na ociosidade. Artigo 8: Todo indivíduo que tenha a seu encargo a educação de uma criança tem o dever de nela inculcar a coragem, a tolerância, a não-violência, a generosidade e, de modo geral, as virtudes que dela façam um adulto respeitável e responsável. Artigo 9: Todo indivíduo tem o dever de prestar assistência a quem quer que esteja em perigo, seja intervindo diretamente, seja fazendo o que for necessário para que as pessoas habilitadas a intervir o façam. Artigo 10: Todo indivíduo tem o dever de considerar a humanidade inteira como sua família e de se comportar em toda circunstância e em todo lugar como um cidadão do mundo, fazendo assim do humanismo a base de seu comportamento e de sua filosofia. Artigo 11: Todo indivíduo tem o dever de respeitar os bens alheios, sejam eles privados ou públicos, individuais ou coletivos. Artigo 12: Todo indivíduo tem o dever de respeitar a vida humana e considerá-la como o mais precioso bem que existe neste mundo. Artigo 13: Todo indivíduo tem o dever de respeitar a natureza e preservá-la, a fim de que as gerações presentes e futuras possam dela se beneficiar em todos os planos e nela vejam um patrimônio universal. Artigo 14: Todo indivíduo tem o dever de respeitar os animais e considerá-los verdadeiramente como seres, não apenas vivos, mas também conscientes e sensíveis. Epílogo Se todos os indivíduos cumprissem estes deveres fundamentais, haveria poucos direitos a reivindicar, pois cada qual se beneficiaria do respeito que lhe é devido e poderia viver feliz na sociedade. Por isto toda democracia não deve se limitar a promover um “estado de direitos”, caso em que o equilíbrio evocado no Prólogo não pode ser mantido. É imperativo também que ela preconize um “estado de deveres”, a fim de que todo cidadão expresse em seu comportamento aquilo que o Ser Humano tem de melhor em si. Só apoiando-se nesses dois pilares é que a civilização poderá assumir plenamente seu status de humanidade.
A Essência da Ordem Rosacruz
Através de seus ensinamentos, a Ordem Rosacruz planta sementes de amor, harmonia, compaixão e generosidade em nossa consciência. Os frutos desse plantio podem ser colhidos nesta vida e também em futuras encarnações, promovendo assim a evolução da humanidade. A Ordem Rosacruz também desenvolve nos estudantes um desejo de curar e fazer os outros felizes. Eles aprendem a dissipar a indiferença e não prejudicar seus irmãos e irmãs. Aprendem a dar um tipo especial de amor: o amor incondicional de Deus. Aprendem a ver Deus dentro de cada pessoa e em todas as formas de vida. Eles procuram olhar com amor para todas as pessoas e todas as coisas. Querem ver os indivíduos como realmente são: Personalidades-Alma evoluindo dentro da eterna Alma de Deus. Como membro da Ordem Rosacruz há muitos anos, tenho recebido grande inspiração e força, como muitos outros estudantes, atendo-me à pura Essência da Ordem Rosacruz. Essa essência sempre foi vista como uma inteligência iluminada, cujos atributos incluem amor divino e eterno, compreensão e sabedoria. Quando ganhamos consciência dessa Essência e nos harmonizamos com ela, nossa consciência torna-se apta a transcender o plano terreno e os interesses materiais, que envolvem todas as personalidades humanas. Nesse estado de transcendência, aquietamo-nos e, imersos na Luz Cósmica, vislumbramos a pura luz da Rosacruz dentro desta radiação cósmica. Ficamos em quietude, silêncio, gratidão e receptividade. Sem nenhum esforço ou desejo de nossa parte, vemos grandes personalidades espirituais, que um dia estiveram associadas à Ordem no plano terreno, entrando e permanecendo na luz. Com serenidade de mente e coração, esses seres espirituais parecem irradiar e transmitir a essência dessa luz divina, cujos raios vibram e fazem descer as leis, o amor e a sabedoria do Cósmico para toda a humanidade. Uma dessas personalidades que entram e permanecem nessa luz é a personalidade espiritual de H. Spencer Lewis, não o homem ou a personalidade humana, mas uma personalidade espiritual iluminada. Muitos outros grandes seres espirituais que vieram antes dele estão dentro dessa luz cósmica que permeia a Ordem Rosacruz, enviando luz para inspirar todos os rosacruzes e toda a humanidade. Solenemente, unamos nossas mentes e nossos corações, e procuremos entrar em harmonia com a Essência de Luz, Amor, Sabedoria e Compaixão da Ordem. Permanecendo assim, dentro da luz, convidemos aqueles seres espirituais a transmitirem as elevadas energias da Rosacruz, com crescente perfeição, para a consciência da humanidade e de todas as vidas. Nossas energias espirituais e os princípios de vida espiritual que praticamos farão a presença deles ser sentida em todos os nossos Organismos Afiliados e, por extensão, no mundo inteiro. Na verdade, somos os construtores de um paraíso terreno que exteriorize o reino de Deus que está dentro de nós. Compreendendo