No início da história da Grande Loja foi necessário fundar uma Gráfica própria, para atender a crescente demanda de impressos rosacruzes. Na Convenção de 1972, a Grande Loja apesentou aos Rosacruzes convencionais presentes a instalação da gráfica. Em 2001, o parque Gráfico, bastante ampliado e modernizado, foi batizado com o nome do Frater José de Oliveira Paulo, um dos fundadores da Grande Loja. O atual parque gráfico garante que as monografias rosacruzes, bem como todo o material impresso, estejam dentro do mais alto padrão de qualidade, a serviço de todos os Rosacruzes de Língua Portuguesa.
Criando o nosso futuro
Por H. Spencer Lewis, FRC
Ser um Místico Pensante, Atuante e Responsável
Na nobre escola rosacruz não há mestre e discípulo. Há apenas homens e mulheres que partilham um mesmo ideal e que se empenham em abrir a porta e avançar. Não se diz que a união faz a força? Pelo seu próprio percurso, você pode se definir como místico, pois um ser místico é alguém que vive em harmonia com sua consciência objetiva, com sua intuição e com seus sentimentos. Ser místico não significa ser perfeito, mas simplesmente, num primeiro momento, ter consciência daquilo que seria necessário fazer para sê-lo. Ser místico é saber, além da utilização de nossos sentidos objetivos – a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato –, utilizar outras forças, explorar outras possibilidades e permanecer à escuta de nossos sentidos interiores. Como pode uma pessoa unir-se aos místicos? Como ela vem a se interessar pela espiritualidade? Quais foram os seus questionamentos ou as razões que a levaram a um diálogo com Deus? Isso pode ter ocorrido após circunstâncias particulares que podem ter sido felizes e agradáveis, mas no mais das vezes acontece após provações penosas, ou mesmo dramáticas, que produziram nela uma mudança de estado de espírito e de atitude. O medo, a pena, a dor, a doença e a angústia são, assim como o amor, estímulos que moldam o ser humano e ocultam temporariamente sua consciência objetiva. É então que o milagre pode se produzir e um fogo – o fogo sagrado – pode surgir do mais profundo de nosso ser, libertando o nosso ardor – nosso poder criativo e nossa vontade de mais e de melhor. É mais ou menos como um parto, pois após a gestação vem a vida – a realização. É nesse sentido que se diz que “o Verbo se fez carne”. Nosso espírito se tornou criador e nossos pensamentos se concretizaram numa obra que reflete nossas aspirações mais profundas – nosso verdadeiro eu reunido com a consciência universal. O acionamento dessas leis naturais e universais é o desfecho de atos e processos simples acrescidos uns aos outros, como para a construção de um edifício que é erigido pedra por pedra. Basta conhecer as leis e suas aplicações. Texto extraído da publicação “Ser um Místico Pensante, Atuante e Responsável” – Autor Christian Bernard – Imperator Émerito da AMORC Acesse a publicação!
