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Os ensinamentos místicos da Ordem Rosacruz, AMORC, são apresentados em livretos chamados monografias, e as lições são divididas em duas seções principais – a seção do Neófito e a seção do Templo. Visando atender melhor os seus membros, a Grande Loja está disponibilizando, através de seu portal, uma área exclusiva para Afiliados Rosacruzes. Esta área permitirá que o próprio rosacruz acompanhe o andamento dos seus estudos, atualize seu cadastro e tenha acesso a informações restritas a membros, à revista “O Rosacruz” digital e outras funcionalidades. O acesso a esta área se dá pelo Portal Rosacruz – https://afiliado.amorc.org.br Revistas digitais Se você optou por receber a revista “O Rosacruz” somente no formato digital, pedimos que entre no nosso portal e confirme sua escolha para que possamos cessar o envio das revistas impressas. Lembramos da importância desta opção por pelo menos duas boas razões: você estará ajudando a sua Grande Loja a diminuir as despesas operacionais, o que reflete diretamente nas trimestralidades dos nossos membros, e – mais importante – estará contribuindo para a sustentabilidade do planeta, pois o papel é oriundo de árvores que, mesmo sendo de reflorestamento, fazem parte de um longo processo que traz consequências não negligenciáveis ao meio ambiente. A revista “AMORC-GLP” estará no ambiente online de forma mais completa do que a impressa. Isto porque, como é um boletim informativo sobre as atividades em nossos Organismos Afiliados, nem sempre há a possibilidade de se colocar todas as fotos dos eventos ocorridos nos mesmos. No formato digital, não há limitação de espaço, permitindo que as reportagens saiam na íntegra. Perguntas e Respostas 1) Quem poderá acessar o ambiente de monografias virtuais? Somente rosacruzes habilitados, isto é, a partir do aceite do ingresso na AMORC. 2) Como eu posso me cadastrar na Área do Afiliado? É simples: tenha em mãos seus dados pessoais e seu código de afiliação na Ordem. Caso alguma informação digitada não coincida com as registradas no sistema da AMORC, este informará e será necessário entrar em contato telefônico com a Grande Loja. 3) Será feito algum controle de acesso? Sim, serão liberados apenas materiais aos quais o membro já estiver apto a acessar. Isto facilitará inclusive o acompanhamento de membros duais, pois o acesso às monografias é individual e elas serão liberadas conforme o estudo de cada um, inclusive com login e senha próprios. Há necessidade também de aceitar o termo de responsabilidade e confidencialidade que estará disponível antes da liberação do acesso ao ambiente. 4) Posso acessar a Área do Afiliado por meio de algum dispositivo móvel? Sim, o sistema permite o acesso através de outros dispositivos como smartphones e tablets, mas fica a seu critério decidir o acesso ideal para você. 5) Poderei imprimir as monografias? Sim, mas elas serão impressas com uma marca d’água que identificará o membro que a imprimiu. Esta é uma questão de segurança quanto à confidencialidade dos conteúdos. 6) Posso continuar a receber as monografias impressas? Sim, nossos membros terão a liberdade de optar por uma das modalidades de estudo ou por ambas. Se você escolher somente a modalidade virtual, se beneficiará de uma pequena redução na trimestralidade, a qual será anunciada no momento do lançamento. Em outubro será emitida uma circular especial com todas as inovações referentes aos estudos. 7) Será possível antecipar as monografias na internet? O ciclo trimestral permanecerá incluindo suas regras evolutivas de estudo e o membro só terá acesso à próxima etapa quando tiver cumprido a etapa anterior. O formato digital é apenas um meio para alcançar as monografias na internet de maneira integrada, protegida e individualizada. 8) Poderei acessar as monografias quando eu desejar? Sim, cada monografia estudada estará sempre a sua disposição na internet quando desejar e será disponibilizada também no formato PDF para que seja possível a leitura em outros dispositivos mesmo desconectados da internet. Lembramos que no formato PDF haverá as marcas de proteção citadas acima. Todas as funcionalidades, com exceção das monografias online, já estão à disposição em nosso site www.amorc.org.br. O setor de atendimento da GLP está à disposição para dirimir qualquer dúvida que surja quanto à utilização desta nova ferramenta através do e-mail atendimento@amorc.org.br e pelo fone (41) 3351-3000. Esperamos que os benefícios desta nova modalidade de estudo sejam visíveis no seu relacionamento com a sua Grande Loja, cuja existência tem por objetivo servir aos buscadores rosacruzes. “Área do Afiliado – Acesse!”