isso e nos dedicando à essência da Ordem Rosacruz, permitimos que nossos pensamentos vivenciem a presença de Deus. Através dessa prática, treinamos nosso ser para que fique cada vez mais consciente do espírito e do amor de Deus em todas as circunstâncias e em todas as coisas – dentro de nós, dentro dos membros e oficiais da Ordem e dentro de toda a humanidade. Assim nos tornamos conscientes de quem realmente somos: seres espirituais, filhos do universo, viajantes do universo. Pode-se dizer que estamos aprimorando nossa capacidade de ver e amar a Ordem como Deus a vê e ama. Somos os instrumentos por meio dos quais Deus vê as suas criações. Nossas vozes são o meio pelo qual Deus fala às suas criações. Servimos como Mãos e Coração de Deus. Através de nós, Deus serve e ama todas as suas criações. Assim seja! Aplicação prática – (leia este exercício três vezes antes de executá-lo) Sente-se confortavelmente e relaxe. Aquiete-se. Sossegue o corpo e acalme a mente. Feche os olhos. Concentre-se em sua respiração enquanto respira profundamente, inalando e exalando lentamente. Após inalar, prenda a respiração por alguns segundos e exale, sempre lentamente. Continuando concentrado em sua respiração, inale e diga mentalmente a palavra “Deus”. Exale, tornando a dizer mentalmente a palavra “Deus”. Mantenha seu centro de atenção em sua respiração. Inale, diga a palavra, exale, diga a palavra. Repita esse processo por cerca de dois minutos e, em seguida, imagine seu corpo como um ser de pura luz branca. Tome consciência de que seu corpo é um templo de Amor e Luz. Mantenha essa imagem e esse sentimento por alguns instantes; depois, permaneça quieto, silente e passivo. Preste atenção a quaisquer impressões que possa ter. Depois de alguns instantes, faça três respirações profundas e envie Amor e Luz para toda a humanidade. Faça mais três respirações profundas e, lentamente, retorne à consciência objetiva. Sinta seus pés apoiados no chão, sinta todo seu corpo. Faça um breve agradecimento e volte às suas atividades.
As quatro aptidões
As quatro aptidões Podemos chamar as Quatro Aptidões de edifício base, fundamento e alicerce de todo místico na Senda para que possa se qualificar como “Iniciado”, mais precisamente “Discípulo”. Cada Discípulo, por suas aspirações, seu desejo sincero de se elevar e progredir, dirige-se para a senda da maestria que um dia alcançará. Mas antes de chegar ao que nós místicos denominamos “domínio do Eu” ou “domínio da vida”, é primordial ter as quatro aptidões: determinar, ouvir, ver e falar. DETERMINAR – é importante considerar esta expressão em seu sentido esotérico, ou seja, a faculdade de resolver todos os problemas encontrados na senda com o máximo de eficiência e com o melhor critério possível. Mas qual será a ferramenta que encontraremos em nossa vida que vai nos permitir adquirir essa faculdade? É a “Sabedoria”. A Sabedoria Divina, aquela que se encontra na Tradição Primordial. Nesse nível é que encontramos a verdadeira Sabedoria. Sem consciência dela o que dispomos é de um punhado de coisas, talvez nada, quando se trata de benefícios úteis para a humanidade. OUVIR – primeiramente é preciso saber escutar, mas um ser que só escuta não ouve necessariamente. Para o místico, o êxito em ouvir é escutar a voz do nosso Guardião, a voz do nosso “Eu Interior”, para atingirmos o domínio do Eu. VER – não apenas no sentido físico como o compreendemos e que está entre os cinco sentidos objetivos. Ver, usando os olhos como canais da Alma, “as janelas da alma” como dizia Leonardo da Vinci. Na Tradição o olho sempre esteve presente como um símbolo do conhecimento. O olho é a consciência que interpenetra o universo, a Divina visão que tudo abrange. Para o Místico, Ver, é aspirar à LUZ. FALAR – é o quarto aspecto que definimos na introdução como aptidão. A palavra é verdadeiramente uma força muito poderosa que se manifesta através das coisas e o místico nunca fica indiferente ao poder da palavra. Segundo São João: “No início era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS”. Analisando esta frase de grande profundeza esotérica compreendemos que a criação do universo foi através de uma ideia, um pensamento expressado e articulado em forma de palavras. O homem deve considerar que a palavra tem, de fato, um poder criador e espiritual. É por isso que a escolha da palavra correta transmitida a outrem é fundamental. O Discípulo deve proclamar a verdade que está no seu interior. Foi isto que fizeram os grandes Avatares e Iniciados da humanidade. Devemos sempre emitir palavras convenientes e construtivas. Ao utilizar o poder da palavra, devemos nos manter íntegros e éticos. Trabalhando estas quatro aptidões estaremos nos preparando para um tempo de que ainda não temos não temos consciência…” S.I. Tradicional Ordem Martinista Fonte: Revista “O Pantáculo”, ano I, nº 1 – edição 1993.