Carta da Terra
A Grande Loja aderiu recentemente à iniciativa da Carta da Terra que é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. A Carta da Terra busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação. Princípios Para se atingir uma visão compartilhada de valores básicos que proporcione um fundamento ético à comunidade mundial emergente, a Carta da Terra está estruturada em quatro grandes princípios. Estes princípios são interdependentes e visam a um modo de vida sustentável como padrão comum. Espera-se que através deles a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais seja dirigida e avaliada adequadamente. Respeitar e cuidar da comunidade de vida Integridade ecológica Justiça social e econômica Democracia, não-violência e paz “… O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. ” Carta da Terra Saiba mais: www.cartadaterrabrasil.com.br
Movimento Rosacruz para uma Ecologia Espiritual
Ecologia Espiritual A Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, AMORC esteve, ao longo da história, atenta, sensível e atuante nas sociedades onde participou, como uma Organização místico-filosófica em busca do bem-estar das pessoas e das nações. No início do século XVII o velho mundo atravessava um momento muito peculiar marcado por guerras religiosas, doenças, explorações marítimas, o Renascimento em curso permeado de Humanismo e o advento de uma nova forma de fazer ciência. Os recém descobrimentos da pólvora, da bússola, do tipo para impressão moldavam um cenário que ainda tinha muito do que chamamos de medieval. No início da idade moderna havia um aspecto que exercia uma influência fundamental no progresso e desdobramento de todos os outros que viriam a seguir, e que os Rosacruzes da época, notadamente Francis Bacon, René Descartes, John Dee e Johann Valentim Andreae se empenharam para alterar: o paradigma religioso centrado em um modelo construído desde o século V da nossa era, a partir da queda do Império Romano. Baseado na sociedade feudal esse modo de vida se acentuou nos séculos seguintes fundamentado em valores anacrônicos cuja ética paternalista viria a ser tão bem criticada por Max Weber no século XIX, em sua célebre obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Havia a necessidade de mudança e de se lançar um novo olhar para o mundo e a sociedade. Neste momento, importante para o lado ocidental do planeta com intervalos breves os Rosacruzes anunciaram a sua volta através de três Manifestos – o Fama Fraternitatis, o Confessio Fraternitatis e o Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreuz. Eles representaram para muitos uma luz no final do túnel, sendo chamados por alguns historiadores como verdadeiras tábuas para náufragos. Esses Rosacruzes se empenharam em alterar o status quo vigente através de um conjunto de medidas e ações que historicamente foi denominado de Movimento Rosacruz. O intento foi vitorioso na medida em que as tábulas de Bacon, o método cartesiano, a humanização da arte, o advento de um novo paradigma científico, o Iluminismo e até o Positivismo surgiram em decorrência deste Movimento. Hoje, os Rosacruzes se ocupam em perpetuar esta milenar Tradição e se empenham em torná-la o mais conhecida possível a um número cada vez maior de homens e mulheres de boa vontade. Entretanto, tal qual os Rosacruzes do Século XVII há um aspecto que não quer calar e que tem sido uma preocupação constante desde a edição do mais novo Manifesto Rosacruz, o IV Manifesto – chamado mui apropriadamente de Positio Fraternitatis Rosae Crucis, editado no 1º dia do Terceiro Milênio. Trata-se da questão ambiental. A saúde do planeta vem recebendo uma atenção muito especial por parte do nosso Imperator e Presidente da Suprema Grande Loja, Frater Christian Bernard que tem defendido um posicionamento ético em relação ao meio ambiente, visando a preservação e a conscientização dos nossos membros e até mesmo da sociedade em geral. Como um Manifesto contemporâneo a favor do meio ambiente e suas imbricações, os Rosacruzes têm, através do seu presidente mundial, uma posição clara na manutenção do bem estar das pessoas, povos e nações. Esta posição foi resumida num convite para uma tomada de consciência, séria, ética, responsável e mística sobre a Terra e à humanidade. Ela está resumida no documento que ele mesmo denominou “Exortação Rosacruz para uma Ecologia Espiritual”. Este documento, mais do que lido e meditado deve ser praticado através de pequenas e grandes ações que certamente no futuro poderão fazer muita diferença para o nosso mundo. Convidamos a ler e praticar o convite do nosso Imperator Émerito para uma nova Consciência a nosso respeito e de nossa relação com a Mãe-Terra. DOWNLOAD LITERATURA