Flores no Jardim Cósmico
Flores no Jardim Cósmico O sentido da nossa vida como seres humanos no mundo é o de que ela é meio para um fim que a transcende. Ou seja, é através dela que se cumpre a finalidade ou razão de ser de nossa existência como tais seres, mas não é nela mesma que está essa finalidade. Um indício desse sentido da vida humana é a sua transitoriedade. Como tudo o que tem começo, duração e fim, nossa vida não pode ter razão de ser em si mesma. Do contrário teria se originado ao nosso nascimento de um “nada absoluto” – um absurdo; e ao se encerrar quando da nossa morte, qualquer que tivesse sido sua duração, estaria recaindo num “nada absoluto” – novamente um absurdo. Originamo-nos necessariamente em algo transcendente que precede nossa existência e nossa vida no mundo e que não pode ser um “nada absoluto”. Destinamo-nos necessariamente a esse mesmo algo transcendente que persiste após nossa vida no mundo e que não pode ser um “nada absoluto”. Por conseguinte, na realidade não somos seres em sentido absoluto; isto é, seres com essência imanente, natureza própria. Somos seres em sentido relativo, manifestando funções do ser absoluto e necessariamente único, eterno e infinito… do Ser Essencial que nos precede e subsiste, que é fonte (origem), sede (essência) e destino (resolução final) de tudo. Temos mais propriamente a natureza de fenômeno do que a de ser. Vale dizer, a natureza de algo que tem começo, duração e fim, no tempo e no espaço, e que é parcialmente observável, objetivamente perceptível e compreensível. A planta florífera… sem flores… agora com botões. E as flores desabrocham e cumprem sua função na vida da planta. Depois murcham e caem da planta no solo; “morrem”, deixam de existir como flores “vivas”, apodrecem e se decompõem no solo, deixando finalmente de existir como flores. A planta florífera… sem flores… A mesma planta florífera… agora com novos botões. E as flores desabrocham e cumprem sua função na vida da planta. Depois… A planta florífera e as flores: A planta… o “ser” que é fonte, sede e destino das flores. As flores… que não existem por si mesmas nem para si mesmas, mas que existem por força de leis físico-químicas da natureza da planta e se manifestam num sistema físico-químico que possibilita o cumprimento de sua necessária função na vida da planta. O universo. Sistema complexo composto de coisas, fenômenos e seres… Coisas? Seres? Não! Fenômenos. O universo é composto de fenômenos… inclusive o ser humano! Todos esses fenômenos manifestando potencialidades do Ser Essencial e cumprindo funções naturais na vida Dele… inclusive o ser humano! O universo: coisas, fenômenos e seres… fenômenos… flores no Jardim Cósmico! O ser humano… flor no Jardim Cósmico. Flor… por que não rosa… a desabrochar pela cruz da vida no mundo… na Vida do Ser Essencial? A roseira e as rosas: A roseira… o “ser” que é fonte, sede e destino das rosas. As rosas… que não existem por si mesmas nem para si mesmas, mas que existem por força de leis da natureza da roseira e se manifestam num sistema físico-químico transitório que possibilita o cumprimento de sua função necessária na vida da roseira. Rosas… que nascem, desabrocham e morrem… nascem, desabrocham e morrem… nascem, desabrocham e morrem… nascem… desabrocham… à plenitude de serem na roseira! Nossa vida, então, requer que lhe demos um sentido que a transcenda… algo que passe por ela e evolua (desabroche…) para se realizar num estado de ser sublime, num fenômeno sublime (fragrância maravilhosa no Jardim Cósmico!). Jardim Cósmico… misterioso e mágico… místico! Transcendência florífera que produz diferentes flores: rosas… que desabrocham na Vida do Ser Essencial… e também girassóis… que se voltam para o Sol e se deixam iluminar! Assim se completa o sentido da nossa vida como seres humanos no mundo: pela dedicação a valores, gostos, interesses e objetivos que propiciem o nosso desabrochar para a sublimidade na Vida do Ser Essencial e o nosso direcionamento da consciência para a Luz do Ser Essencial. Rosas… e girassóis… no Jardim Cósmico… todas irmãs por divina genealogia… no Amor do Ser Essencial! Nota: Este artigo apresenta a ideia fundamental do livro “Ser no Ser – Teorema e Credo da Vida Humana”, do mesmo autor.