Tempo perdido
Tempo perdido Jeanne Guesdon, SRC Charles Darwin (1809-1882) foi um dos maiores cientistas do último século. Sua obra fundamental sobre a origem das espécies teve, desde sua publicação, uma repercussão universal e orientou a biologia em caminhos novos e fecundos. Darwin baseou seus trabalhos em milhares de observações. Teve, portanto, um trabalho enorme. No entanto, sua saúde não era boa; ele era fisicamente incapaz de um trabalho de muitas horas seguidas e, em suas memórias, confessa: “Nunca pude trabalhar mais de duas horas por dia.” Duas horas? É bem pouco. Mas quando esse lapso de tempo foi repetido todo dia, realmente todo dia, ele permitiu fazer obra digna de admiração, um verdadeiro monumento de saber humano. Chamamos sua atenção para o bom uso que cada um de nós pode e deve fazer do mais valioso dos tesouros: o tempo. Quantas vezes ouvimos confidências do tipo: “Sim, eu gostaria muito de fazer progressos maiores, mas não tenho tempo”. Ao que podemos quase sempre responder, sem medo de errar; “Bem, esse tempo necessário ao estudo, você o tem, mas não sabe usá-lo. Você o desperdiça, você o joga fora. Sem nem mesmo se dar conta disto…”. Pois, assim como gotas de água, milhares de vezes repetidas e caindo sempre no mesmo lugar, acabam vencendo a resistência do granito, assim também os minutos de estudo ou meditação, repetidos diariamente, nem que seja a razão de dez ou quinze minutos cada vez, farão de você um autêntico buscador da verdade, logo um Rosacruz. Faça um exame sincero de seu uso do tempo diário e veja se não há um só quarto de hora por dia que você desperdice com conversas fúteis, leitura de revistas sem cultura etc. Economizando esses momentos de tempo perdido, encontramos facilmente, mesmo que sejamos “terrivelmente ocupados”, aquele quarto de hora necessário ao estudo. E com a condição expressa de continuarmos todos os dias, sem nenhuma interrupção, de perseverarmos, faça chuva ou faça sol, é certo e seguro que podemos realizar um trabalho considerável e atingir nossos objetivos. Há também um meio mais sutil de perder tempo: é usá-lo pela metade, isto é, não nos dedicarmos completamente à tarefa que executamos, sendo que devemos nos entregar a ela por inteiro, não nos deixarmos distrair por nada, entrarmos inteiros naquilo que fazemos. O importante é uma atenção absoluta, que tenha de certo modo um valor magnético. Naturalmente, tal resultado não se obtém num só dia. Mas a Ordem Rosacruz, AMORC vai, justamente, ensiná-lo a obter esse estado de concentração, no mínimo de tempo e com o máximo de eficiência. Também é importante escolhermos para nossos momentos de estudo um tema relacionado às nossas possibilidades, aos nossos gostos. Se quiséssemos atacar uma tarefa árdua demais, possivelmente os fracassos nos cansariam e nos desestimulariam, ao passo que, se o esforço estiver à altura dos nossos meios, ele ampliará o campo de nossa ação. O crescente interesse vai também nos abrir novos horizontes de busca; o esforço inicial se tornará um prazer e dará o sentimento e a satisfação do dever cumprido, o que em geral proporciona, acima de tudo, paz e muitas vezes felicidade também. Lembremos também que o tempo foge com rapidez. Nós marcamos sua passagem com medidas humanas, mas não podemos detê-lo. O minuto presente nem bem existe e logo outro chega, e é substituído pelo seguinte. Dentre os momentos perdidos, esta mensagem mencionou as conversas fúteis. Uma pessoa rumina várias vezes aquilo que já disse… E para quê? Para se repetir! Outra, quando você lhe conta uma experiência vivida, um acontecimento qualquer, vai imediatamente relatar algo parecido com o que você acabou de falar. Ora, lembre-se de que aquilo que tem interesse pessoal para você muitas vezes não interessa à pessoa que está ouvindo. Na hora de falar, seria bom também lembrar-se de uma das lições rosacruzes que fala do esquecimento de si mesmo e da supressão do pronome “eu”. Também nesse caso, há uma disciplina a ser seguida e um treinamento a ser feito; e, em vez de “colher flores ao longo da estrada da vida”, essa disciplina e esse treinamento o ajudarão a subir a encosta, mais penosa, da senda da montanha que conduz à iluminação.