Rosa+Cruz História e Mistérios
A Ordem Rosacruz inspira gerações de amantes dos mistérios e das verdades ocultas. Toda sorte de lenda já correu sobre a Organização. Seria ela composta de Iluminados que acharam a Pedra Filosofal? Ou uma reunião de Mestres secretos que governam o mundo? Uma conspiração, a fim de dominar o planeta? Quem são, afinal, os Rosacruzes? O que querem? O que buscam? O que ensinam? Ao pesquisador desamparado, é muito difícil encontrar a Verdade e separar o joio do trigo, pois como material de estudo encontrará centenas de livros, artigos e pesquisas, com opiniões ora concordantes, ora contraditórias e na maioria das vezes, do campo da doxa, isto é, da opinião do autor por desconhecer o aspecto esotérico da história. Ainda por cima, não uma, mas várias Instituições hoje se autodenominam “Rosacruzes”. A Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, AMORC vem afirmando, ao longo das décadas, ser a descendente legítima da Tradição Rosacruz do passado; uma atualização no tempo, sem perda de continuidade, de um prestigioso passado ancestral que remonta às primeiras Escolas Místicas do Egito Antigo. Frater Christian Rebisse, historiador profissional de grande erudição, tenta recompor de forma desapaixonada tudo o que atualmente se sabe sobre a Rosa+Cruz, de fatos documentados a mistérios não decifrados. Frater Rebisse, ele mesmo um pesquisador meticuloso e cético em certa proporção, não se deixa inclinar por nenhum lado, e se concentra apenas em sua monumental pesquisa, que lhe valeu inúmeros anos de paciente “arqueologia histórica”. O que o leitor tem em mãos, uma pesquisa erudita e, seguramente, uma das mais completas sobre a Rosa+Cruz. Aos Membros da AMORC, será reconfortante vê-la legitimada por um historiador tão criterioso quanto Christian Rebisse, ao mesmo tempo que defendida com as mesmas “armas” de seus caluniadores: a pesquisa histórica, isenta de paixão ou tendência. Longe de esgotar o tema ou pretender-se como um trabalho “fechado”, pois isso é impossível, este livro é ainda assim um excepcional material de estudo para historiadores e acadêmicos interessados na história das Sociedades Iniciáticas e, em especial, na Tradição Rosacruz. Deve ser objeto de pesquisa dos nossos Estudantes Rosacruzes para alcançarem, se seu coração souber desejar, a verdade. Pois esta não virá jamais pelo estudo material, mas pela junção deste com a meditação, a fim de que a Hierofania se afirme através de um estado em que só a certeza é realidade. Conheça a biblioteca rosacruz e vivencie emoções diferentes através da leitura! Clique aqui
A Ordem Rosacruz: Uma Escola de Liberdade
A Ordem Rosacruz: Uma Escola de Liberdade Tendo certo número de questões lhe sido um dia feitas a respeito do funcionamento da AMORC e sobre a filosofia rosacruz, Serge Toussaint, Grande Mestre da Jurisdição de Língua Francesa, concluiu a entrevista resumindo sua concepção com as seguintes palavras: A <a href=”https://amorc.org.br/quemsomos/”>Ordem Rosacruz</a> é uma Escola de liberdade… O que poderiam representar essas palavras? No decorrer da reflexão, elas pareciam ter um grande alcance sobre a razão de ser da Ordem Rosacruz e o sentido do processo que é proposto ao buscador. Este artigo visa partilhar essas reflexões a respeito da liberdade e se inicia, portanto, com um convite a se considerar como os ensinamentos rosacruzes ensinaram ao místico a exercer sua liberdade. Examinemos inicialmente essa expressão que qualifica a AMORC como uma escola de liberdade. A noção de escola remete à de aprendizado. Uma escola é uma instituição onde se adquire uma instrução ao se desenvolver competências através de um ensinamento graduado. A matéria ensinada aqui em questão é a liberdade. Esse ponto de vista pode inicialmente suscitar assombro: seria a liberdade o fruto de um aprendizado? Somos livres pelo próprio fato de nossa condição humana ou devemos adquirir essa liberdade? Alguns talvez pensarão que a liberdade é algo que não tolera bem os meios-termos: ou se é livre, ou não se é… No espírito da Declaração Universal dos Direitos do Homem,Declaração Rosacruz dos Deveres do Homem é clara a esse respeito e estipula, no artigo 3º, que todo indivíduo tem o dever de respeitar o outro sem distinção de raça, de sexo, de religião, de classe social ou de