Festa da Luz da Grande Loja com o alinhamento zenital – Dia 13/12/18 às 13h00
O Memorial Rosacruz e a Hierofania. No princípio, era o Monte Sagrado… Para os antigos egípcios o sol era Rá, divindade criadora do mundo e da humanidade. Na mitologia egípcia, o deus sol surgiu de uma montanha chamada Ben Ben. As pirâmides egípcias são representações desta montanha primordial e eram símbolos da crença egípcia em Rá. O momento em que os raios solares tocavam as pirâmides e irradiavam seu reflexo da luz, representavam a criação e recriação do mundo, ou seja, um eterno devir. Muitas construções criadas pelos egípcios antigos possuem alinhamentos com corpos celestes, cujo principal é o sol que ilumina em determinados períodos do ano certos espaços circunscritos no templo considerados como os mais sagrados denominados de Sancta Sanctorum, ponto onde ocorriam as mais elevadas cerimônias. O Memorial Rosacruz e o Complexo do Bosque Rosacruz estão permeados de certos símbolos que, muitas vezes, só podem ser percebidos pelos iniciados que, preparados, estão aptos para levantar o Véu de Ísis que a tudo oculta. O sol no ápice e sua irradiação em um objeto com significado para uma determinada cultura, pode ser considerado um fenômeno denominado hierofania, que significa “demonstração do sagrado”. Esse conhecimento astronômico presente no Egito Antigo, pode ser também visualizado no Bosque Rosacruz, em Curitiba. No Memorial Rosacruz, a pirâmide ali instalada além de evocar a Grande Pirâmide – símbolo importante para as iniciações rosacruzes, também foi projetada, especialmente, para receber a luz do sol zenital a partir da segunda quinzena de novembro até a primeira quinzena de janeiro. O ápice dessa iluminação ocorre no dia 13 de dezembro, próximo às 13h10, sob o signo zodiacal de Escorpião. Esse período contempla a passagem do equinócio da primavera para o solstício de verão no hemisfério sul, próximo ao momento que nós Rosacruzes comemoramos a Festa da Luz, evento assaz significativo no mundo esotérico. Neste momento, saudamos nossa Tradição em perfeita consonância com as Escolas de Mistérios egípcias da antiguidade e a Luz como símbolo do conhecimento e do bem. Serviço Festa da Luz da Grande Loja com o alinhamento zenital Data: 13 dezembro de 2018 Horário: 13h00 Local: Bosque Rosacruz – Ordem Rosacruz (AMORC) Endereço: Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba, Paraná. Entrada: Franca
Meditação guiada para crianças
Sabendo da importância e dos benefícios da meditação, a Ordem Guias do Graal – OGG disponibiliza conteúdo para meditação guiada para crianças.