A Alquimia da Saúde
A Alquimia da Saúde Os alquimistas sabiam que a matéria é composta de quatro elementos: fogo, ar, terra e água. Nosso corpo, naturalmente, é também constituído desses elementos. Com este conhecimento, podemos purificar as quatro divisões do corpo, atendendo-as separadamente: Fogo – Metabolismo e digestão. Equilibrar o metabolismo para conseguir harmonia. Trabalhar bastante física e mentalmente para tornar o “fogo” elétrico do sistema nervoso (e da aura) mais sadio pelo uso. Quando as células estão ativas e cheias de energia, a distribuição da Energia Vital é harmoniosa e poderosa. Ar – Respiração. Deixar as janelas abertas sempre que possível. Inalar profundamente e exalar plenamente. Exercício intensivo é essencial para respiração e circulação eficientes. Terra – Dieta e exercício. Procurar manter o peso correto. Verificar o peso ideal em proporção com a altura. Fazer exercícios para fortalecer os órgãos, desenvolver os músculos e manter o tônus. Manter dieta equilibrada. Eliminar da dieta, o máximo possível, alimentos industrializados. Frutas, legumes e carnes, quando frescos, contêm mais Força Vital. Água – Líquidos. Beber bastante líquido, principalmente água. Oito copos de água por dia é o ideal. Isso é essencial para lubrificar as articulações, manter saudável o estado do sangue, dos fluidos intercelulares e de todos os tecidos do corpo. A água é o grande elemento dinâmico do corpo. A pedra filosofal da saúde, o sábio meio-termo da moderação, é a meta desta alquimia. Esse ponto ideal de equilíbrio é a chave para se viver dentro dos limites da ordem e no infinito campo da Alma – Alma pura em corpo puro.
Sobre a vaidade
Sobre a vaidade Os pensamentos no livreto versam sobre a vaidade e foram inspirados a partir do trecho bíblico extraído de Eclesiastes (1,2): Vanitas vanitatum et omnia vanitas, que significa: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Eles são do filósofo brasileiro do século XVIII Mathias Aires Ramos da Silva Eça, nascido em São Paulo em 27 de março de 1705. Estes pensamentos foram publicados por Mathias em 1752 na sua obra “Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens”, Editora Escala. Este pensador de temperamento calmo e personalidade introvertida estudou em São Paulo, morou em Lisboa e Coimbra, em Portugal, e em Paris, França, onde escreveu obras em francês e latim. Suas reflexões nos lembram certa Iniciação Rosacruz e traduzem um dos maiores vícios da natureza humana. Como uma escola de desenvolvimento humano, a Ordem Rosacruz, AMORC lembra a importância da sua permanente observação e atenção quanto a este aspecto da natureza humana que precisa ser constantemente vigiado. Acessar literatura
Meditação sobre Fraternidade
O Mahatma Ghandi disse certa vez: “Há dois aspectos das coisas: o exterior e o interior… O aspecto exterior nenhum significado tem, exceto na proporção em que contribui para o aspecto interior. Toda arte verdadeira é, assim, a expressão da alma. As formas exteriores apenas têm valor na medida em que se tomam a expressão da natureza interior do homem.” A afirmação acima expressa um segredo da verdadeira fraternidade. Na Ordem Rosacruz, falamos de fratres e sorores em uma maneira especial para nos referirmos aos indivíduos que conosco participam no estudo e na prática dos princípios Rosacruzes. Além disso, em um outro sentido, a doutrina fundamental de nossa tradição que todos os homens são irmãos. Esse conceito mais amplo de fraternidade encontra expressão em toda a nossa amada Ordem em seu reconhecimento e em sua citação de homens e mulheres que se destacaram por atos altruístas com consciência da verdadeira fraternidade. A fraternidade é, algumas vezes, mais fácil de ser praticada do que explicada. Quando a mente e o coração são devidamente orientados, a prática da fraternidade se torna um procedimento espontâneo. É muito mais fácil e mais simples agir como um irmão quando