qualquer outro elemento aparentemente distintivo, implicando que toda pessoa é titular das liberdades fundamentais, como a liberdade de consciência, de religião, de opinião, de expressão, de reunião pacífica e de associação. Existe, portanto, um consenso, ao menos nas sociedades democráticas, quanto ao fato de a liberdade estar ligada à condição humana. A apreciação do Grande Mestre revela um paradoxo aparente: se somos livres por direito natural, por que deveríamos aprender a liberdade? A resposta a esta pergunta reside sem dúvida no uso que fazemos dela ou nas condições que devemos estabelecer para tornar efetivo esse potencial de liberdade. Mas o que é exatamente a liberdade? O ser humano é verdadeiramente livre ou no fundo não é mais que um escravo dos diversos condicionamentos que interiorizou? Ele pode exercer de verdade aquilo a que chamamos o “livre-arbítrio”? A busca pela liberdade se confunde com as origens do pensamento filosófico. Desde a Antiguidade muitos filósofos se dedicaram a essas questões fundamentais, assim como fazemos hoje em dia, e por vezes – como foi o caso de Sócrates – tiveram de pagar com suas vidas. A questão da liberdade é indissociável da noção de escolha. “Ser” livre é inicialmente “ter” a escolha. Como dizia o escritor Paulo Coelho, a liberdade não é a ausência de compromisso, mas a liberdade de escolha. Se a liberdade está ligada à noção de escolha, é preciso então admitir que ela implica também a ideia de responsabilidade. Só é livre, definitivamente, aquele que é responsável por suas escolhas… Existem, todavia, diversas formas de liberdade e é importante que especifiquemos aqui a qual vamos nos referir. Existe a liberdade de direito jurídico, como aquela que é garantida por uma Carta; há também a liberdade de agir segundo nossa própria vontade e, finalmente, há a liberdade interior, ou livre-arbítrio, que consiste em ser mestre de si mesmo, sem ser escravo de suas paixões, de seus desejos ou de suas crenças limitadoras. A liberdade consiste até mesmo em poder rejeitar a evidência e escolher o mal ao invés do bem. Como evocado mais acima, ou se é livre ou não se é… Suponhamos que era à liberdade interior que o Grande Mestre fazia alusão; é a esta forma de liberdade que o leitor é convidado a refletir aqui: uma liberdade que nenhuma pessoa ou circunstância exterior pode nos tirar e que conservaríamos mesmo no fundo da prisão mais sombria. Alguns filósofos contemporâneos consideram que, para pensar livremente, é preciso se desfazer de todas as ideologias que condicionam o pensamento. É isso que pode ser chamado de “teoria da terra queimada”, em que toda forma de herança é considerada um entrave do qual é preciso se desvencilhar. Ter um passado, uma memória e uma origem nos torna inaptos a exercer nossa liberdade de pensar? Ainda que pensar por si mesmo exija um distanciamento reflexivo face aos modos, às tendências e às ideologias, parece muito improvável que uma espécie de vacuidade de referências possa conduzir quem quer que seja a pensar livremente. Todos os tiranos partilharam o fantasma da imposição do seu “novo ano zero” do conhecimento fazendo uma limpa de tudo o que precedeu sua dominação, com as consequências desastrosas que nós conhecemos. A verdade é que nós não pensamos a partir do vazio. Nossas construções mentais têm por matéria as aquisições prévias da linguagem, nossas referências culturais e nossas experiências passadas cujos traços são conscientes ou inconscientes. Levando nossa reflexão mais adiante, poderíamos nos perguntar se nossa herança biogenética não determina inteiramente nossos atos. O filósofo Baruch Spinoza, em sua obra sobre a ética, enuncia da seguinte forma a sua recusa do livre-arbítrio tal como preconizado por Descartes: Basta-me por enquanto enunciar esse princípio com o qual todo o mundo deve convir, a saber, que todos os homens nascem na ignorância das causas e que um apetite universal de que eles têm consciência os leva a procurar aquilo que lhes é útil. Uma primeira consequência desse princípio é que os homens julgam ser livres e não pensam de forma alguma nas causas que os dispõem a desejar e a querer. Os deterministas concluem disso que nós acreditamos agir ao passo que “somos levados a agir” por impulsos – eles próprios oriundos de causas muitas vezes desconhecidas e incontornáveis. Para Spinoza, Deus é a causa primeira determinante da qual nós somos um efeito, e nossa última liberdade reside, segundo ele, no Amor constante
O que é a Filosofia para o Rosacruz?