A existência da alma
A existência da alma O ser humano não se limita a um corpo material mantido em vida por um conjunto de processos físico-químicos. Ele possui também uma faculdade extraordinária: a consciência. Ora, ao contrário do que pensam os ateus, ela não é produto apenas do cérebro. Do ponto de vista espiritualista, ela é um atributo da alma. É isso o que explica por que uma pessoa privada de suas funções cerebrais por causa de um gravíssimo acidente ou de uma doença degenerativa continua, além das aparências, a pensar e a sentir emoções. O fato de seu eletroencefalograma não acusar nada não significa que ela não tenha mais nenhuma consciência, mas apenas que ela está privada de sua fase objetiva, a qual depende efetivamente da atividade cerebral. Outro fato notável em todo ser humano: ele não tem consciência apenas de si mesmo, dos outros e do seu meio. Ele também tem consciência do bem e do mal, o que explica por que ele sente a consciência leve e a consciência pesada conforme aquilo que pensa, diz ou faz. Certamente, as noções de bem e mal são um tanto arbitrárias e podem variar de uma cultura a outra, mas sabemos em nossa alma e em nossa consciência” que alguns comportamentos são fundamentalmente bons, ao passo que outros são fundamentalmente maus a ponto de termos vergonha deles. O fato de sermos capazes de discernir uns dos outros e de nos conformarmos a uns mais do que a outros nos traz toda a problemática do livre-arbítrio e dá uma dimensão particular à nossa vida. Será possível provar a existência da alma? A priori, é impossível. Todavia, ao se considerar aquilo que o ser humano criou de mais belo e mais útil em âmbitos tão diversos tais como a arquitetura, a literatura, as artes, a ciência, a tecnologia etc., como pensar que ele tenha conseguido isso unicamente por meio de sua inteligência cerebral? Melhor ainda, ao se pensar nas emoções mais belas e nos sentimentos mais nobres que ele é capaz de sentir e expressar, como o maravilhamento, a compaixão, a fraternidade, a amizade e o amor, como não ver em tudo isso a presença de alguma coisa sublime e divina? Mas então: o que é a alma? Do ponto de vista rosacruz, é a energia espiritual que anima o ser humano, no sentido de que lhe dá vida e consciência. Como tal, ela impregna todas as células de nosso corpo, assim como o ar que preenche todos os cômodos de uma casa. Ao contrário do que ensina a maior parte das religiões, a alma não se situa num órgão específico, como o cérebro ou o coração, e nem tampouco no sangue. A ciência é atualmente incapaz de evidenciar essa energia ou mensurá-la, mas eu não me surpreenderia se ela um dia lograsse fazê-lo e que assim provasse a existência, em cada um de nós, de um corpo etéreo constituído de partículas espirituais. Outra questão se apresenta relativamente ao assunto da alma humana: de onde ela provém? Aos olhos da ontologia rosacruz, ela é uma emanação da Alma Universal, ou seja, da Alma que impregna o universo desde suas origens. Para retomarmos o que havíamos dito anteriormente, isso quer dizer que todo ser humano é um filho das estrelas, não apenas por causa dos elementos que constituem seu corpo físico, mas também pela essência espiritual que o anima. Esta é a razão pela qual em muitos escritos religiosos e também míticos está dito que o homem é uma alma vivente. Cada um de nós é, pois, um ser duplo e pertencente a dois mundos – não opostos, mas complementares: o visível e o invisível; tangível e intangível; material e imaterial. É precisamente essa dualidade que confere à nossa existência um objetivo transcendental. Para compreender o objetivo de nossa presença na Terra não devemos considerar agora a origem da alma humana, mas sua natureza como tal: ela é perfeita em essência, a exemplo da Alma Universal, designada pelos hinduístas e por alguns budistas pelo nome de Atman (pronunciado Atma em sânscrito). De fato, é nela que reside aquilo a que chamamos qualidades, ou, para retomarmos o termo caro a Sócrates, virtudes, tais como a humildade, a integridade, a generosidade, a tolerância, a benevolência etc. Se vivemos na Terra, é para nos conscientizarmos dessas virtudes e exprimi-las através de nosso comportamento, no contato com os outros. Em outras palavras, é para evoluirmos espiritualmente e atingirmos algum dia o estado de Sabedoria. É o que ademais ensinaram todos os Mestres e todos os Iniciados do passado, independentemente das épocas e dos lugares em que viveram. Certamente, a julgar pelo comportamento atual da maior parte dos indivíduos, seria possível duvidar de que o ser humano é perfeito em essência. É por isso que muitas pessoas, dentre as quais “filósofos”, estão convencidas de que, ao contrário, ele é imperfeito por natureza. Contudo, elas não podem negar que ele é capaz de se aprimorar. Isto pressupõe que haja nele “alguma coisa” que o incita a se tornar melhor, o que nos lembra as proposições de René Descartes: Como poderia eu saber que não sou perfeito se eu não tivesse em mim nenhuma ideia de um Ser mais perfeito que o meu, e através de cuja comparação eu posso conhecer os defeitos da minha natureza?