para isso somos condicionados, do que explicar os intricados processos psicológicos e o envolvimento emocional relacionado com a experiencia. Do mesmo modo, é mais fácil amarmos alguém do que definirmos a psicologia do amor. Muitas atividades profundas e complexas (físicas e mentais) têm sido realizadas muito tempo antes de para elas surgir uma explicação. Por exemplo, o raciocínio lógico era prática de alguns povos muitos séculos antes de tal prática ser explicada em termos de lógica formal ou tornada clara através de análise conceptual. Há uma exortação antiga que diz: “Regozijemo-nos com aqueles que se regozijam, e choremos com aqueles que choram.” A fraternidade autêntica não restringe o amor e a preocupação ao pequeno grupo familiar, ao círculo de amigos, à comunidade, nem mesmo ao nosso país. O amor se propaga para abarcar todo o gênero humano, a despeito de raça, cor, condição social, nacionalidade, ou afiliações políticas e religiosas. John Donne, poeta inglês do século dezessete, resumiu o espírito de fraternidade nestas palavras: “Nenhum homem é uma ilha, completo em si mesmo; todo homem é parte do continente, parte do oceano; a morte de qualquer homem me enfraquece porque estou incluído na humanidade; portanto, nunca procuremos saber por quem dobram os sinos; eles dobram por nós.” “Em sonho, vi uma cidade inexpugnável aos ataques de todo o resto da Terra; Em meu sonho, essa era a nova cidade dos Amigos…” – Walt Whitman.
As Mandalas e o despertar místico
As Mandalas e o despertar místico Tão antigas quanto a humanidade, as mandalas têm uma característica incomum: auxiliam na cura, na meditação, na busca da paz interior, no autoconhecimento, no entretenimento e ainda permitem descobrir outros aspectos inerentes à vida humana e à natureza. Em qualquer situação, em qualquer lugar, está presente a mandala, desde que o observador esteja atento. Quem pode ficar indiferente ao Sol da manhã, quando desponta no horizonte, ou das maravilhosas figuras geométricas que se formam no céu escuro pelos fogos de artifício? Conhecendo mandalas, aprendemos olhar mais atentamente para os formatos das nuvens, o colorido movimento das bolhas de sabão e até a delicada dança de uma borboleta que carrega em suas asas motivos de sobra para meditação. Podemos também observar as bailarinas do Lago dos Cisnes, e de outros balés, cujas coreografias compõem mandalas em movimento. Naturais ou artificiais, milimetricamente exatas ou compostas por símbolos abstratos, sem essa preocupação, essas magníficas figuras oferecem oportunidades para acelerar nosso despertar psíquico e para ampliar nossa consciência. Todo ser humano é um pequeno ponto na grande Mandala Universal (Penso, logo existo) e o grande universo nada mais é do que a Palavra concreta do Criador. Tudo o que aprendemos, sabemos, utilizamos e criamos só tem valor quando cumpre um propósito, uma finalidade. A criação do mundo não foi um fato aleatório e casual; a natureza com suas leis também obedece uma programação cósmica, um motivo primordial. Como parte desse Todo, o ser humano foi dotado de inteligência para interagir no mundo e na natureza, como co-criador e transformador. Sua existência no plano terreno, através das incontáveis experiências, visa conduzi-lo, incontestavelmente, à Consciência Cósmica. Carl Jung, um psiquiatra suíço cuja intuição era profundamente desenvolvida, utilizava os símbolos, inclusive as mandalas e o tarô, para trabalhar com os pacientes, buscando nas diferentes figuras o significado e as explicações para os arquétipos da personalidade. Mandalas e flores Considerando o formato circular da maioria das flores, com as pétalas se irradiando a partir de um centro, vemos que elas são mandalas naturais que nos remetem às mais diferentes associações. Temos mandalas ensolaradas, como os amarelos girassóis, as que simbolizam vitalidade e amor, como as rosas vermelhas, a humildade, representada pelas