O que é a Filosofia para o Rosacruz? Por SERGE TOUSSAINT, FRC Pretendo fazer uma reflexão sobre um tema que me é muito caro, a saber: a Filosofia. Com efeito, como Rosacruzes que somos, gostamos de nos definir como filósofos e nossa Ordem é de natureza filosófica. É por isto que pretendo participar-lhes meu ponto de vista sobre o tema e confiar-lhes fraternalmente o que me inspira. Em primeiro lugar, é útil recordar que a palavra filosofia pode ser definida de duas maneiras. Literalmente quer dizer amor à sabedoria, porém por extensão também significa ciência da vida. Ainda que estas duas definições sejam complementares, sem dúvida expressam noções, conceitos e ideais diferentes. Vamos examiná-los e ver no que implicam em nossa busca espiritual. Desta maneira, podemos pôr em evidência o ideal de comportamento que deve nos animar, não só quando estamos entre Rosacruzes, mas também em nossa vida cotidiana, em contato com nossos irmãos e irmãs do mundo na sociedade em que vivemos. O Amor à Sabedoria Se considerarmos a primeira definição da palavra filosofia, ou seja amor à Sabedoria, deduzimos que um filósofo, no sentido nobre deste termo, é alguém que ama a sabedoria. Dizem que foi Pitágoras quem deu origem à palavra filosofia. Antes dele, os filósofos da Grécia Antiga eram chamados de sábios. O Conselho dos Sábios, era uma instituição em Atenas. Este Conselho reunia os maiores pensadores da época, os quais eram encarregados de refletir e legislar acerca dos problemas sociais que se apresentavam, fossem eles no campo da moral, da economia, da política, da religião etc. Foi assim que o próprio Pitágoras foi qualificado de sábio. Porém, como ele era particularmente modesto, considerava ser ainda demasiado imperfeito para merecer tal qualificação, por isso exigiu que não se referissem a ele como sábio, mas sim como alguém que amava a sabedoria, o que já considerava ser muito louvável. Assim nasce a palavra filosofia. Como sugerem as explicações precedentes, não se pode ser verdadeiramente um filósofo se não se tem humildade, isso todos nós sabemos. Porém, quem entre nós pode dizer do fundo da alma e consciência que é verdadeiramente humilde em pensamentos, palavras e atos? Quem entre nós, nunca sentiu a necessidade de chamar a atenção, de ocupar o centro de uma conversa, de dar sua opinião quando não foi solicitada, de fazer um inventário de seus méritos, de mostrar sua superioridade em tal ou qual campo etc? Mesmo assim, não nos devemos culpar ao saber que não somos tão humildes quanto gostaríamos, posto que necessariamente somos imperfeitos e evoluímos precisamente com o objetivo de nos aperfeiçoarmos. Se temos o sentimento de falta de humildade, devemos antes de tudo, aceitar esta condição e trabalhar sem descanso sobre nós mesmos para adquirir esta virtude. Paralelamente, e me parece uma prioridade, devemos fazer o possível para que os outros não sofram os efeitos negativos de nossos ataques de orgulho. Agindo assim, não só demonstramos o respeito e afeto que os outros merecem, mas também manifestamos o desejo de melhorar o nosso comportamento. Neste sentido, recordemos sempre que não é o fato de sermos imperfeitos que gera dívida cármica, mas a falta de esforço para nos aperfeiçoarmos. É evidente que ser sábio não se limita a dar prova de humildade. Ser sábio reside em reunir todas as virtudes inerentes a alma humana que cada um de nós deve adquirir no transcurso de sua evolução espiritual, de encarnação em encarnação. É pois ser paciente, confiante, tolerante, altruísta, íntegro, pacífico etc. Então, ser filósofo no primeiro sentido, não consiste em ser necessariamente sábio, mas ter a sabedoria como um ideal a alcançar, é amar a sabedoria. Dito de outra maneira, é primeiro e antes de tudo estar animado pelo amor daquilo que é bom no comportamento humano. Isto supõe que podemos ser filósofos sendo imperfeitos com a condição de nos esforçamos em ser perfeitos. À medida