Entrevista Especial com o Imperator Emérito frater Christian Bernard
Entrevista inédita Convidamos nossos prezados Fratres e Sorores a prestigiarem uma entrevista histórica com os dois Imperatores, o Frater Christian Bernard como Imperator Emérito e o nosso Imperator Frater Claudio Mazzucco. Nesta entrevista especial gravada no dia 25 de novembro, data do aniversário do frater Harvey Spencer Lewis, primeiro Imperator do atual ciclo de atividades da Ordem Rosacruz – AMORC, o Imperator Emérito, frater Christian Bernard, fala sobre a sua experiência na função, lições aprendidas, e deixa belas mensagens ao seu sucessor, frater Claudio Mazzuco e aos membros rosacruzes de Língua Portuguesa. Acompanhe no AMORC Play – CCR e na Área do Afiliado. É possível assistir ao vídeo no AMORC Play – CCR e na Área do Afiliado.
Os Cavaleiros Templários
Os Cavaleiros Templários Os Cavaleiros Templários tiveram origem nas Cruzadas da Idade Média. Como é de conhecimento geral, as Cruzadas foram uma série de expedições à Síria e à Palestina, esta última denominada Terra Santa. Consistiam de “devotos e intrépidos reis cavaleiros”, bem como clérigos, soldados e simples camponeses. Seu intuito era libertar ou recuperar a Terra Santa, a terra natal de Cristo, daqueles que os cruzados chamavam de “turcos infiéis”. Nesse período em particular, o cristianismo ocidental significava a Igreja Católica Romana; não havia outras igrejas cristãs conhecidas. Todas as religiões ou crenças não-cristãs, em conformidade com a intolerância que então prevalecia, eram consideradas pagãs e, seus seguidores, infiéis. No sentido literal, pagão é o indivíduo que não reconhece o Deus da revelação. Todavia, um pagão não é necessariamente ateu. Mas, na opinião dos cristãos daquela época uma pessoa devota que concebe Deus no sentido panteísta, ou como consciência universal, é pagã. Com toda certeza, todos os não-cristãos eram assim considerados. Parecia uma irreverência, um sacrilégio, para os cristãos, que locais relacionados com o nascimento do Cristo estivessem sob o domínio de alguma autoridade não-cristã. Pequenos bandos de peregrinos, durante anos antes das Cruzadas, haviam viajado para a Palestina, com o fim de visitar os santuários. Em sua devoção e primitiva crença, imaginavam que tais visitas lhes trariam uma graça espiritual, assegurando-lhes bênçãos especiais no outro mundo. Atravessaram eles regiões agrestes, onde praticamente não havia lei e ordem. E punham em risco a sua segurança, viajando principalmente a pé. Em conseqüência , eram assaltados, roubados, mortos por bandidos que os atacavam. Esses fatos, chegaram ao conhecimento da Europa Ocidental e da cristandade e tornaram-se incentivo para as cruzadas. Durante os séculos doze e treze, cada geração formou pelo menos um grande exército de cruzados. Além desses enormes exércitos, que às vezes chegavam a trezentos mil homens, haviam “pequenos bandos de peregrinos ou Soldados da Cruz”. Durante aproximadamente duzentos anos, houve um fluxo quase contínuo de reis, príncipes, nobres, cavaleiros, clérigos, e gente do povo da Inglaterra, da França, da Alemanha, da Espanha, e da Itália para a Ásia menor. Ostensivamente, essas migrações tinham fins religiosos, levando consigo, como já dissemos, muitos aventureiros, cujo objetivo era de explorar. Assassinos e ladrões viajavam para a Terra Santa e roubavam, pilhavam e violavam mulheres. Os muçulmanos, devotos e respeitadores da lei, cuja cultura era muito superior a da Europa na época, ficavam chocados com a conduta desses “cristãos”. Era de se esperar que protegessem suas famílias e propriedades desses saqueadores religiosos. Assim, por sua vez, matavam os peregrinos