violetas e ainda a simplicidade retratada nas margaridas, como também os brancos lírios simbolizando a pureza. As flores, sejam as do jardim ou dos desenhos, nos mostram, quando vistas como mandalas, que podem representar a evolução do ser em seus diversos estágios, ou mesmo os “estados de alma”, ora ensolarados ora nebulosos. Nas tradições orientais o simbolismo das flores está sempre presente. Muitas representações de Buda e outras divindades indianas aparecem sobre a flor de lótus. O místico Jung, numa bela prece cristã, assemelhou a Virgem Maria com uma rosa, demonstrando um especial carinho que todos nós, rosacruzes, temos por essa flor, pelo que ela simboliza, sobretudo no centro da Cruz. Ó Rosa-grinalda, teu desabrochar faz os homens chorar de alegria. Ó sol rosado, teu calor faz os homens amar. Ó Filha do Sol, Rosa-criança Raio de Sol. Flor da Cruz, puro seio que floresce Desabrochando e ardendo sobre todos, Rosa Sagrada, MARIA!
Sobre Pitágoras
Maria Aparecida Frigeri, Src* Nos nossos estudos rosacruzes, sempre tivemos a oportunidade de conhecer uma Opinião Famosa. Pois bem, numa dessas benfazejas ocasiões lemos o seguinte: Pitágoras é, talvez, mais responsável do que qualquer outro pela aplicação da geometria à solução dos mistérios e problemas do mundo fenomenal, o mundo material. Isto se deve, particularmente, à sua descoberta e teoria no sentido de que todas as manifestações da Natureza ocorrem de acordo com a lei dos números. Muitas vezes, a matemática tem sido chamada de única ciência exata. Geometria e símbolos geométricos têm sido, por séculos, a linguagem universal dos filósofos e cientistas. O sentido esotérico ou oculto de muitos desses símbolos geométricos é revelado de forma tão clara que o Membro Rosacruz terá a capacidade de fazer uso deles na sua vida diária, para satisfação pessoal. A vida e obra filosófica de Pitágoras são um tanto quanto mal conhecidas pelos historiadores. No que se refere à sua contribuição para as ciências clássicas, sugerimos que se reporte a uma enciclopédia. Sob outro aspecto, a Tradição Rosacruz nos conta que ele foi iniciado nos mistérios de Tebas em abril de 531 antes da Era Cristã, e que foi discípulo e mais tarde Mestre da nossa Fraternidade Mística. Algumas fontes de busca dizem que esse notável filósofo nasceu em Samos (Grécia) e que foi filho de Mnesarca, um escultor. Dizem que quando jovem, exerceu a profissão de seu pai. Ele também fabricou com suas próprias mãos, três taças de prata, e as ofereceu como presente a três sacerdotes egípcios. Pitágoras é conhecido como o fundador da Escola Itálica de Filosofia e de uma escola especial que estabeleceu em Crotona. Estava completamente familiarizado com os ensinamentos e filosofias das escolas de mistério do antigo Egito. Ele exigia que os seus alunos e discípulos estudassem diligentemente a matemática, a música e aquilo que poderíamos chamar de leis religioso-científicas. Pregava e exigia ainda a abstinência da carne. Conta-se que Pitágoras não estava interessado na natureza dos elementos de que se compunham todas as coisas, mas sim na lei que lhes dava forma. A lei de Pitágoras responsável por todas as coisas era uma proporção matemática, harmoniosa, a indicar uma ordem. Dizia ele que todas as coisas se unem de conformidade com a correlação de duas classes de números – os pares e os ímpares. Dizia ainda, que pelo conhecimento das proporções numéricas da matéria, aprendemos a chave para sua natureza eterna. Pitágoras foi o primeiro filósofo a propor uma teoria que deu à humanidade a oportunidade de uma investigação científica da verdadeira natureza do Universo e suas forças. Tornou possível reduzirem-se as manifestações materiais a uma fórmula inteligível. A Ordem Rosacruz nos aconselha a não subestimar o valor e a grandeza da mentalidade do filósofo Pitágoras. Explica que estamos, via de regra, acostumados a aceitar as coisas sem determinarmos por quê elas