que somos Rosacruzes, somos também filósofos posto que podemos não ser ainda sábios, mas efetivamente aspiramos a chegar a ser melhores e expressar a Sabedoria Divina em nossa maneira de viver. Porém, o filósofo que somos não deve limitar-se a amar o que há de bom no comportamento humano e fazer todo o possível para conformar-se com a vida cotidiana. Devemos com a mesma energia transmitir esse amor aos outros e dar-lhes o desejo de interessar-se pela filosofia. Isto é, devemos atuar de maneira tal que eles mesmos cheguem a amar e a buscar a sabedoria, fim último da conquista humana. Disto deduzimos que a filosofia no sentido de amor à sabedoria implica, igualmente, o amor pelos outros, a ponto de desejar que cheguem a ser mais virtuosos que nós mesmos em seus comportamentos e assim conheçam as mais belas bênçãos de Deus, com tudo o que resulta em termos e felicidade e Paz Profunda. Ser filósofo, é pois, amar a sabedoria por si mesmo, porém de igual maneira para os demais. É querer que os outros a amem e a possuam. Também é orar para que a adquiram, posto que cada um que a obtenha é um instrumento do Bem entre os homens e faz um mundo melhor. Nunca esqueçamos que a humanidade inteira se eleva cada vez que um só ser humano faz uso da sabedoria. O que finalmente nos leva a dizer que a filosofia, na expressão mais pura do termo em seu sentido literal, é o amor de Deus, tal como se manifesta por meio do Homem, seja ele quem for. A Ciência da Vida Vamos agora ao segundo sentido da palavra filosofia, ou seja, o sentido de ciência da vida. A vida, como sabemos, serve de suporte à evolução da Alma Humana. Com efeito, é porque ela possui um corpo físico que é capaz de evoluir no plano terrestre. Sem ele, não pode adquirir as lições graças as quais deve aperfeiçoar-se e tomar consciência gradualmente de sua perfeição latente, em benefício de sua reintegração final e definitiva na Onisciência Divina. Para nós, tal coisa é evidente, mas a maioria das pessoas ignora essa evidência. Para a maior parte delas, a vida é um interlúdio consciente
Egito: Escolas de Mistérios e Religião – Lançamento!
As obras literárias de modo geral são resultado de inspiração, investigação e pesquisa por parte de seu autor. Elas trazem, como um filho, pensamentos do autor contidos no contexto da obra devido a necessidade natural do pesquisador articular as descobertas para apresentar a ideia central e seus corolários principais. Entretanto, algumas obras se destacam neste universo porque traduzem o resultado da pesquisa de uma vida inteira. Na biblioteca rosacruz, inúmeras obras têm essa peculiaridade, como é o caso da Senda Catára, entre outras. E agora esta obra do frater Earle de Motte vem também com essa característica. Os detalhes, as ponderações, diferenciam este livro da produção massiva de livros como uma obra, diríamos, “feita à mão”. Sua estrutura mostra o caráter científico do tema entremeado da visão de um estudante rosacruz, como costumo cognominar – permeada de “rosa musgosa”. Esclarece o que eram as escolas de mistérios, a mitologia e a jornada da alma, porque aprofunda a metafísica egípcia com a temática da ressurreição e reencarnação. Traz revelações do Livro dos Mortos que compatibilizam a natureza do ser humano com a Jornada de Rá através do submundo, com a participação dos Xamãs e Hierofantes. Nesta trajetória encontram-se as raízes da tradição hermética com seus desdobramentos e relações com o Tarot e os Mistérios Egípcios. É uma obra essencial para o estudante rosacruz compreender as origens de grande parte de nossas iniciações e permitir ao buscador de maior luz a compreensão de que o misticismo e o esoterismo estão presentes na formação do ser humano, naquilo que a antropologia filosófica denomina de “homo religiosus”. Esta abertura proporcionada a partir de uma visão geral do contexto histórico, social e religioso do Antigo Egito permite compreender efetivamente o que eram as escolas