ou os expulsavam. Sem dúvida, muitos peregrinos inocentes perderam a vida por causa da reputação criada pela conduta de alguns de seus companheiros. Os povos não-cristãos do Oriente Próximo não podiam distinguir os peregrinos que tinham nobres propósitos daqueles cujos objetivos eram perversos. A Primeira Cruzada Tomando conhecimento desta situação, Papa Urbano II, em 1095, em Clemont, França, exortou o povo a iniciar a primeira grande Cruzada. Conclamou os cavaleiros e nobres feudais a cessarem a guerra que travavam entre si e socorressem os cristãos que viviam no oriente. “Tomai a estrada para o Santo Sepulcro; arrebatai a região à raça perversa e sujeitai-a ao vosso domínio”. Consta que, quando o Papa terminou de falar, a vasta multidão que o escutava clamou quase uníssono: “É a Vontade de Deus!”. Esta frase tornou-se depois o grito de guerra da heterogênea massa que formou o exército da Cruzada. Aqueles homens estavam convictos de que estavam obedecendo à vontade de Deus, de modo que brutalidade, assassínio, estupro e pilhagem, nas terras do Oriente, estavam justificados por sua missão. Era impossível aqueles milhares de homens levarem consigo alimento suficiente para a viagem, visto que esta durava vários meses, em condições muito difíceis. Portanto, eram eles obrigados a buscar sustento nas terras que invadiam. Muitas pessoas inocentes do Oriente, não-cristãs, eram assassinadas, seu gado lhes era tomado e suas casas saqueadas, para o sustento dos cruzados, que sobre elas se abatiam como nuvem de devoradores gafanhotos. Naturalmente, a retaliação vinha rápida e violenta. Muitos cruzados foram mortos pelos húngaros, que reagiram para se proteger contra a depredação causada pelas hordas que passavam por sua região. O espírito de avareza ou cobiça aproveitou-se das circunstâncias. Muitos cruzados procuravam seguir para a Palestina e a Síria por mar, a fim de evitar a viagem mais longa, toda feita por terra. Ricos mercadores das prósperas cidades de Veneza e Gênova tramaram conceder aos cruzados “livre’ passagem para a Síria e a Palestina. Mas exigiam dos peregrinos o compromisso de exclusividade de comércio em qualquer cidade por eles conquistadas. Isto permitiria a esses mercadores ocidentais manter centros comerciais no Oriente, obtendo então excelentes produtos do seu artesanato. As jóias, a cerâmica, a seda. A especiaria, mobília e os bordados do Oriente eram superiores a tudo o que se produzia na Europa Ocidental da época. Das cruzadas emergiam muitas curiosas ordens religiosas e militares. Duas das mais importantes foram os Hospitalários e os Templários. Essas ordens “combinavam dois interesses dominantes da época, o monge e o soldado”. Durante a primeira Cruzada foi formada, de uma associação monástica, a ordem conhecida como os Hospitalários. Seu objetivo era de socorrer os pobres e enfermos dentre os peregrinos que viajavam para o Oriente. Cruz de Malta: o emblema Posteriormente, a Ordem admitia cavaleiros, além dos monges, e depois se tornou uma ordem militar. Os monges usavam uma cruz em sua veste e andavam com uma espada à cinta. Lutavam, quando necessário, embora se dedicassem principalmente em socorrer os peregrinos doentes. Receberam doações de terras, nos países do Ocidente. Também construíram e controlaram mosteiros fortificados, na terra Santa. No século treze, quando a Síria, principalmente, foi evacuada pelos cristãos, os Hospitalários mudaram sua sede para a ilha de Rodes e, mais tarde, para Malta. Esta Ordem ainda existe e seu emblema é a Cruz de Malta. A outra ordem tinha o nome de Cavaleiros Templários, ou “Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão”. Esta ordem
Quem São Eles?