ocorrem. Pitágoras deu à humanidade a orientação de como funcionam as coisas no mundo ao nosso redor, no sentido material, e como, desde que estejamos interessados, podemos aprender de que modo se manifestam todas as coisas. Na verdade, o Universo inteiro é governado por números. Por alguns momentos, consideremos a Música A escala musical completa está disposta numa ordenação matemática, uma oitava seguindo a outra. Na realidade, é o som ordenado. Som que não é matematicamente ordenado não é harmonioso; não é musical. Tudo deve ser matematicamente ordenado Pensem nas fases da Lua e na revolução dos planetas por meio da qual podemos marcar o nosso tempo. Pensem na ciência da química, onde a combinação dos elementos depende da exatidão da proporção matemática que é infalível. Pensem em todas as forças do Universo que se tornam manifestas, de conformidade com a lei das vibrações. A mudança no número das vibrações faz uma coisa ter a cor verde, ou vermelha, algo frio ou quente, pois sabemos que é o número das vibrações que responde por todos os estranhos fenômenos que percebemos em nosso Universo. Podemos perceber som, luz, calor, gravitação, ou seus efeitos. Por quê? Porque as respectivas naturezas estão de acordo com uma ordem que, matematicamente, é a mesma em todos os tempos. Olhem ao seu redor e apreciem este princípio fundamental. Tudo que tiver uma ordem numérica definida é harmonioso. Se parecer não ter uma ordem numérica definida, há de parecer inarmônico. Sempre que uma coisa, ou coisas são contrárias à ordem numérica de alguma coisa, há de se notar desarmonia. Por exemplo, as cores se misturam porque estão de acordo com a ordem de suas respectivas escalas de cor natural. Quando as cores são inarmônicas, estão fora da ordem numérica natural de suas escalas. Pitágoras e o Silêncio dos Rosacruzes Muitos perguntam por que é necessário fazer um Juramento Rosacruz de Silêncio. Não deveriam as verdades ser ensinadas a todos e abertamente? A Fraternidade Rosacruz é Pitagórica e, portanto, tem como regra de disciplina o Silêncio. Desde tempos imemoriais houve uma Ordem de Guardar Silêncio com respeito às coisas Sagradas. Esta regra foi seguida e a praticaram Pitágoras e também Jesus, o Cristo. Ambos ensinaram uma “dupla doutrina”. Uma para os discípulos e outra para as massas. “… Seus discípulos Lhe perguntavam dizendo: que poder tem esta parábola? E Ele disse: “Só a vocês é concedido conhecer os Mistérios do Reino de Deus, porém a outros em Parábolas, para que vendo não vejam e escutando não possam entender.”(Lucas 8:9-12). “O que tiver ouvidos para ouvir, que ouça” – Mateus 13:9. Os Egípcios, antes, já haviam deificado o Silêncio e o representaram na forma do deus Harpócrates (com o dedo indicador sobre os lábios). Desde antes de Platão mantém-se o Silêncio como regra principal, já que esta é uma Ciência Sagrada que não deve ser manchada por lábios mundanos ou em boca de não iniciados. “… Porém aqui, ainda que freqüentasse todos os Templos Egípcios com a maior dedicação e acurada investigação, ele foi à época, amado e admirado pelos sacerdotes e profetas com quem se associou. E havendo aprendido com
A CRUZ, a ROSA e a ROSA CRUZ
A CRUZ, a ROSA e a ROSA CRUZ Por que choras de que existe A terra e o que a terra tem? Tudo nosso – mal ou bem – É fictício e só persiste Porque a alma aqui é ninguém. Não chores! Tudo é o nada Onde os astros luzes são. Tudo é lei e confusão. Toma este mundo por estrada E vai como os santos vão. Levantado de onde lavra O inferno em que somos réus Sob o silêncio dos céus, Encontrarás a Palavra, O Nome interno de Deus. E, além da dupla unidade Do que em dois sexos mistura A ventura e a desventura, O sonho e a realidade, Serás quem já não procura. Porque, limpo do Universo, Em Christo nosso Senhor, Por sua verdade e amor, Reunirás o disperso E a Cruz abrirá em Flor. (Poema datado de 6 de fevereiro de 1934, de Fernando Pessoa)