de mistérios que todo rosacruz deve conhecer. Isto reforça o termo comum de nossas origens no Antigo Egito de modo a esclarecer que “não caímos de paraquedas” naquela civilização que por si mesma está associada aos Atlantes e Lemurianos que incorporam a Tradição Primordial. Earle de Motte: Earle de Motte foi professor de método histórico e é o autor de Japan and India e The Grail Quest. Ele foi diretor de escola e Grande Conselheiro da Ordem Rosacruz, AMORC, e é atualmente um conferencista da Academia Rosacruz da Grande Loja da Australásia. Sua principal área de pesquisa nesta competência é história, simbologia e literatura do Graal na Tradição Ocidental dos Mistérios, assim como o lugar do Egito na Tradição da Escola de Mistérios. Ele viajou pela Europa, Oriente Médio e Ásia Meridional, visitando muitos lugares históricos relevantes aos seus interesses. Como instrutor da Universidade Rose-Croix, Earle tem guiado tours a vários lugares mitológicos e místicos nas Ilhas Britânicas e na Europa. Os assuntos abordados nestas páginas incluem: . Espiritualidade Egípcia . A Heresia de Akhenaton e o Seu Impacto na Religião e no Pensamento Místico . Mitologia da Criação dos Quatro Centros . A Alma e Sua Jornada na Metafísica do Pensamento Egípcio . Segredos do Livro dos Mortos . A Natureza do Ser Humano . A Jornada de Rá pelo Submundo e sua Significância Iniciática . Mistérios Egípcios como protótipos das Antigas Escolas de Mistérios . Xamãs, Hierofantes e o Processo Iniciático . A Sabedoria dos Eruditos Egípcios, do Antigo Egito até os Místicos Herméticos de Alexandria . O Coração como o Eu Espiritual e o Monitor da Moralidade no Comportamento Humano Recomendo sua leitura como um livro muito especial. Faço votos de que seus ensinamentos levantem mais um dos Véus de Isis que a tudo oculta. Conheça a biblioteca rosacruz e vivencie emoções diferentes através da leitura! Clique aqui
Como Orar
Por H. SPENCER LEWIS, FRC “ Quantos, dentre nós, limpam as mãos de dívidas, agradecendo a Deus cada benção individual recebida durante o dia? ” A oração é um ponto grandemente controverso da prática religiosa, seguido ou negado francamente. Aqueles que utilizam a oração como argumento contra a existência de um Deus inteligente, ou de qualquer Deus, afirmam que as orações seriam logicamente razoáveis e eficientes se Deus existisse. São muito perspicazes ao declarar que setenta e cinco por cento das orações ficam sem resposta ou são aparentemente negadas. Sou um crente firme na oração e o leitor também poderá ser, se der à oração a devida oportunidade para demonstrar a sua eficácia. Acusamos erradamente muitas coisas de serem ineficientes e recusamos a aceitá-las, depois de apenas umas poucas tentativas de usá-las ou demonstrá-las. A razão disso é a nossa própria ineficiência e ignorância. Nessas circunstâncias, surpreende-me que tantas orações sejam atendidas. A compreensão do que realmente é a oração e de como usá-la falta de tal modo no indivíduo comum, que é realmente surpreendente que uma, dentre mil, traga quaisquer resultados. Nas igrejas, são usadas certas preces fixas feitas por pessoas que parecem mais interessadas na eloquência florida do que na verdadeira oração. Jesus ensinou aos seus discípulos como orar, e a versão correta das suas instruções e os exemplos que deu ao mundo são diferentes das preces proferidas por aqueles que se afastaram do misticismo fundamental da oração. A prece baseia-se na suposição de que Deus é onipotente, onipresente e deseja atender às nossas súplicas. Essa é toda a suposição ou base que necessitamos na oração; penso, porém, que o leitor concordará em que a média das pessoas tem em mente algo mais. Tem em mente não só que Deus é onipotente, onipresente e misericordioso, mas, também, que, com toda a sua harmonização com os seres que criou, ignora, ainda, as suas necessidades, desconhecendo completamente o que necessitam na vida! Este é o grande erro. Entregarmo-nos