A Ordem Rosacruz, AMORC, é uma organização internacional, de caráter cultural, fraternal, não-sectário e não-dogmático, de homens e mulheres dedicados ao estudo e aplicação prática das leis naturais que regem o universo e a vida. Seu objetivo é promover a evolução da humanidade através do desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo e propiciar uma vida mais harmoniosa para alcançar saúde, felicidade e paz. Para esse objetivo, a Ordem Rosacruz oferece um sistema eficaz e comprovado de instrução e orientação para o autoconhecimento e a compreensão dos processos que determinam a mais alta realização humana. Essa profunda e prática sabedoria, cuidadosamente preservada e desenvolvida pelas Escolas de Mistérios esotéricos está à disposição de toda pessoa sincera, de mente aberta e motivação positiva e construtiva.
O Colégio da Fraternidade
Muitos dos leitores já ouviram falar de um ilustrador britânico, William Heath-Robinson (1872-1944), que desenhava projetos de máquinas inacreditáveis com eixos, rodas, botões e alavancas e de outras que pressupostamente fariam limpeza e muitas outras tarefas. A ilustração aqui apresentada poderia ser tomada como sendo uma das invenções de Heath-Robinson. Ela aparece com o título Colégio da Fraternidade numa publicação de Daniel Mogling, também chamado Theophilias Schweighart, intitulada Speculum Sophicum Rhodo-stauroticum. Ela foi desenhada, e talvez mesmo publicada, por volta de 1604, dez anos antes do Fama Fraternitatis, normalmente considerado como o primeiro livro anunciador da presença dos Rosacruzes. Este manifesto também é citado como a primeira publicação indubitavelmente rosacruz. Todavia, ele não surgiu subitamente do nada. As ideias que nele encontramos são fundadas em bases sólidas. Os escritos de Mogling mostram claramente sua convicção rosacruz. Além de seus escritos, encontramos indícios visuais suficientes e evidentes em nossa ilustração para mostrar seus laços com o Rosacrucianismo. Trata-se em particular da rosa e da cruz que se encontram dos lados da porta desse castelo móvel. Schweighart aconselha aqueles que buscam a senda rosacruz dizendo que sejam pacientes e que perseverem, como as pombas de Noé, que vemos alçando voo da arca, à esquerda no fundo da imagem, e que coloquem suas esperanças em Deus e em suas preces. Para começar, vejamos o simbolismo do castelo, antes de nos dedicarmos a certos elementos que o rodeiam nessa ilustração. Os castelos são o símbolo quase universal do refúgio interior – de um local onde a alma se comunica intimamente com Deus, com o Absoluto ou, segundo os rosacruzes, com o Cósmico. Ao lado de seus túmulos piramidais, os faraós ordenavam a construção de templos funerários a que chamavam de “palácios para milhões de anos”. Assim como os túmulos reais, eles eram destinados a durar eternamente, a fim de ligar o destino da obra humana à dos Deuses. Nestes “palácios”, os pais do rei finado podiam cultuá-lo e comemorar eternamente sua existência, comungando com todos os deuses necessários e fazendo-lhes oferendas. Nos salmos da Bíblia, um castelo, ou cidade fortificada, é utilizado como metáfora da própria Divindade. Isso leva a metáfora a outro plano. Ao invés de ser simplesmente um lugar onde é possível comungar com a Divindade, o castelo torna-se efetivamente o próprio Deus. O Mestre Eckhart diz, em um de seus sermões: “Existe na alma um castelo no qual nem o próprio olhar de Deus pode penetrar”. E ele prossegue explicando que isto se deve ao fato de que se trata do castelo de pura Unidade. Nos pensamentos judaico e cristão, e ainda em outros mais, o castelo representava a calma imóvel no cerne da natureza humana. No tratado taoísta O Mistério da Flor de Ouro, é dito que devemos fortificar e defender o Castelo Primitivo que é a casa de Hsing, ou seja, do Espírito. Os castelos são habitualmente construídos como lugares fortificados no cume de colinas, onde eram mais eficientemente protegidos. Assim como as casas, eles evocam um sentimento muito forte de proteção e de segurança. No entanto, seu posicionamento os torna isolados e longínquos, o que, dada a sua inacessibilidade, os torna ainda mais atraentes. De fato, parece que uma parte da natureza humana consiste em desejar aquilo que é inatingível. Nas pinturas, a Jerusalém Celeste é representada como um castelo com torres e ameias localizado no alto de um pico de uma montanha. Ainda que de difícil acesso, uma vez tendo-o alcançado, o peregrino lá encontra segurança e proteção. O Rosacrucianismo, simbolizado pelo colégio fraternal, ensina, entre outras coisas, como entrar em comunhão com as influências cósmicas. Essa parte interior de si, a qual é acessada durante a meditação e a contemplação e que conduz à comunhão com o Cósmico, também é remota e de difícil acesso. Porém, uma vez alcançada, todas as contingências exteriores se desvanecem e pode-se então repousar conscientemente na proteção do Cósmico até o retorno ao estado que precedia a meditação. Na ilustração de Schweighart, observamos que esse castelo tem certos laços com a Divindade. A palavra hebraica “Yahweh”, ou “Ieschouah”, está inscrita no céu, indicada como o Leste, acima de nosso castelo, assim como os escudos dos quatro defensores posicionados em cada uma das ameias dos quatro ângulos. Fato notável é que esses defensores não estão armados com espadas, mas com folhas de palma, que lembram a entrada do Cristo em Jerusalém, anunciada pelas mesmas palmas. Simbolicamente, somos levados a compreender que a existência provém do Cósmico e que esse dom é tão importante para cada um individualmente quando foi a entrada de Jesus na Cidade Santa para a população cristã. A Cidade Modelo, símbolo dos ideais utópicos, pode ser percebida pelas janelas do castelo, onde um irmão procura no globo o lugar de sua última existência humana. Um braço que se projeta de um dos ângulos com uma espada na mão indica que toda luta para atingir a realização não se produz pela entrada no castelo. Quando se progride na Senda, devesse estar sempre em guarda, a fim de se evitar certas emboscadas. Ainda que essas armadilhas não sejam numeradas, é claro que deve haver um elo com um “poço de falsa opinião”, pois a espada o domina. Como é muito difícil ser sincero para consigo mesmo e para com seus próprios ideais, é provavelmente isto que é sugerido aqui. A inspiração cósmica brilha sobre um peregrino, no canto inferior direito da ilustração. Sua espada e seu chapéu repousam no solo, próximos à bolsa contendo seusparamentos e seus sapatos. As inscrições em latim indicam que ele declara ser ignorante mas que roga ao Pai que o ilumine. Mas por que ele traz uma âncora nas mãos, já que não tem nenhum barco ou uma grande extensão d’água em vista? A âncora, último recurso dos marinheiros num mar revolto, tornou-se mais ou menos o símbolo da esperança. Como ela segura o barco, indica a firmeza e a fé infalível. Ela simboliza a ideia de que é possível pôr fim a uma vida muito turbulenta ancorando-se firmemente na fonte