à oração com a crença ou sensação de que Deus não sabe o que necessitamos ou o que é melhor para nós e devemos dizer-lhe e explicar-lhe o que desejamos, é cometer um grave erro. Considerando o assunto do ponto de vista puramente razoável e sensível, não parece estranho que uma pessoa se ajoelhe e peça a Deus que não tire a vida de alguém que acabou de sofrer um acidente? Orar a Deus em tal ocasião e quase ordenar -lhe que não permita que a vida abandone o corpo dessa pessoa ou que certas condições se manifestem, é presumir que nós, com a nossa compreensão finita, sabemos, melhor do que Deus, se certas coisas devem, ou não, acontecer. Se a pessoa foi ferida, está prestes a falecer e Deus não impede que isso aconteça, por que deveremos presumir que Deus modificará Seu modo de pensar quanto à transição, permitindo que a pessoa viva, unicamente porque pedimos que a sua vida seja salva? Pense em duas pessoas, em lados opostos, cada uma pedindo forças a Deus para que seja o vencedor numa luta entre elas. Se Deus deve decidir a luta, não é melhor presumir que o Seu julgamento das condições e princípios em ação será suficiente para escolher a pessoa que deverá vencer? A oração, por ambas as partes, não poderá ser satisfatoriamente atendida, pois ambas não poderão sair vencedoras. O místico sabe que qualquer oração ou súplica baseada na suposição de que Deus ou o Cósmico não sabe o que é melhor e deve ser orientado ou aceitar recomendações ou sugestões, é perdida e inútil. Na verdade, isso representa uma censura à inteligência divina e não vai além do campo das nossas ambições pessoais. Certamente, semelhante prece não pode ser proferida sinceramente ou merecer a aprovação Cósmica. Está fadada a fenecer ou a não ter resposta, no próprio momento em que é concebida. Um Encontro de Mentes Para o místico, portanto, a oração é um encontro de mentes. Não é ocasião para pedidos pessoais, mas para comunhão espiritual, ocasião em que a alma e a parte mais íntima de nós mesmos, reverente, sincera e tranquilamente, falam a Deus e expressam os desejos do nosso coração e mente. Qualquer consideração de que a nossa concepção humana das nossas necessidades deve ser exposta em detalhes ou feitas sugestões ou recomendações, seria tão incompatível com a atitude verdadeira de orar, que desvirtuaria a oração e impediria a realização do que desejamos. A prece, portanto, deve ser a expressão do desejo de uma bênção. Tenho eu qualquer direito de me dirigir a Deus, como faço na oração, e exigir ou mesmo pedir que me seja dada uma vida mais longa, porque esse é o meu desejo e cheguei à conclusão de que devo ser atendido? Não é isso concluir que Deus pode não ter pensado em dar-me vida mais longa ou pode ter decidido de outro modo, e desejo modificar a decisão e decreto da Sua Mente? Não é isso uma obstrução ao próprio efeito que desejo criar na consciência de Deus? Tenho eu qualquer direito de me dirigir ao Criador de tudo e dizer que desejo isto ou aquilo de um modo que indica que decidi a respeito dessas coisas, ou solicitar que a Mente Divina aceite o meu discernimento em vez do Seu próprio? Estou certo de que se pensássemos em nos aproximar do rei de um país ou do presidente de uma república, cujos favores nos tivessem sido concedidos no passado e de cuja generosidade muito tivéssemos nos beneficiado, entregar-nos-íamos à oração de modo muito diferente. Se tivéssemos recebido muitos favores de um rei e nos fosse permitido ir à sua presença para alguns momentos de comunhão, encontrar-nos-íamos, provavelmente, proferindo, antes de mais nada, palavras de agradecimento pelo que recebemos – acrescentando que, se fosse da vontade real, ficaríamos muito felizes se pudéssemos continuar a merecer as mesmas bênçãos ou possivelmente mais. Nenhum de nós pensaria em solicitar bênçãos específicas sem, primeiramente, ter expressado profundo agradecimento pelo que já receberemos e sem declarar que,








